Entre o Medo e a Vida — Uma história sobre amor e permanência
Capítulo 1 — Flashback
A água caía sobre a cabeça, escorria pelos ombros, quente demais para ser confortável.
As lágrimas que ela vinha segurando, finalmente se soltaram, misturando-se ao vapor do banheiro.
Emma fechou os olhos.
Mas não adiantava.
As lembranças não respeitavam silêncio, nem água, nem fuga.
Invadiam tudo.
***
— Senhorita Emma…
A voz do médico ecoava clara demais na memória.
— Você está com câncer de ovário em estágio inicial, estágio I. Isso é bom.
Bom.
A palavra ainda soava absurda.
— Foi detectado cedo, apesar de o tumor ser agressivo. Precisamos iniciar o tratamento imediatamente.
Emma lembrava do frio nas mãos.
Do chão sumindo sob os pés.
— Doutor… — a voz dela tinha saído trêmula. — Eu ainda não sou mãe. Não… não pode ser.
Engoliu em seco antes de continuar.
— Como fica o meu sonho?
O sonho do meu namorado?
O médico respirou fundo, escolhendo as palavras com cuidado.
— Calma. Ainda existe possibilidade.
Ele se inclinou um pouco à frente.
— Vamos congelar seus óvulos antes de qualquer procedimento.
Silêncio.
— Acredito que será necessária uma cirurgia.
Então veio a frase que nunca mais a deixou.
— Agora, a prioridade é salvar sua vida.
O resto… a gente tenta preservar.
***
Emma abriu os olhos no banho com um soluço preso na garganta.
Bateu a mão fechada contra a parede de azulejos.
— Porra… por quê? — gritou, a voz quebrando.
Saiu do banho sem pressa.
Sem ânimo.
O espelho devolveu uma mulher que ela quase não reconhecia.
Como contar aquilo ao Thiago?
Como dizer que tinha um câncer?
Que talvez não pudesse dar a ele o que os dois mais sonhavam?
Ainda mais depois de uma perda.
Ainda mais agora.
Ela se apoiou na pia, respirando fundo.
Os testes de farmácia tinham dado negativo.
Todos.
E mesmo assim…
O corpo gritava outra coisa.
Náusea.
Cansaço.
Sensibilidade.
Emma tinha pensado em tudo.
Estresse.
Hormônios.
Ansiedade.
Mas não nisso.
Nunca nisso.
Para esse diagnóstico…
Ela não estava preparada.
A cozinha estava silenciosa demais.
Emma picava os tomates sem atenção, os movimentos automáticos, a mente longe.
A água fervia no fogão. O macarrão cozinhava.
Ela montava uma salada que não queria comer.
A colher caiu no chão pela terceira vez.
— Droga… — murmurou, abaixando-se para pegar.
Ao se levantar, a faca escorregou dos dedos e bateu na bancada, por pouco não cortando sua mão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...