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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 438

Entre o Medo e a Vida — Uma história sobre amor e permanência

Capítulo 1 — Flashback

A água caía sobre a cabeça, escorria pelos ombros, quente demais para ser confortável.

As lágrimas que ela vinha segurando, finalmente se soltaram, misturando-se ao vapor do banheiro.

Emma fechou os olhos.

Mas não adiantava.

As lembranças não respeitavam silêncio, nem água, nem fuga.

Invadiam tudo.

***

— Senhorita Emma…

A voz do médico ecoava clara demais na memória.

— Você está com câncer de ovário em estágio inicial, estágio I. Isso é bom.

Bom.

A palavra ainda soava absurda.

— Foi detectado cedo, apesar de o tumor ser agressivo. Precisamos iniciar o tratamento imediatamente.

Emma lembrava do frio nas mãos.

Do chão sumindo sob os pés.

— Doutor… — a voz dela tinha saído trêmula. — Eu ainda não sou mãe. Não… não pode ser.

Engoliu em seco antes de continuar.

— Como fica o meu sonho?

O sonho do meu namorado?

O médico respirou fundo, escolhendo as palavras com cuidado.

— Calma. Ainda existe possibilidade.

Ele se inclinou um pouco à frente.

— Vamos congelar seus óvulos antes de qualquer procedimento.

Silêncio.

— Acredito que será necessária uma cirurgia.

Então veio a frase que nunca mais a deixou.

— Agora, a prioridade é salvar sua vida.

O resto… a gente tenta preservar.

***

Emma abriu os olhos no banho com um soluço preso na garganta.

Bateu a mão fechada contra a parede de azulejos.

— Porra… por quê? — gritou, a voz quebrando.

Saiu do banho sem pressa.

Sem ânimo.

O espelho devolveu uma mulher que ela quase não reconhecia.

Como contar aquilo ao Thiago?

Como dizer que tinha um câncer?

Que talvez não pudesse dar a ele o que os dois mais sonhavam?

Ainda mais depois de uma perda.

Ainda mais agora.

Ela se apoiou na pia, respirando fundo.

Os testes de farmácia tinham dado negativo.

Todos.

E mesmo assim…

O corpo gritava outra coisa.

Náusea.

Cansaço.

Sensibilidade.

Emma tinha pensado em tudo.

Estresse.

Hormônios.

Ansiedade.

Mas não nisso.

Nunca nisso.

Para esse diagnóstico…

Ela não estava preparada.

A cozinha estava silenciosa demais.

Emma picava os tomates sem atenção, os movimentos automáticos, a mente longe.

A água fervia no fogão. O macarrão cozinhava.

Ela montava uma salada que não queria comer.

A colher caiu no chão pela terceira vez.

— Droga… — murmurou, abaixando-se para pegar.

Ao se levantar, a faca escorregou dos dedos e bateu na bancada, por pouco não cortando sua mão.

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