Thiago demorou alguns segundos antes de abrir a porta do apartamento.
A mão permaneceu parada sobre a maçaneta.
Ele respirou fundo.
Uma vez.
Depois outra.
Nenhuma das conversas difíceis da vida tinha preparado ele para aquela.
Empurrou a porta.
O apartamento estava silencioso.
A televisão ligada na sala.
Emma estava sentada no sofá, com as pernas dobradas sob o corpo e um cobertor leve sobre os ombros.
O controle remoto descansava na mão dela.
Mas os olhos não estavam realmente na televisão.
Ela olhou para ele assim que ouviu a porta.
— Você demorou.
Thiago deixou as chaves sobre o aparador.
— Reunião.
A mentira saiu automática.
Ele caminhou até a sala devagar.
Emma desligou a televisão.
Algo no jeito dele fez seu estômago apertar.
— O que foi?
Thiago passou a mão pelo rosto.
Sentou-se na poltrona à frente dela.
— Amor…
Emma franziu a testa.
— Não começa assim.
Silêncio.
Ele respirou fundo.
— A gente precisa conversar.
O coração dela afundou imediatamente.
Emma já sabia.
Antes mesmo de ele continuar.
— Você contou.
Thiago levantou o olhar.
— Não foi assim.
Ela se levantou de repente.
— Eu pedi uma coisa, Thiago!
A voz saiu mais alta do que ela pretendia.
— Uma coisa!
Ele permaneceu sentado.
Calmo.
— Eles ouviram.
Emma riu sem humor.
— Claro que ouviram.
Passou a mão pelos cabelos.
— Porque aparentemente o universo decidiu que eu não tenho mais direito a nenhum tipo de privacidade.
Thiago se levantou.
— Emma…
— Não!
Ela levantou a mão, impedindo que ele se aproximasse.
— Agora todo mundo sabe.
A voz dela começou a tremer.
— Todo mundo vai me olhar daquele jeito de novo.
Silêncio.
Thiago sabia exatamente de que olhar ela estava falando.
— Amor…
Ela respirou fundo.
Tentando recuperar o controle.
— Quem sabe?
A pergunta saiu baixa.
Mas pesada.
— A Nathália sabe?
Thiago segurou a mão dela com cuidado.
— A Eloise e o Enzo também.
Emma congelou.
O corpo inteiro ficou rígido.
Suas amigas.
E o irmão caçula.
As três pessoas que ela mais queria proteger…
agora sabiam.
Ela se afastou dele.
Deu alguns passos pela sala.
Passou a mão pelo rosto.
— O Enzo não devia saber.
A voz saiu fraca.
— Ele ainda é um menino.
— Ele te ama e já é um adulto. — Thiago respondeu.
Emma balançou a cabeça.
— Eu não queria que ele me visse assim.
Os olhos começaram a encher de lágrimas.
— Eu não queria que ninguém me visse assim.
Ela tentou continuar falando.
Mas a voz falhou.
O silêncio caiu pesado.
Emma respirou fundo.
Mais uma vez.
Mas dessa vez não funcionou.
As lágrimas começaram a cair.
Primeiro devagar.
Depois sem controle.
— Eu não queria ser a menina doente…
A frase saiu quebrada.
Thiago se aproximou.
Devagar.
Como quem se aproxima de algo frágil.
— Ei…
Emma não resistiu.
Quando ele abriu os braços, ela simplesmente caiu no abraço.
O corpo tremendo.
O rosto escondido contra o peito dele.
— Eu estou com medo… — ela murmurou.
Thiago beijou os cabelos dela.
— Eu sei.
Ela segurou a camisa dele com força.
— E se…
A frase morreu antes de terminar.
Ele segurou o rosto dela entre as mãos.
— A gente vai atravessar isso.
A voz dele era firme.
Tranquila.
— Juntos.
Emma fechou os olhos.
Thiago riu.
— Bom plano.
Ele voltou para a sala e sentou-se ao lado dela.
— Como você está?
Emma pensou por alguns segundos antes de responder.
— Melhor.
Respirou fundo.
— Talvez porque agora eu não precise mais esconder… nem mentir.
Olhou para ele.
— Ou talvez porque amanhã é a cirurgia.
Deu um pequeno sorriso sem humor.
— Não sei bem o motivo.
Thiago assentiu devagar.
— Eu sei que isso não é sobre mim… — disse ele. — Mas é bom não precisar mais mentir.
Emma virou o notebook na direção dele.
— Essas são as regras.
Thiago olhou para a tela.
Depois para ela.
— Amor… regras?
Emma sorriu.
— Sim. Regras são ótimas para evitar constrangimentos.
Ela voltou a digitar.
— Vou mandar esse manual no grupo.
Apontou para ele.
— E você manda no grupo dos rapazes.
Thiago levantou as mãos em rendição.
— Sim, senhora chefe.
Emma deu um leve tapa no ombro dele.
— Bobo.
Ele pegou a mão dela e beijou.
Emma respirou fundo.
— Você vai ver… vai funcionar.
Ela voltou a olhar para a tela do notebook.
— Segundo ponto.
Fez uma pausa.
— Hoje eu vou almoçar com meu pai.
Thiago franziu a testa.
— Para contar?
Emma assentiu.
— Não quero que a Nathália conte antes de mim. Ou esconda dele.
Fez uma pequena careta.
— Eles vão acabar brigando por minha causa.
Thiago segurou a mão dela novamente.
— Você não precisa se preocupar com isso.
Ela balançou a cabeça.
— Eu não posso fugir para sempre.
Ele suspirou.
— Infelizmente não.
A voz dele suavizou.
— Mas eu estou aqui para tudo.
Emma se aproximou dele.
E Thiago a envolveu em um abraço.
Por alguns segundos, o mundo pareceu mais silencioso.
Mais simples.
Porque, mesmo com tudo que vinha pela frente…
eles ainda estavam juntos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...