As meninas estavam almoçando quando o celular de Nathália vibrou sobre a mesa.
Uma mensagem no grupo.
Emma.
Nathália abriu.
Leu em silêncio.
Depois arregalou os olhos.
— Meninas… — murmurou.
Todas olharam para ela.
Eloise estendeu a mão.
— Lê.
Nathália limpou a garganta e começou:
— “Como eu sei que vocês provavelmente estão juntas fazendo exatamente as coisas que estão proibidas nesse P*F…”
As meninas se entreolharam.
Outra mensagem apareceu logo abaixo.
— “Estou enviando um plano com 8 regras oficialmente proibidas durante o tempo que enfrentarei essa batalha.”
Em seguida veio o arquivo.
P*F: Regras do câncer
Mesmo aquele nome ainda causava um aperto estranho no peito.
Logo depois, a última mensagem chegou.
— “Às 6h da manhã estarei no hospital São Gabriel para a cirurgia.
Vejo vocês no quarto depois.
Beijo. Amo todas.”
Por alguns segundos, ninguém falou.
Foi Eloise quem quebrou o silêncio primeiro.
— Muito bem… — disse, pegando o celular. — Todas prontas para descobrir quais absurdos estamos oficialmente proibidas de fazer por amor à dona Emma?
Sofia riu.
— Se ela não fizesse regras… não seria Emma.
Nathália cruzou os braços.
— Tenho certeza de que existe uma regra exclusiva para mim.
Eloise abriu o P*F.
Começou a ler.
— Regra número 1
“Se eu pegar alguém me olhando como se eu fosse morrer amanhã, essa pessoa será banida da minha presença por três a seis meses.
O tempo da punição depende exclusivamente do meu humor.”
A mesa inteira explodiu em risadas.
Laís pegou o celular em seguida.
— Presta atenção na segunda.
Ela leu em voz alta.
— Regra número 2
“Nada de frases motivacionais de internet.
Tipo: ‘Deus dá batalhas para seus melhores soldados.’
Eu já estou lutando.
Não preciso de slogan.”
Sofia entrou na brincadeira.
— Minha vez.
Ela limpou a garganta dramaticamente.
— Regra número 3
“Ninguém vai me tratar como inválida.
Se eu quiser levantar, eu levanto.
Se eu quiser sair, eu saio.
Se eu quiser reclamar… eu reclamo.”
Alana apontou para Eloise.
— Essa aqui é claramente para você.
Ela leu.
— Regra número 4
“Abraços são permitidos.
Mas não aquele abraço triste de velório.
Abraço normal.
Com vida.”
Eloise ergueu as mãos.
— Ei! Abraços nunca fizeram mal a ninguém.
Mais risadas.
Laís empurrou o celular para Nathália.
— Vai. Essa é sua.
Nathália leu já rindo.
— Regra número 5
“Ninguém vai falar comigo como se eu fosse uma criança.
Especialmente você, Nathália.”
A mesa explodiu novamente.
— Emma vai ver só! — Nathália protestou, rindo.
Eloise pegou o celular outra vez.
— Regra número 6
“Piadas são bem-vindas.
Silêncio constrangedor não.”
Ela levantou os olhos.
— Vamos precisar ser fortes, meninas. Mas juntas a gente consegue.
Nathália respirou fundo e continuou.
— Regra número 7
“Se alguém disser ‘Vai dar tudo certo’, eu vou aceitar.
Mas se disser ‘Você precisa ser forte’, eu provavelmente vou chorar.
E isso estará sujeito a multa:
de dois a quatro meses sem me ver.
O prazo da punição depende exclusivamente do meu humor.”
Laís balançou a cabeça.
— Estamos ferradas. Se depender do humor da princesa do cacau, ninguém vai poder visitá-la.
Mais risadas.
Sofia levantou o celular.
— Essa é a mais importante.
Ela leu com a voz mais suave.
— Regra número 8
“Continuem falando comigo sobre a vida.
Trabalho.
Casamento.
Fofoques.
Problemas idiotas.
Eu ainda faço parte do mundo.”
O silêncio voltou à mesa.
Mas agora era um silêncio diferente.
Alana suspirou.
— Eu não sei se consigo ser forte vendo o Enzo daquele jeito…
Nem sei como vou olhar para ela.
Eloise apoiou os cotovelos na mesa.
— Como ela pediu.
Todas olharam para ela.
— Sem piedade.
Isso não é o fim do mundo… e muito menos o fim da Emma.
Nathália assentiu.
— Exatamente.
Descobriram cedo. As chances são muito boas.
Ela respirou fundo.
— Ela só precisa de apoio… e de risadas.
Sofia hesitou.
— Eu queria dividir uma coisa com vocês…
As outras olharam curiosas.
Ela respirou fundo.
— Eu estou grávida.
Por um segundo, ninguém reagiu.
— Mas eu não quero contar nada para a Emma ainda. Pelo menos não até ela melhorar.
Eloise arregalou os olhos.
— Sofia!
Ela sorriu.
— Vocês vão ser papais logo logo… cadê a esperança de vocês?
Nathália pegou a mão dela.
— Eu sou totalmente a favor de contar.
Sofia franziu a testa.
— Mas—
— Emma não vai ficar triste — Nathália continuou. — Ela vai ficar feliz.
Ela sorriu.
— Eu conheço aquela mulher.
Fez uma pausa.
— Emma descobriu da minha gravidez quando já estava passando por tudo isso… sozinha.
As outras ficaram em silêncio.
— E ela ficou radiante com a ideia dos novos irmãos.
Eloise assentiu.
— Nathália tem razão.
Laís levantou a taça.
— Gente… a creche desse grupo está crescendo, hein?
A mesa explodiu em risadas novamente.
Todas levantaram suas taças.
— Pela mamãe Sofia.
— Nathália…
— Você vai entrar naquela sala linda.
Sofia pegou o batom.
— Concordo.
Alana segurou o espelho.
Laís cruzou os braços.
— Isso está virando um ritual.
Emma suspirou.
— Vocês são impossíveis.
Mas se sentou na cadeira.
Nathália começou a passar um pouco de corretivo.
— Olha para cima.
Emma obedeceu.
Sofia passou um pouco de blush.
— Só para dar cor.
Laís mexia no cabelo dela.
— Esse coque está horrível.
— Obrigada pela sinceridade — Emma respondeu.
Eloise observava tudo encostada na parede.
Sorrindo.
— Sabia que você ficaria linda até em uma sala de cirurgia.
Emma riu.
— Esse é o elogio mais estranho que já recebi.
Sofia terminou o batom.
— Pronto.
Emma olhou no espelho.
Não parecia doente.
Parecia… ela.
Emma respirou fundo.
— Obrigada.
Por alguns segundos ninguém falou.
Então Laís bateu palmas.
— Muito bem.
— Agora só falta uma coisa.
Emma franziu a testa.
— O quê?
Laís levantou a mão.
— Abraço coletivo.
Emma riu.
— Isso claramente viola a regra número quatro.
— É um abraço com vida — respondeu Eloise.
Então todas se aproximaram.
O abraço foi apertado.
Quente.
Cheio de risadas.
Cheio de medo também.
Mas ninguém falou sobre isso.
A enfermeira apareceu na porta.
— Está na hora.
O quarto ficou em silêncio.
Emma respirou fundo.
Olhou para cada uma delas.
— Sem drama — avisou.
Eloise levantou as mãos.
— Sem drama.
Nathália assentiu.
— Sem drama.
Laís apontou.
— Regra número um.
Emma sorriu.
— Exatamente.
Então a maca entrou no quarto.
Thiago se aproximou.
Segurou a mão dela.
— Vamos.
Emma apertou os dedos dele.
— Vamos.
Porque às vezes coragem não é ausência de medo.
É simplesmente dar o próximo passo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...