Emma saiu do consultório com o coração leve, como se finalmente tivesse um caminho claro diante dela. Pela primeira vez em muito tempo, não era apenas sobre esperar, mas sobre agir. Ela sabia exatamente quais passos precisava seguir, e isso, por si só, já trazia uma tranquilidade que há meses não sentia.
As semanas seguintes foram marcadas por disciplina e cuidado. Reposição de vitaminas, alimentação rigorosamente controlada, acompanhamento médico constante. Emma se dedicava a cada detalhe como se estivesse preparando o próprio corpo para um novo começo. Não era apenas um plano — era um propósito.
Thiago acompanhava tudo de perto. Incentivava, lembrava horários, ajustava a rotina junto com ela. O que antes era luta, agora parecia construção. E, aos poucos, tudo foi se encaixando. Os exames começaram a chegar, um após o outro, sempre positivos. Dentro do esperado. Dentro do ideal.
Tudo estava pronto.
Ou quase.
Naquela tarde, Emma estava sentada na sala com o celular na mão, tentando mais uma vez. Ligação após ligação. Nenhuma resposta. Nenhum retorno. Nem mesmo uma mensagem automática.
O incômodo começou pequeno.
Mas cresceu rápido.
Quando Thiago entrou em casa, o som das chaves sendo deixadas no aparador ecoou pelo ambiente silencioso. Ele nem teve tempo de chamar por ela.
Emma apareceu no corredor.
A expressão já não era a mesma de horas atrás.
— Amor… eu não consigo contato com a clínica.
Thiago franziu levemente a testa, ainda tentando entender.
— Que clínica, amor?
— A clínica Florescer.
Dessa vez, a voz dela saiu mais alta, carregada de tensão.
Thiago deu um passo em direção a ela.
— Ei… calma.
Ele segurou as mãos dela com cuidado.
— Respira.
Emma tentou, mas era difícil. Algo dentro dela dizia que aquilo não era normal.
— Eu já liguei várias vezes… ninguém atende. Nem e-mail. Nem nada.
Thiago manteve o tom firme, mas tranquilo.
— Amanhã a gente vai lá cedo, tá?
Ele apertou levemente as mãos dela.
— Calma… eu sei que você está ansiosa. E nervosa. Mas pode ser só algum problema interno.
Emma assentiu, mas sem convicção.
Porque, no fundo… ela já sentia, que não era só isso.
A noite não passou de verdade.
Emma tentou dormir, mas não conseguiu. Virava de um lado para o outro, os olhos fechados apenas por alguns minutos antes que a mente voltasse a girar. Algo dentro dela insistia que aquilo não era apenas um erro simples, um problema técnico, um atraso qualquer. Era uma sensação incômoda, persistente, difícil de explicar — como se o corpo soubesse antes mesmo da mente entender.
Quando o dia finalmente amanheceu, ela já estava de pé.
Não havia café da manhã tranquilo, nem conversa leve. Apenas silêncio e expectativa.
Thiago observava cada movimento dela com atenção, percebendo a tensão nos ombros, o jeito mais acelerado de respirar, os dedos inquietos. Ele não dizia muito, mas estava ali, como sempre — presente, firme, tentando ser o equilíbrio quando tudo dentro dela parecia instável.
— Vamos? — ela perguntou, já com a bolsa no ombro.
Thiago apenas assentiu.
O caminho até a clínica foi mais longo do que deveria. Não pelo trânsito, não pela distância, mas pelo peso do que não estava sendo dito. Emma olhava pela janela o tempo todo, mas não via nada. Sua mente já estava lá, antecipando respostas, criando cenários, tentando se preparar para algo que ainda não tinha forma.
Quando o carro virou a esquina da rua onde a clínica ficava, Emma sentiu o coração acelerar.
Mas não foi de ansiedade.
Foi de choque.
Thiago diminuiu a velocidade.
O prédio estava cercado.
Fitas de isolamento.
Vidros quebrados.
Parte da fachada escurecida, marcada.
Como se tivesse sido engolida por algo que deixou rastros.
Emma não disse nada.
Nem conseguiu.
Thiago estacionou o carro devagar.
O silêncio entre eles agora era outro.
Pesado.
Denso.
Irreal.
Emma abriu a porta antes mesmo que ele desligasse o carro e caminhou alguns passos à frente, como se precisasse confirmar com os próprios olhos que aquilo era real.
Não havia movimento.
Nenhuma recepcionista.
Nenhum paciente.
Nenhuma rotina.
Apenas marcas.
E ausência.
Um homem de colete se aproximou, percebendo a presença deles.
— A clínica está interditada — disse, de forma direta. — Houve um incêndio há alguns meses. Ainda está em investigação.
Emma piscou, tentando processar.
— Incêndio…? — repetiu baixo.
A palavra pareceu não fazer sentido.
— Sim. Foi sério. Estrutura comprometida, equipamentos perdidos…
Ele continuou falando, mas Emma já não ouvia mais.
Porque, de repente, tudo dentro dela começou a cair.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...