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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 471

A casa estava em silêncio.

Não aquele silêncio confortável, que traz descanso ou paz, mas um silêncio denso, que parecia ocupar todos os espaços e se instalar entre as paredes. Era como se até o ar tivesse ficado mais pesado, difícil de respirar.

Emma estava sentada no sofá desde que chegaram.

Na mesma posição.

As mãos apoiadas no colo, os olhos perdidos em algum ponto à frente, mas sem realmente enxergar nada. O corpo ali, presente, mas a mente distante, presa em um lugar que ela ainda não conseguia sair.

Desde a clínica, ela não tinha chorado mais.

E isso, de alguma forma, era pior.

Thiago observava de longe.

Não por distância emocional, mas porque não sabia como se aproximar sem parecer que estava invadindo algo delicado demais. Ele a conhecia o suficiente para perceber que aquele tipo de silêncio não era vazio — era um tipo de dor que ainda não tinha encontrado forma.

Ele passou pela cozinha algumas vezes, abriu e fechou a geladeira sem motivo, preparou algo que acabou não sendo comido, voltou para a sala, sentou, levantou… tentando, de alguma forma, encontrar um jeito de ajudar.

Mas não havia manual para aquilo.

— Amor… você quer comer alguma coisa?

A voz dele saiu cuidadosa, baixa, como se qualquer tom mais alto pudesse quebrar algo invisível.

Emma não respondeu.

Não porque não tivesse ouvido.

Mas porque não tinha força para transformar pensamento em palavra.

O silêncio respondeu por ela.

Thiago assentiu devagar, como se aceitasse aquela resposta mesmo sem ouvi-la, e se aproximou alguns passos. Parou ao lado do sofá, observando o rosto dela, tentando encontrar algum sinal, qualquer reação que dissesse que ainda havia um caminho de volta para aquele momento.

— Se quiser, a gente pode sair um pouco… — ele tentou novamente, com cuidado. — Dar uma volta, respirar…

Emma piscou devagar, como se estivesse voltando de muito longe.

Mas não respondeu.

Não disse sim, mas tambem não disse não.

Apenas voltou a olhar para frente.

Thiago passou a mão pelo rosto, respirando fundo, e se sentou ao lado dela, mantendo uma pequena distância — não por falta de vontade, mas por respeito ao espaço que ela parecia precisar.

O tempo passou sem que nenhum dos dois percebesse.

Minutos.

Talvez horas.

O relógio na parede marcava o tempo, mas ali dentro ele parecia não ter importância.

Emma levantou apenas uma vez.

Caminhou lentamente até o quarto.

Abriu a porta.

E ficou parada ali por alguns segundos.

Thiago a seguiu com o olhar, sem se mover.

Ela entrou.

O quarto estava como sempre.

Organizado.

Calmo.

Intacto.

Mas, para Emma, parecia diferente.

Porque agora ele carregava ausência.

Ela caminhou até a cômoda, abriu a gaveta onde costumava guardar o notebook.

Olhou.

E fechou.

Não queria escrever.

Não queria organizar pensamentos.

Não queria dar forma àquilo.

Porque, se fizesse isso… seria real.

Ela voltou para a sala sem dizer nada.

Sentou novamente no mesmo lugar.

Na mesma posição.

Como se o tempo não tivesse avançado.

Thiago observava tudo.

Sentia.

Mas ainda não sabia como alcançar.

— Emma… — chamou, dessa vez mais firme, mas ainda com cuidado.

Ela virou o rosto lentamente.

Os olhos não estavam vermelhos.

Não havia lágrimas.

Mas havia algo ali.

Algo quebrado.

— Eu sobrevivi ao câncer… — ela disse, com a voz baixa, quase distante.

Thiago ficou imóvel.

— Mas não sei se consigo sobreviver a isso.

O silêncio que veio depois foi mais pesado do que qualquer choro.

Porque aquela dor não era física.

Não era visível.

Mas era profunda o suficiente para tirar o chão.

Thiago se aproximou.

Sem pedir.

Sem pensar.

Sentou mais perto.

E segurou a mão dela, forte.

Como sempre fazia.

— A gente vai passar por isso juntos — disse, com a voz firme, mesmo sem ter certeza de como.

Emma não respondeu.

Mas também não afastou a mão.

E, naquele momento… aquilo já era alguma coisa.

A noite chegou sem que eles percebessem.

As luzes da casa foram acesas automaticamente, preenchendo o ambiente com uma claridade suave que não conseguia afastar o peso que ainda estava ali.

Emma levantou mais uma vez, sem dizer nada.

E caminhou pelo corredor.

Thiago observou.

Dessa vez, ela não foi para o quarto deles.

Parou diante de outra porta.

Uma que ainda estava fechada desde que se mudaram.

Uma que, até então, era apenas um espaço vazio.

Mas que, em algum momento… tinha ganhado significado.

Emma abriu a porta devagar.

O quarto estava vazio.

Sem móveis.

Sem cor.

Sem vida.

Mas, na mente dela… não estava.

Ela entrou.

Deu alguns passos e parou no centro.

Os olhos percorreram o espaço.

Como se já conseguisse ver tudo ali.

Um berço.

Uma poltrona.

Um móbile girando devagar.

Roupinhas dobradas.

Pequenos detalhes.

Pequenos sonhos.

Ela fechou os olhos por um segundo.

Respirou fundo, mas não chorou.

Não dessa vez.

Porque, às vezes, a dor mais profunda não faz barulho.

E, parada ali, naquele quarto vazio…

Emma entendeu que aquela perda não era só de algo que ela não tinha mais.

Era de algo que ela já tinha começado a imaginar.

E isso… doía de um jeito diferente.

Mais silencioso.

Mais profundo.

Mais difícil de explicar.

E, pela primeira vez desde o diagnóstico…

Emma não sabia qual seria o próximo passo.

E isso…

assustava mais do que tudo.

Os dias seguintes não foram iguais.

A rotina voltou, pelo menos por fora. As manhãs começaram no mesmo horário, o café era preparado, a casa seguia organizada, as tarefas continuavam sendo feitas. Tudo parecia normal para quem olhasse de longe. Mas, dentro daquele espaço, algo tinha mudado de forma silenciosa e definitiva.

Emma estava presente.

Mas distante.

Ela conversava quando necessário, respondia quando chamada, mas evitava prolongar qualquer interação. O sorriso, que antes vinha fácil, agora aparecia apenas por educação. Não havia mais leveza nos gestos, nem espontaneidade nas palavras.

E, principalmente… ela evitava Thiago.

Não de forma explícita, não com rejeição direta, mas em pequenos detalhes que, juntos, diziam tudo. Ela desviava quando ele se aproximava demais, ocupava o outro lado do sofá, levantava antes que ele puxasse conversa. À noite, se deitava mais cedo ou fingia já estar dormindo.

O toque tinha desaparecido e Thiago sentia.

Sentia em cada ausência, em cada espaço que antes não existia entre eles. Ele tentava respeitar, entender, dar tempo, mas, aos poucos, aquilo começou a doer de uma forma que ele não estava preparado.

Porque não era briga.

Não era discussão.

Era distância.

E distância, às vezes, machuca mais.

Naquela noite, Emma estava na cozinha, mexendo distraidamente em um copo de água que já tinha perdido o sentido há alguns minutos. Ela não estava com sede, nem com vontade de beber. Apenas precisava ocupar as mãos com alguma coisa.

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