Nos dias que se passaram, quem agora fugia era Thiago.
Não de forma declarada, não com palavras ou atitudes bruscas, mas em pequenas ausências que, juntas, diziam muito. Ele saía cedo, antes mesmo de Emma acordar completamente, e voltava tarde, quando a casa já estava silenciosa demais para conversas longas. Ainda assim, não deixava de se preocupar. Mandava mensagens ao longo do dia, avisava onde estava, compartilhava localização, perguntava se ela havia comido, se estava bem. Mas algo tinha mudado.
As mensagens eram curtas.
Diretas.
Sem aquele calor que sempre existiu entre eles.
E Emma percebia.
Percebia em cada palavra que faltava, em cada silêncio entre uma resposta e outra, em cada cuidado que parecia mais obrigação do que presença. E, mesmo entendendo, aquilo doía de um jeito diferente, mais silencioso, mais difícil de confrontar.
Naquela tarde, a casa estava quieta como vinha sendo nos últimos dias. Emma estava sentada no sofá, com um livro aberto no colo, mas sem realmente ler. Os olhos passavam pelas páginas, mas a mente estava longe, presa em pensamentos que ela evitava encarar por completo.
Foi o som da porta que a tirou daquele estado.
Ela franziu levemente a testa, surpresa.
Thiago não chegaria àquela hora.
Mas não era ele.
Nathalia entrou, equilibrando uma bolsa grande no ombro enquanto tentava controlar, ao mesmo tempo, quatro crianças pequenas que pareciam ter energia infinita. Duas estavam no carrinho, uma no colo e outra andando — ou melhor, tentando correr — pela sala assim que a porta se abriu.
— Eu juro que tentei organizar antes de sair — disse Nathalia, rindo, já ofegante. — Mas eles simplesmente decidiram que hoje era dia de caos.
Emma se levantou automaticamente, quase no instinto, observando a cena.
Era… vida.
Bagunçada.
Barulhenta.
Real.
— Nathalia… você veio sozinha com todos eles?
— Vim — respondeu, ajeitando um dos pequenos no colo. — E sobrevivi. Já é uma vitória.
Emma sorriu, pela primeira vez em dias, um sorriso de verdade, ainda que pequeno.
As crianças se espalharam rapidamente pelo espaço, ocupando o silêncio que antes dominava a casa. Um brinquedo caiu no chão, outro começou a bater palmas sem motivo aparente, e, de repente, aquele ambiente vazio ganhou som, movimento, respiração.
Nathalia se sentou no sofá, soltando o ar com força.
— Eu estou exausta — confessou, passando a mão no rosto. — Tem dias que eu não sei se estou fazendo tudo certo… ou absolutamente nada certo.
Emma se aproximou devagar, observando.
— Mas você está — disse, quase sem pensar.
Nathalia soltou um riso leve, sem energia.
— Às vezes eu também acho que estou só sobrevivendo.
Houve um pequeno silêncio.
Não desconfortável.
Mas verdadeiro.
Emma se sentou ao lado dela, os olhos acompanhando uma das crianças que tentava alcançar algo na mesa.
— E mesmo assim… você está aqui — murmurou.
Nathalia virou o rosto para ela, com um olhar mais atento agora.
— Claro que estou.
Emma hesitou por um segundo antes de falar.
— Eu não sei se eu conseguiria.
A frase saiu baixa, mas carregada.
Nathalia não respondeu de imediato. Apenas observou Emma por alguns segundos, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado.
— Emma… ser mãe não começa no ventre.
O silêncio que veio depois foi imediato.
Pesado.
Mas não negativo.
— Começa na coragem — Nathalia completou, com calma.
Emma abaixou os olhos.
Sentiu aquilo.
De verdade.
— Coragem de quê? — perguntou, quase em um sussurro.
Nathalia inclinou levemente o corpo para frente, apoiando os braços nas pernas.
— Coragem de amar alguém antes mesmo de saber como vai ser.
Fez uma pausa.
— Coragem de não ter controle.
— De não saber se vai dar certo… e mesmo assim tentar.
Emma respirou fundo.
Os olhos já marejados.
— E quando dá errado? — perguntou.
Nathalia assentiu devagar.
— A gente continua.
Simples assim.
Mas não fácil.
Emma ficou em silêncio.
As palavras ecoando dentro dela.
Não apagando a dor.
Mas mudando a forma como ela a enxergava.
Uma das crianças veio correndo e se agarrou na perna de Nathalia, pedindo atenção. Ela automaticamente pegou o pequeno no colo, mesmo claramente cansada, e o aconchegou com naturalidade.
Imperfeita.
Cansada.
Mas inteira.
Emma observava aquilo como se estivesse vendo algo novo.
Ou talvez…
como se estivesse lembrando de algo que sempre esteve ali.
— Eu achei que tinha perdido tudo — disse, finalmente.
Nathalia olhou para ela com suavidade.
— Você perdeu um caminho.
Fez uma pausa.
— Não o destino.
O coração de Emma apertou.
Mas dessa vez… não de desespero.
De reconhecimento.
Porque, pela primeira vez desde a clínica…
aquilo não parecia o fim.
Emma levou a mão até o pescoço, quase sem perceber.
Os dedos encontraram o pingente.
A menininha.
Ela segurou com delicadeza.
Respirou fundo.
E fechou os olhos por um segundo.
Como se buscasse algo.
Ou alguém.
Quando abriu novamente, havia algo diferente ali.
Ainda existia dor.
Mas também…
um começo.
E, talvez pela primeira vez desde que tudo desmoronou…
Emma não estava apenas tentando sobreviver à perda.
Ela estava, aos poucos…
aprendendo a reconstruir a partir dela.
A noite já tinha caído completamente quando Emma desceu as escadas.
A casa estava silenciosa, envolta por uma calmaria que contrastava com tudo o que ela vinha sentindo nos últimos dias. As luzes estavam mais baixas, criando um ambiente íntimo, quase como se aquele momento tivesse sido preparado com cuidado — não para impressionar, mas para acolher.
Ela caminhou até a sala e se sentou no sofá.
Esperou.
Não era uma espera ansiosa, nem inquieta como antes. Era uma espera consciente, decidida, como alguém que finalmente sabe o que precisa fazer, mesmo que ainda exista medo.
Emma usava uma lingerie preta delicada, coberta por um hobby de seda no mesmo tom. Não era sobre sedução no sentido superficial. Era sobre se reconectar com quem ela era. Com o próprio corpo. Com a própria feminilidade. Com a vida que ainda existia nela.
Alguns minutos depois, o som da porta se abrindo ecoou pela casa.
Thiago entrou.
Cansado.
Com o peso do dia ainda nos ombros.
Ele deixou as chaves no aparador, como fazia sempre, mas parou ao erguer o olhar.
Emma.
Ali.
Esperando.
O olhar dele mudou na mesma hora.
Não foi apenas surpresa.
Foi impacto.
Confusão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...