Naquela manhã, dentro de uma sala clara e silenciosa, tudo ganhou forma pela primeira vez.
Emma estava deitada na maca, o coração acelerado, enquanto Thiago permanecia ao seu lado, segurando a mão dela com firmeza, como se aquele gesto fosse o único ponto de equilíbrio entre ansiedade e emoção.
A médica sorriu com gentileza.
— Vou colocar o gel, você vai sentir um pouco gelado — avisou, com cuidado.
Emma apenas assentiu, sem conseguir dizer muito. O frio do gel fez seu corpo reagir levemente, mas nada se comparava ao que ela estava sentindo por dentro.
Expectativa, medo e felicidade se misturavam dentro dela.
A médica começou o exame.
A imagem surgiu na tela, ainda confusa, indefinida para olhos que não estavam acostumados. Mas, para Emma… aquilo já era tudo, e ela apertou a mão de Thiago.
— Você está com dois meses, Emma — disse a médica, ajustando o aparelho com delicadeza. — E está tudo correndo muito bem.
O ar pareceu ficar mais leve.
Thiago soltou um pequeno riso, ainda sem acreditar completamente, enquanto Emma mantinha os olhos fixos na tela, tentando entender cada detalhe, como se pudesse memorizar aquele momento para sempre.
A médica continuou o movimento suave com o aparelho e então perguntou:
— Vocês querem ouvir o coração?
Os dois se olharam.
Não foi preciso resposta imediata.
A emoção já estava ali, transbordando antes mesmo do som.
Thiago sorriu primeiro.
— Queremos.
A médica ajustou o volume.
E então… veio.
Rápido, forte, presente.
Um som pequeno, mas poderoso o suficiente para atravessar tudo o que eles já tinham vivido.
Emma levou a mão até a boca, os olhos se enchendo de lágrimas no mesmo instante.
Thiago fechou os olhos por um segundo, absorvendo, sentindo, como se aquele som fosse a prova definitiva de que tudo aquilo era real.
Que existia.
Que estava ali.
Vivo.
Emma deixou uma lágrima escapar, sem tentar conter.
— Meu Deus…
A voz saiu baixa, quase um sussurro.
Thiago levou a mão até o rosto dela, limpando a lágrima com o polegar, mas sem esconder as próprias.
— É o nosso filho… — disse, com a voz embargada.
E, pela primeira vez, aquilo deixou de ser apenas uma notícia.
Virou presença.
Virou vida.
Minutos depois, a médica finalizou o exame e limpou a barriga de Emma com cuidado.
— Vamos conversar um pouco — disse, com um tom mais profissional, mas ainda gentil. — Preciso explicar algumas coisas para vocês.
Eles se sentaram à frente dela, ainda emocionados, mas atentos.
A Dra. Brenda começou a falar sobre os cuidados necessários, vitaminas, suplementação, alimentação e rotina. Explicou cada detalhe com clareza, reforçando a importância do acompanhamento constante, principalmente considerando o histórico de Emma.
Ela ouvia tudo com atenção, absorvendo cada palavra.
Thiago… ia além.
Ele não apenas escutava.
Ele registrava.
Gravava.
Como se cada orientação fosse uma forma de proteger os dois.
— Qualquer sintoma diferente, vocês entram em contato — finalizou a médica. — Vamos acompanhar de perto, mas está tudo caminhando muito bem.
Emma sorriu, dessa vez ela acreditava.
— Obrigada, doutora.
Ao saírem do consultório, a energia já era outra.
Do lado de fora, as meninas esperavam, sentadas, inquietas, trocando olhares ansiosos a cada movimento da porta.
Elas tinham escolhido respeitar aquele momento.
Dar espaço.
Mas a curiosidade, já não cabia mais.
Assim que viram Emma e Thiago, se levantaram quase ao mesmo tempo.
— E aí?! — Sofia foi a primeira a perguntar, já se aproximando.
Emma riu.
Um riso leve, feliz.
Daqueles que não precisam de explicação.
E isso já respondeu tudo.
— Está tudo bem — disse, os olhos brilhando. — Muito bem.
O alívio foi imediato.
Eloise levou a mão ao peito.
— Eu sabia…
Nathalia já sorria, emocionada, enquanto se aproximava.
— Como foi?
Emma respirou fundo.
— A gente ouviu o coração…
O silêncio que veio depois foi carregado de emoção.
— Ai, não… — Sofia levou a mão à boca. — Eu vou chorar.
E chorou.
Todas riram.
Entre lágrimas.
Entre abraços.
Entre felicidade.
Eloise então se aproximou mais, já segurando Emma com cuidado pela cintura.
— Você vai trabalhar, certo? — perguntou, olhando para Thiago. — A gente leva ela pra casa.
Thiago riu, balançando a cabeça.
Se aproximou de Emma, deixando um beijo suave na testa dela.
— Cuida da minha mulher… e do meu bebê.
Emma sorriu, sentindo o coração aquecer mais uma vez.
E, naquele momento, não havia medo, não havia dúvida.
Apenas a certeza de que, depois de tudo, eles estavam exatamente onde deveriam estar.
Os meses começaram a passar de forma quase mágica, como se, depois de tudo, a vida tivesse finalmente decidido ser gentil com eles. Os dias eram vividos com um cuidado que beirava o sagrado, onde cada semana era celebrada em silêncio e cada pequena mudança observada com uma atenção quase reverente. Tudo era sentido. Tudo era guardado. Como se cada instante carregasse um significado maior do que antes.
No terceiro mês, vieram os enjoos.
Fortes. Inesperados. Persistentes.
Emma acordava com o estômago embrulhado, o corpo sensível, e uma lista cada vez maior de alimentos que ela não conseguia nem ouvir falar. O cheiro de café, que antes era rotina, agora a fazia torcer o rosto. Alguns pratos precisaram desaparecer completamente da casa.
Foi no sexto mês que tudo começou a mudar, não de forma brusca, mas o suficiente para fazer o medo voltar. O exame era de rotina, nada fora do planejado, e Emma estava tranquila deitada na maca, acompanhando o exame sem preocupação, enquanto a médica conduzia tudo com a mesma calma de sempre — até que o silêncio veio, diferente, pesado, carregado de algo que não deveria estar ali.
A médica mudou levemente a expressão.
Foi sutil.
Mas Thiago percebeu.
Antes mesmo de qualquer palavra.
— Tem alguma coisa errada? — perguntou, já sentindo o corpo se tensionar.
A médica respirou fundo antes de responder.
— Emma… seu colo do útero está encurtando.
O mundo pareceu desacelerar.
— O que isso significa? — Emma perguntou, a voz mais baixa.
A médica manteve o tom firme.
— Significa que precisamos agir rápido. Seu corpo não está conseguindo sustentar a gravidez sozinho nesse momento.
O silêncio tomou conta da sala.
E, de repente… todo o medo voltou.
Mais forte. Mais real.
Emma fechou os olhos por um segundo, sentindo o coração apertar.
— Eu lutei tanto pra gerar uma vida… — murmurou, a voz falhando. — e agora meu próprio corpo não consegue segurá-la…
Thiago segurou a mão dela com força.
— Ei… olha pra mim.
Ela abriu os olhos.
Ele estava ali — firme, presente.
— A gente vai passar por isso também.
A médica continuou, agora explicando com mais calma.
— Vamos fazer uma cerclagem. É um procedimento simples e rápido. Vamos dar suporte ao colo do útero para manter a gestação segura.
Emma respirou fundo.
Mas o medo ainda estava ali, vivo, pulsando dentro dela.
— Eu não tenho medo de mim… — disse, olhando para Thiago. — tenho medo do meu corpo me trair de novo.
Ele levou a mão ao rosto dela com cuidado.
— Ele não está te traindo… ele só precisa de ajuda. E a gente vai dar.
O olhar deles se encontrou por um segundo a mais.
Sem palavras.
Mas cheio de tudo.
Uma despedida rápida foi o suficiente antes que Emma fosse levada às pressas para a sala de cirurgia.
A sala de espera estava cheia.
Silenciosa.
Tensa.
Todos ali.
Esperando.
Cada minuto parecia longo demais, e dessa vez, ninguém ousava fazer piada.
Ninguém ousava quebrar o silêncio.
Porque todos sabiam, aquilo era sério.
Muito sério.
E tudo o que restava… era esperar, sem qualquer controle sobre o que viria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...