O trajeto até o hospital foi rápido demais… e, ao mesmo tempo, longo o suficiente para que o medo se instalasse de novo.
Dessa vez, diferente.
Silencioso… mais profundo.
Emma estava desacordada nos braços de Thiago quando chegaram. As portas se abriram com pressa, vozes se cruzaram, e, em poucos segundos, enfermeiras já a levavam para dentro, desaparecendo pelo corredor.
— Ela desmaiou — Thiago disse, a voz falhando, tentando acompanhar.
— Senhor, precisamos que aguarde — uma delas respondeu com firmeza.
E então ela sumiu.
E, logo depois, veio o vazio.
A recepção começou a encher em minutos.
Eloise e Augusto chegaram primeiro. Logo depois, Sofia e Thomas. Lais, Heitor, Alana… Nathalia veio quase correndo.
— Onde ela está? Já examinaram ela? — perguntou, assim que viu Thiago e Ricardo.
Thiago passou a mão pelo rosto, tentando se manter firme.
— Vão examinar ainda… — respondeu, forçando um controle que não sentia. — Deve ser o calor… ou cansaço.
Heitor cruzou os braços, tentando aliviar a tensão.
— Ou a demora para almoçar…
Thiago deu um sorriso fraco.
— Talvez…
Mas ninguém acreditou de verdade.
O tempo começou a se arrastar, minutos viraram uma hora. E cada segundo parecia mais pesado que o anterior.
Foi então que a porta se abriu.
— Olá a todos.
A voz fez Thiago levantar imediatamente.
— Dra. Clara? — ele franziu a testa, surpreso. — Por que a senhora está aqui?
Ela se aproximou com calma, um sorriso leve que não entregava tudo.
— Calma… eu sou a médica dela. Pediram para me chamar.
Seus olhos passaram rapidamente pelo grupo antes de voltarem para ele.
— Preciso falar com vocês dois. Venham comigo.
Ela lançou um olhar gentil aos demais.
— O quarto é pequeno. Já volto com notícias, não se preocupem.
Mas como não se preocupar?
—
O caminho até o quarto foi silencioso.
Pesado.
Thiago sentia o coração bater mais rápido a cada passo.
E, quando entrou…
parou.
Emma estava acordada.
Deitada.
Pálida… mas ali.
Viva.
— Oi, meu amor… — ele disse, aproximando-se rápido, segurando a mão dela como se precisasse confirmar que ela estava mesmo ali.
— Oi… — respondeu, ainda um pouco confusa, mas com um sorriso leve.
Foi então que percebeu.
— Dra. Clara? O que aconteceu?
Clara soltou uma pequena risada, suave.
— Eu já estou ficando preocupada… vocês me veem e já acham que é algo ruim.
Emma soltou um suspiro curto, meio nervoso.
— É que normalmente é…
Clara inclinou a cabeça, agora com um brilho diferente no olhar.
— Dessa vez não.
Fez uma pequena pausa.
O suficiente para o coração acelerar.
— Eu trago boas notícias.
Emma riu, sem saber por quê.
— Ai… agora fiquei com medo de verdade.
Thiago apertou a mão dela, atento.
Esperando.
E então veio.
Simples.
Direto.
Mas com o peso de tudo que eles viveram.
— Emma… você está grávida.
O silêncio tomou conta do quarto.
Por um segundo… nenhum dos dois reagiu.
Como se a mente precisasse de tempo para entender o que o coração já tinha sentido.
— O quê? — Emma piscou, confusa. — Não… como?
— Eu não fiz nada… eu não programei isso…
A voz saiu atropelada, perdida entre incredulidade e emoção.
Thiago…
riu.
Não foi uma risada comum.
Foi daquelas que vêm misturadas com alívio, incredulidade e algo maior.
Algo que não cabe em palavras.
Clara se aproximou um pouco mais, com calma.
— Já se passaram mais de dois anos desde a sua cura. Seu corpo se recuperou… e respondeu.
Ela suavizou o tom.
— Mas ainda assim, vamos ter muito cuidado. Será uma gestação acompanhada de perto. Nove meses de atenção, repouso e suporte.
Olhou para os dois.
— Eu estarei com vocês.
Thiago passou a mão no rosto, completamente tomado.
— Muito obrigado, doutora… muito, muito obrigado.
A voz dele quase não saía.
Emma respirou fundo, os olhos já marejados.
— Eu me sinto segura sabendo que vou estar com você.
Mas não conseguiu continuar.
Porque, naquele momento…
a ficha caiu.
Devagar.
Intensa.
Real.
Ela virou o rosto, encontrando o olhar de Thiago.
E então sorriu.
Um sorriso que tremia.
Que carregava tudo.
— Você vai ser pai…
A mão dela subiu até o rosto dele, tocando como se fosse a primeira vez.
— Pai… meu amor… pai de verdade.
A lágrima caiu antes que ela percebesse.
Eloise se aproximou mais devagar, mas o sorriso dela dizia tudo. Augusto, ao lado, observava a cena com um olhar firme, mas emocionado, aquele tipo de orgulho silencioso que não precisava de palavras.
Ricardo…
não disse nada.
Apenas abriu os braços.
Emma foi até ele.
E, quando ele a abraçou, forte, apertado, como se quisesse proteger tudo ao mesmo tempo…
ela desabou.
— Eu consegui, pai… — sussurrou, com a voz quebrando.
Ricardo fechou os olhos por um instante.
— Eu sempre soube, minha filha.
Thiago observava a cena com os olhos marejados, tentando absorver cada segundo, cada reação, cada abraço. Era como se tudo que eles tinham passado estivesse ali, naquele momento, se transformando em algo novo.
Algo bom.
Muito bom.
Nathalia se aproximou logo depois, ainda sorrindo, ainda emocionada, e segurou o rosto de Emma com carinho.
— Eu falei… — disse, com a voz suave. — Você só precisava respirar.
Emma riu entre lágrimas.
— Eu não respirei nada…
As duas riram juntas.
Sofia já estava abraçando Thiago.
— Você vai ser pai! — disse, apertando ele.
Thiago riu, ainda meio sem acreditar.
— Eu vou ser pai…
Como se estivesse dizendo pela primeira vez.
Como se precisasse ouvir aquilo em voz alta.
Heitor bateu no ombro dele.
— Finalmente, hein?
— Demorou, mas veio — Thiago respondeu, com um sorriso aberto.
A recepção, antes silenciosa, agora estava cheia de vozes, risadas, abraços cruzados, emoção transbordando em todos os lados.
E Emma…
olhou ao redor.
Riu.
Levou a mão à boca, tentando conter.
— Gente… silêncio! — disse, ainda rindo. — A gente tá no hospital!
Mas ninguém ouviu.
Ou, melhor…
ninguém quis ouvir.
Porque, depois de tudo…
aquele barulho era merecido.
Era necessário.
Era vida.
Thiago voltou até Emma, envolvendo-a pela cintura com cuidado, aproximando-a de si. Ela encostou a cabeça no peito dele, ainda sorrindo, ainda emocionada.
— A gente conseguiu… — ela murmurou.
Thiago beijou o topo da cabeça dela.
— A gente conseguiu.
E, pela primeira vez em muito tempo…
não havia medo no futuro.
Apenas expectativa.
E um amor que, agora…
crescia em três.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...