Capítulo 1 — O que somos?
Encharcada pela chuva, de joelhos diante do túmulo, Lais falou, a voz embargada pelas lágrimas:
— Agora ele quer o filho…
E talvez… a mim.
Fechou os olhos por um instante.
— Será que consigo perdoar?
Mas, para entender como tudo chegou até aqui…
precisamos voltar um pouco no tempo.
___
Era por volta das dezoito horas quando Lais chegou ao prédio onde Heitor morava.
O coração estava acelerado — não de nervoso, mas de expectativa.
Ele tinha dito que chegaria tarde, depois de uma reunião cansativa.
Mas ela… teve uma ideia.
E, pelo visto, não foi a única.
Cumprimentou o porteiro com um sorriso leve e seguiu direto para o elevador. Subiu sem pensar demais, segurando a própria empolgação, como se fosse possível conter aquilo.
Não era.
Quando abriu a porta da cobertura, ela parou. O mundo pareceu dar uma pequena pausa, como se precisasse de um segundo a mais para que Lais absorvesse a cena à sua frente.
No centro da sala, deitada no sofá com uma confiança quase teatral, estava uma mulher branca, loira, de corpo escultural, vestindo apenas uma lingerie que deixava muito pouco à imaginação. Não era qualquer mulher. Era Karol Trancoso — a famosa colunista de fofocas, conhecida tanto pelo veneno nas palavras quanto pela arrogância estampada no olhar. Por um instante, Lais apenas piscou, como se aquilo fosse um erro de percepção, um detalhe fora do lugar que logo se corrigiria sozinho. Mas não. Aquilo era real.
Lais franziu a testa, confusa.
— Meu Deus… — escapou de seus lábios.
Karol se levantou lentamente, sem pressa, como se estivesse sendo admirada — e, talvez, estivesse acostumada com isso.
Lançou a Lais um olhar carregado de superioridade, daqueles que medem e descartam em segundos.
Frio. Julgador.
— Empregada entra pela porta dos fundos — disse, com um sorriso carregado de desprezo.
O silêncio que se seguiu durou apenas o suficiente para Lais erguer o queixo e percorrer a outra mulher de cima a baixo, sem pressa, sem disfarçar o julgamento. Então, ela riu. Não uma risada nervosa, mas leve, quase divertida, como se tivesse acabado de ouvir algo ridiculamente previsível.
— Foi só um engano — respondeu, inclinando levemente a cabeça. — Heitor faz jus ao apelido de cachorro… gosta de osso, né?
O impacto da frase foi imediato. Karol abriu a boca, pronta para revidar, mas não teve tempo. Lais já havia se virado, como se aquela cena tivesse perdido completamente a importância, e saiu do apartamento sem olhar para trás.
A porta se fechou com um clique seco, e só então o ar pareceu voltar aos pulmões dela.
No curto caminho até o elevador, seus passos eram firmes, mas por dentro tudo estava longe de estar sob controle. Quando apertou o botão, ficou ali parada, encarando as portas fechadas enquanto sua mente corria em círculos.
“Não posso ficar com raiva. Não temos nada. Certo?”
Ela soltou um suspiro pesado, passando a mão pelos cabelos.
— Errado… — murmurou, quase para si mesma.
Fez uma pausa, como se tentasse reorganizar os próprios pensamentos.
— Mas também certo…
Coçou a cabeça, confusa, irritada com a própria contradição, quando finalmente o elevador chegou com um som discreto.
As portas se abriram… e, do outro lado, estava ele.
Heitor.
Gravata frouxa, expressão cansada, a maleta ainda na mão — exatamente como havia descrito mais cedo. A imagem não combinava em nada com a cena que Lais acabara de presenciar no apartamento dele, e foi isso que mais a incomodou. Porque, se ele estava chegando agora… então o que, exatamente, aquela mulher estava fazendo lá?
Ela balançou a cabeça, como se pudesse afastar a confusão com um simples gesto, mas não conseguiu. Heitor, por outro lado, sorriu assim que a viu, um sorriso leve, genuíno, completamente alheio ao caos que se formava dentro dela.
— Lais… que bom ver você.
Ele deu um passo para sair do elevador, mas ela foi mais rápida. O sorriso que surgiu em seus lábios era bonito — mas carregado de um deboche afiado.
— Seu jantar está na mesa… — disse, fazendo uma pequena pausa antes de completar, com ironia: — ou melhor, no sofá.
Antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa, ela entrou no elevador, virou-se e apertou o botão do térreo. As portas começaram a se fechar lentamente, e a última coisa que Lais viu foi a expressão confusa de Heitor, parado ali, sem entender absolutamente nada.
E talvez nem ela mesma soubesse explicar o que eram.
Ou o que estavam prestes a se tornar.
Porque, naquele momento… nada entre eles era simples.
Lais chegou em casa sem dizer uma palavra. A bolsa foi largada no sofá antes mesmo que ela tivesse tempo de pensar, e o corpo simplesmente cedeu em seguida, afundando no estofado como se carregasse um peso maior do que o dia inteiro podia justificar. O silêncio da sala parecia acolhedor demais para alguém com a mente tão barulhenta.
— Oi, Lais… achei que você voltaria mais tarde.
A voz veio da cozinha, suave, familiar. Poucos segundos depois, Laila apareceu, os cabelos cacheados caindo pelos ombros, o olhar curioso e ainda despreocupado com qualquer coisa que pudesse ter acontecido do lado de fora daquela casa.
Lais passou a mão pelo rosto antes de responder.
— Os planos mudaram, Laila.
A irmã arqueou levemente a sobrancelha, como quem percebe que há algo ali, mas decide não insistir — pelo menos não naquele momento.
— Você pode me dar dinheiro? Vou sair com o pessoal da faculdade hoje…
Lais soltou um riso curto, sem humor.
— Toda sexta-feira é isso, Laila.
— Diferente de você, eu quero ter uma vida social — respondeu a mais nova, dando de ombros, como se fosse algo óbvio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...