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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 481

O celular vibrou mais uma vez.

E dessa vez… Lais atendeu.

Levou o aparelho ao ouvido sem pressa, como se não estivesse minimamente afetada — mesmo que o coração batesse mais rápido do que gostaria de admitir.

— Terminou o jantar? — perguntou, com um tom leve demais para ser natural.

Do outro lado, houve um pequeno silêncio.

Como se ele tivesse sido pego desprevenido.

— Lais… — a voz de Heitor veio mais baixa, tensa. — A gente precisa conversar.

Ela soltou um riso curto.

— Conversar sobre o quê? — respondeu, apoiando o corpo contra a cabeceira da cama. — Acho que está bem claro.

— Não está — ele rebateu, rápido demais. — Você entendeu tudo errado.

Lais fechou os olhos por um instante, respirando fundo, mas o sorriso irônico continuou ali.

— Ah, claro… — murmurou. — Sempre tem uma explicação, não é?

— Não é isso — a voz dele saiu mais firme agora. — Eu não fazia ideia de que você ia estar lá. E aquela mulher…

Ele parou por um segundo, como se buscasse as palavras certas.

— Não é o que você está pensando.

O silêncio que veio depois não foi confortável.

— Interessante — Lais respondeu, finalmente abrindo os olhos. — Porque parecia exatamente o que eu estava pensando.

— Lais…

— Não — interrompeu, dessa vez mais direta. — Não tem nada pra gente conversar.

A frase caiu seca entre os dois.

Do outro lado da linha, o ar pareceu mudar.

— Tem, sim — ele respondeu, sem hesitar. — Nós temos.

Ela soltou uma risada leve, mas amarga.

— “Nós”? — repetiu, como se a palavra fosse estranha. — Heitor… a gente não é nada.

O silêncio dessa vez foi diferente.

Mais pesado.

Mais longo.

E quando ele falou de novo, a voz já não era a mesma.

— Somos.

Simples.

Direto.

Sem espaço para dúvida.

— E é exatamente por isso que a gente precisa conversar.

Lais apertou o celular com mais força, o coração traindo o controle que ela tentava manter.

Mas não deixou transparecer.

— Não — respondeu, firme. — A gente não precisa.

Ele ignorou.

— Me passa o endereço da sua casa. Eu vou até você.

Ela riu, balançando a cabeça, mesmo sabendo que ele não podia ver.

— Você continua achando que tudo é do seu jeito, né?

— Lais…

— Amanhã a gente se fala — cortou, antes que ele continuasse. — Agora eu tô cansada. Preciso dormir.

E, sem dar espaço para resposta…

desligou.

O silêncio voltou.

Mas não trouxe alívio.

O celular permaneceu na mão dela por alguns segundos, a tela ainda acesa, como se esperasse algo mais.

Mas não veio.

Lais deixou o aparelho cair ao lado do corpo e encarou o teto, tentando organizar os próprios pensamentos.

Tentando convencer a si mesma de que tinha feito o certo.

Que ele não devia nada a ela, que não existia “eles”.

Mas, no fundo, ela sabia.

Se não existisse nada… não doeria tanto.

Lais acordou cedo, como sempre.

O corpo ainda carregava o cansaço do dia anterior, mas a rotina não esperava. Seguiu direto para o banho, e, como já era de costume, a água fria caiu sobre sua pele, arrancando um suspiro contido.

Pelo menos aquilo ajudava.

A clarear a mente.

Ou a fingir que estava tudo sob controle.

Se arrumou em silêncio e saiu para o trabalho sem pensar demais.

Ou tentando não pensar.

O dia passou rápido.

Cheio.

Reuniões, relatórios, ligações, decisões.

E, entre uma tarefa e outra… o celular vibrava.

De novo.

E de novo.

"Heitor gato"

Aparecia na tela.

Ela ignorou todas.

Ou tentou.

Porque, mesmo sem atender, sabia exatamente qual seria o assunto.

E isso, por si só, já era suficiente para tirar sua concentração.

No horário de almoço, enquanto organizava alguns documentos na mesa, uma presença interrompeu seu foco.

Ela não precisou levantar o olhar imediatamente para saber quem era.

Mas, quando levantou…

ele estava ali.

Parado.

Imponente.

Como se nunca tivesse ido embora.

— Podemos conversar, Lais… — a voz veio firme, mas controlada. — Ou vai continuar me evitando?

Ela respirou fundo antes de responder, fechando a pasta com calma, como se precisasse ganhar alguns segundos.

— Já falei… não temos o que conversar.

Heitor soltou um pequeno suspiro, passando a mão pelo cabelo.

— Para você pode parecer isso… mas você sabe que temos, sim.

Ela ergueu o olhar, agora mais direto.

— Não, Heitor. Eu não—

— Precisamos decidir algumas coisas — interrompeu, sem elevar o tom, mas firme o suficiente para cortar qualquer resistência. — E eu tenho uma proposta pra você. Talvez duas.

Aquilo a fez parar.

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