O celular vibrou mais uma vez.
E dessa vez… Lais atendeu.
Levou o aparelho ao ouvido sem pressa, como se não estivesse minimamente afetada — mesmo que o coração batesse mais rápido do que gostaria de admitir.
— Terminou o jantar? — perguntou, com um tom leve demais para ser natural.
Do outro lado, houve um pequeno silêncio.
Como se ele tivesse sido pego desprevenido.
— Lais… — a voz de Heitor veio mais baixa, tensa. — A gente precisa conversar.
Ela soltou um riso curto.
— Conversar sobre o quê? — respondeu, apoiando o corpo contra a cabeceira da cama. — Acho que está bem claro.
— Não está — ele rebateu, rápido demais. — Você entendeu tudo errado.
Lais fechou os olhos por um instante, respirando fundo, mas o sorriso irônico continuou ali.
— Ah, claro… — murmurou. — Sempre tem uma explicação, não é?
— Não é isso — a voz dele saiu mais firme agora. — Eu não fazia ideia de que você ia estar lá. E aquela mulher…
Ele parou por um segundo, como se buscasse as palavras certas.
— Não é o que você está pensando.
O silêncio que veio depois não foi confortável.
— Interessante — Lais respondeu, finalmente abrindo os olhos. — Porque parecia exatamente o que eu estava pensando.
— Lais…
— Não — interrompeu, dessa vez mais direta. — Não tem nada pra gente conversar.
A frase caiu seca entre os dois.
Do outro lado da linha, o ar pareceu mudar.
— Tem, sim — ele respondeu, sem hesitar. — Nós temos.
Ela soltou uma risada leve, mas amarga.
— “Nós”? — repetiu, como se a palavra fosse estranha. — Heitor… a gente não é nada.
O silêncio dessa vez foi diferente.
Mais pesado.
Mais longo.
E quando ele falou de novo, a voz já não era a mesma.
— Somos.
Simples.
Direto.
Sem espaço para dúvida.
— E é exatamente por isso que a gente precisa conversar.
Lais apertou o celular com mais força, o coração traindo o controle que ela tentava manter.
Mas não deixou transparecer.
— Não — respondeu, firme. — A gente não precisa.
Ele ignorou.
— Me passa o endereço da sua casa. Eu vou até você.
Ela riu, balançando a cabeça, mesmo sabendo que ele não podia ver.
— Você continua achando que tudo é do seu jeito, né?
— Lais…
— Amanhã a gente se fala — cortou, antes que ele continuasse. — Agora eu tô cansada. Preciso dormir.
E, sem dar espaço para resposta…
desligou.
O silêncio voltou.
Mas não trouxe alívio.
O celular permaneceu na mão dela por alguns segundos, a tela ainda acesa, como se esperasse algo mais.
Mas não veio.
Lais deixou o aparelho cair ao lado do corpo e encarou o teto, tentando organizar os próprios pensamentos.
Tentando convencer a si mesma de que tinha feito o certo.
Que ele não devia nada a ela, que não existia “eles”.
Mas, no fundo, ela sabia.
Se não existisse nada… não doeria tanto.
Lais acordou cedo, como sempre.
O corpo ainda carregava o cansaço do dia anterior, mas a rotina não esperava. Seguiu direto para o banho, e, como já era de costume, a água fria caiu sobre sua pele, arrancando um suspiro contido.
Pelo menos aquilo ajudava.
A clarear a mente.
Ou a fingir que estava tudo sob controle.
Se arrumou em silêncio e saiu para o trabalho sem pensar demais.
Ou tentando não pensar.
O dia passou rápido.
Cheio.
Reuniões, relatórios, ligações, decisões.
E, entre uma tarefa e outra… o celular vibrava.
De novo.
E de novo.
"Heitor gato"
Aparecia na tela.
Ela ignorou todas.
Ou tentou.
Porque, mesmo sem atender, sabia exatamente qual seria o assunto.
E isso, por si só, já era suficiente para tirar sua concentração.
No horário de almoço, enquanto organizava alguns documentos na mesa, uma presença interrompeu seu foco.
Ela não precisou levantar o olhar imediatamente para saber quem era.
Mas, quando levantou…
ele estava ali.
Parado.
Imponente.
Como se nunca tivesse ido embora.
— Podemos conversar, Lais… — a voz veio firme, mas controlada. — Ou vai continuar me evitando?
Ela respirou fundo antes de responder, fechando a pasta com calma, como se precisasse ganhar alguns segundos.
— Já falei… não temos o que conversar.
Heitor soltou um pequeno suspiro, passando a mão pelo cabelo.
— Para você pode parecer isso… mas você sabe que temos, sim.
Ela ergueu o olhar, agora mais direto.
— Não, Heitor. Eu não—
— Precisamos decidir algumas coisas — interrompeu, sem elevar o tom, mas firme o suficiente para cortar qualquer resistência. — E eu tenho uma proposta pra você. Talvez duas.
Aquilo a fez parar.
Mais fácil do que explicar sua realidade.
Principalmente para Heitor.
— Não… você não vai com isso, meu bem — Nathalia disse assim que viu o vestido.
Lais suspirou, já prevendo aquela reação.
— Nathalia, é o único que eu tenho aqui. Não dá tempo de ir em casa, não chego antes das vinte.
Nathalia cruzou os braços por um segundo… e então sorriu.
— A gente dá um jeito.
Sem esperar resposta, foi até o guarda-roupa e começou a puxar algumas opções, jogando sobre a cama.
— Esse aqui é perfeito — disse, segurando um vestido vermelho, justo, de alças finas, com comprimento midi e uma fenda discreta atrás. — Em mim ele fica mais soltinho… mas em você?
Olhou de cima a baixo.
— Vai ficar um absurdo nesses quadris e nesse bundão.
Lais arregalou os olhos, meio sem graça.
— Será? Achei meio…
— Vai vestir logo, menina — Nathalia interrompeu, empurrando o vestido nas mãos dela.
Minutos depois, Lais saiu do quarto.
E parou.
O tecido se ajustava perfeitamente ao corpo, desenhando cada curva com elegância. O decote marcava o suficiente para ser sensual, mas sem exagero.
Era… perigoso.
Nathalia levou a mão ao peito, dramática.
— Se eu já fiquei sem ar… imagina aquele cachorro.
Lais riu, balançando a cabeça.
Mas não negou.
O celular vibrou.
Na tela:
Heitor.
→ Me passa seu endereço.
Ela digitou rápido.
→ Tô na casa da Nathalia. Pode vir aqui.
A resposta veio logo:
→ Dez minutos. Tô chegando.
Lais mordeu o lábio, sentindo um leve frio na barriga.
Nathalia percebeu na hora.
— Amiga… você gosta dele, eu sei. Mas deixa ele se humilhar um pouquinho.
Lais riu.
— Nathalia e seus conselhos.
— Tô falando sério — continuou Nathalia, agora mais firme. — Não é se fazer de difícil. É mostrar seu valor. Deixa ele falar. Se explicar. Peça a tempo para pensar.
Lais assentiu, pegando a bolsa.
— Entendido, chefe.
Nathalia riu.
— Besta. Agora vai… e bom jantar.
Minutos depois, Lais já estava dentro do elevador, descendo.
O coração voltou a acelerar.
Mas, dessa vez… não era raiva.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...