Lais parou em frente à mesa da secretária de Heitor, segurando a pasta com mais força do que o necessário.
— Pode entregar esses documentos ao Heitor, por favor?
A funcionária soltou um riso nervoso.
— Desculpa… mas não.
Lais franziu a testa.
— Como assim?
A outra mulher se inclinou levemente, falando mais baixo:
— Ele tá uma fera hoje. Cuspiu o café que eu levei dizendo que estava doce… e nem açúcar tinha.
Lais ficou em silêncio por um segundo.
Confusa.
— O que aconteceu?
— Não faço ideia — respondeu a secretária. — Só sei que ele parece que incorporou o próprio demônio.
Lais respirou fundo.
Algo estava errado.
Muito errado.
Sem dizer mais nada, virou-se e caminhou até a sala dele.
Bateu duas vezes.
E abriu.
— Oi… — disse, entrando. — Vim trazer esses documentos.
Heitor levantou o olhar.
E, naquele instante…
Lais sentiu.
Frio.
Distante.
Desprezo.
Ela engoliu seco.
— Que bom que veio — disse ele, a voz controlada demais. — Eu queria deixar algumas coisas bem claras com você.
O coração dela apertou.
Ela entrou completamente na sala, fechando a porta atrás de si.
Colocou a pasta sobre a mesa.
— O que foi?
Heitor não desviou o olhar.
— Eu já sei de tudo, Lais.
O chão pareceu ceder sob os pés dela.
— Sabe…?
A voz saiu mais fraca do que deveria.
Ele se levantou devagar.
— Você é uma excelente funcionária. Nisso, eu não me enganei.
Deu a volta na mesa.
Se aproximando.
— Mas, a partir de agora… nossa relação vai ser estritamente profissional.
Cada palavra era fria.
Calculada.
— Vou pedir para transferirem sua sala para o quarto andar.
Lais piscou.
Confusa.
Sem entender.
— Heitor… do que você está falando?
Ele virou o rosto, como se aquilo fosse cansativo.
— Não precisa fingir.
Ela deu um passo à frente.
— Eu não estou fingindo. Eu realmente não estou entendendo nada.
Ele riu.
Sem humor.
— Eu ouvi, Lais.
O silêncio caiu.
Pesado.
Ele se aproximou mais.
Próximo demais.
— Ouvi você dizendo que está grávida.
O coração dela disparou.
— Heitor, eu—
— E já sei — cortou ele, a voz mais dura — que o filho não é meu.
Aquilo veio como um golpe.
Seco.
Violento.
— Você achou mesmo que eu cairia num golpe desses?
O mundo parou.
Por um segundo.
E então—
A mão dela se ergueu.
E o som do tapa ecoou pela sala.
Alto.
Cortando o ar.
Os olhos dela estavam cheios de lágrimas.
Raiva.
Dor.
Incredulidade.
— Você é nojento — disse, a voz tremendo. — E isso só prova que você nunca me conheceu de verdade.
Heitor passou a língua pelo canto da boca, sentindo o impacto.
Mas não recuou.
— Não mesmo — respondeu, frio. — Me enganei feio com você.
Os olhos dela brilharam ainda mais.
— Igualmente.
Ele abriu a boca para falar.
Mas ela não deixou.
— Eu estou me demitindo.
O silêncio que veio depois foi diferente.
Mais pesado.
Mais real.
E, por um instante…
algo nele vacilou.
— Você não pode — disse ele, rápido demais. — Você é boa no que faz. E agora… grávida… vai precisar desse emprego.
Lais soltou uma risada amarga.
— Nossa… quanta empatia.
Ele passou a mão pelo rosto, impaciente.
— Lais, pensa com clareza. A gente segue com o meu plano. Você muda de andar, a gente não se cruza… todo mundo sai ganhando.
Ela o encarou.
Com nojo.
— Eu tenho dignidade, Heitor Reis.
Cada palavra veio firme.
— E sei muito bem me virar. Não preciso da sua empresa. Nem de você.
Ela se virou.
Foi até a porta.
E antes de sair—
— Você ainda vai se arrepender.
Fez uma pausa.
Sem olhar para trás.
— E, quando isso acontecer… lembre que palavras não voltam.
— Você está sendo orgulhosa — ele rebateu.
Ela abriu a porta.
— Pensa o que quiser.
E saiu.
As lágrimas vieram fortes.
Sem controle.
Ela passou pela própria sala sem parar.
Pegou apenas o essencial.
E saiu.
Rápido demais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...