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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 494

Lais parou em frente à mesa da secretária de Heitor, segurando a pasta com mais força do que o necessário.

— Pode entregar esses documentos ao Heitor, por favor?

A funcionária soltou um riso nervoso.

— Desculpa… mas não.

Lais franziu a testa.

— Como assim?

A outra mulher se inclinou levemente, falando mais baixo:

— Ele tá uma fera hoje. Cuspiu o café que eu levei dizendo que estava doce… e nem açúcar tinha.

Lais ficou em silêncio por um segundo.

Confusa.

— O que aconteceu?

— Não faço ideia — respondeu a secretária. — Só sei que ele parece que incorporou o próprio demônio.

Lais respirou fundo.

Algo estava errado.

Muito errado.

Sem dizer mais nada, virou-se e caminhou até a sala dele.

Bateu duas vezes.

E abriu.

— Oi… — disse, entrando. — Vim trazer esses documentos.

Heitor levantou o olhar.

E, naquele instante…

Lais sentiu.

Frio.

Distante.

Desprezo.

Ela engoliu seco.

— Que bom que veio — disse ele, a voz controlada demais. — Eu queria deixar algumas coisas bem claras com você.

O coração dela apertou.

Ela entrou completamente na sala, fechando a porta atrás de si.

Colocou a pasta sobre a mesa.

— O que foi?

Heitor não desviou o olhar.

— Eu já sei de tudo, Lais.

O chão pareceu ceder sob os pés dela.

— Sabe…?

A voz saiu mais fraca do que deveria.

Ele se levantou devagar.

— Você é uma excelente funcionária. Nisso, eu não me enganei.

Deu a volta na mesa.

Se aproximando.

— Mas, a partir de agora… nossa relação vai ser estritamente profissional.

Cada palavra era fria.

Calculada.

— Vou pedir para transferirem sua sala para o quarto andar.

Lais piscou.

Confusa.

Sem entender.

— Heitor… do que você está falando?

Ele virou o rosto, como se aquilo fosse cansativo.

— Não precisa fingir.

Ela deu um passo à frente.

— Eu não estou fingindo. Eu realmente não estou entendendo nada.

Ele riu.

Sem humor.

— Eu ouvi, Lais.

O silêncio caiu.

Pesado.

Ele se aproximou mais.

Próximo demais.

— Ouvi você dizendo que está grávida.

O coração dela disparou.

— Heitor, eu—

— E já sei — cortou ele, a voz mais dura — que o filho não é meu.

Aquilo veio como um golpe.

Seco.

Violento.

— Você achou mesmo que eu cairia num golpe desses?

O mundo parou.

Por um segundo.

E então—

A mão dela se ergueu.

E o som do tapa ecoou pela sala.

Alto.

Cortando o ar.

Os olhos dela estavam cheios de lágrimas.

Raiva.

Dor.

Incredulidade.

— Você é nojento — disse, a voz tremendo. — E isso só prova que você nunca me conheceu de verdade.

Heitor passou a língua pelo canto da boca, sentindo o impacto.

Mas não recuou.

— Não mesmo — respondeu, frio. — Me enganei feio com você.

Os olhos dela brilharam ainda mais.

— Igualmente.

Ele abriu a boca para falar.

Mas ela não deixou.

— Eu estou me demitindo.

O silêncio que veio depois foi diferente.

Mais pesado.

Mais real.

E, por um instante…

algo nele vacilou.

— Você não pode — disse ele, rápido demais. — Você é boa no que faz. E agora… grávida… vai precisar desse emprego.

Lais soltou uma risada amarga.

— Nossa… quanta empatia.

Ele passou a mão pelo rosto, impaciente.

— Lais, pensa com clareza. A gente segue com o meu plano. Você muda de andar, a gente não se cruza… todo mundo sai ganhando.

Ela o encarou.

Com nojo.

— Eu tenho dignidade, Heitor Reis.

Cada palavra veio firme.

— E sei muito bem me virar. Não preciso da sua empresa. Nem de você.

Ela se virou.

Foi até a porta.

E antes de sair—

— Você ainda vai se arrepender.

Fez uma pausa.

Sem olhar para trás.

— E, quando isso acontecer… lembre que palavras não voltam.

— Você está sendo orgulhosa — ele rebateu.

Ela abriu a porta.

— Pensa o que quiser.

E saiu.

As lágrimas vieram fortes.

Sem controle.

Ela passou pela própria sala sem parar.

Pegou apenas o essencial.

E saiu.

Rápido demais.

— Mas—

— Vem — repetiu, abrindo a porta.

E, dessa vez, ele foi.

Ainda olhando para trás.

Ainda tentando entender.

A porta se fechou.

E o silêncio voltou.

Alguns minutos depois…

Laila entrou no quarto com cuidado.

Fechou a porta atrás de si.

Lais estava sentada na cama.

Encolhida.

Os olhos perdidos.

— Eu mandei ele embora — disse, se aproximando devagar. — Agora você pode me contar o que aconteceu?

Silêncio.

Lais engoliu seco.

As lágrimas voltaram.

— Eu… — tentou.

Mas a voz falhou.

Ela balançou a cabeça.

— Eu não quero falar disso agora…

Fraco.

Cansado.

Quebrado.

Laila ficou em silêncio por um segundo.

Observando.

Respeitando.

E então suspirou leve.

— Tudo bem.

Simples assim.

Sem pressão.

Sem cobrança.

Ela se aproximou mais um pouco, tocando de leve o braço da irmã.

— Quando quiser falar… eu tô aqui.

Lais fechou os olhos por um instante.

Porque aquilo…

aquilo doía mais do que qualquer briga.

Mais do que qualquer palavra.

— Vou fazer alguma coisa pra você comer — continuou Laila, levantando. — E a gente precisa alimentar meu sobrinho também.

A frase saiu leve.

Quase brincando.

Mas carregava carinho.

Cuidado.

Amor.

Ela se inclinou e deu um beijo na testa de Lais.

E saiu.

Fechando a porta devagar.

O quarto ficou em silêncio.

Mas, dessa vez…

era diferente.

Lais levou a mão até a barriga.

Devagar.

Como se ainda estivesse aprendendo.

Como se ainda estivesse entendendo.

— A gente vai ficar bem… — sussurrou, a voz baixa, falhando no meio.

Uma lágrima escorreu.

Sozinha.

Ela não estava chorando só por ele…

E isso era o que mais assustava.

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