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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 493

Lais saiu da clínica sem lembrar exatamente como.

Os passos automáticos.

A bolsa escorregando levemente pelo ombro.

O mundo ao redor seguia normal — pessoas andando, carros passando, conversas acontecendo — mas, para ela… tudo parecia distante.

Abafado.

Como se estivesse dentro de uma bolha.

Grávida.

A palavra ecoava.

Repetia.

Insistia.

E, ainda assim… não encaixava.

— Não… — murmurou, quase sem voz, balançando levemente a cabeça.

Como se negar fosse suficiente.

Como se isso pudesse mudar alguma coisa.

Respirou fundo, tentando se recompor.

Precisava pensar.

Precisava organizar.

Mas não conseguia.

Porque toda vez que tentava, vinha ele.

Heitor.

O rosto.

O sorriso.

As mãos.

E, junto disso…o caos.

Os dias seguintes passaram em um ritmo estranho.

Lento demais.

Rápido demais.

Lais tentou manter a rotina.

Trabalho.

Reuniões.

Relatórios.

Conversas.

Mas nada parecia realmente entrar.

Nada fixava.

Era como se ela estivesse ali, mas não estivesse.

E o corpo começou a dar sinais.

Pequenos.

Sutis.

Mas presentes.

O café que antes ela amava… agora parecia forte demais.

O cheiro incomodava.

O estômago revirava sem aviso.

Cansaço.

Um peso estranho no corpo.

E aquela sensação constante de que algo estava diferente.

Muito diferente.

Ela ignorava.

Fingia não perceber.

Não queria dar nome.

Porque, no momento em que desse…

aquilo se tornaria real demais.

Naquela manhã, Lais entrou no prédio da empresa tentando focar.

Respiração controlada.

Postura firme.

Como se estivesse tudo sob controle.

Como sempre.

Caminhou até o elevador, apertando o botão com mais força do que o necessário.

Esperou.

As portas se abriram.

Ela entrou.

E, por um segundo…

ficou aliviada por estar vazio.

Apertou o andar.

As portas começaram a fechar.

E então—

um movimento rápido.

Uma mão segurando.

O elevador travou.

E reabriu.

O mundo dela também.

Heitor.

O olhar dos dois se encontrou no mesmo instante.

O pequeno susto veio automático.

Silencioso.

Mas intenso.

Como um choque.

Ele entrou, tranquilo demais para quem acabava de invadir completamente o espaço dela.

— Bom dia… — disse, com um leve sorriso.

Normal.

Como se nada estivesse fora do lugar.

Lais piscou uma vez, tentando se recompor.

— Bom dia…

A voz saiu mais baixa do que o normal.

Mais contida.

Ele percebeu.

Claro que percebeu.

O elevador voltou a subir.

Silencioso.

Fechado demais.

Próximo demais.

Heitor encostou levemente na lateral, cruzando os braços, observando-a sem disfarçar.

Com atenção.

Com interesse.

E com algo a mais.

Expectativa.

— Você sumiu — comentou, casual.

Mas não era só isso.

Lais desviou o olhar, fingindo ajustar a bolsa.

— Trabalho…

Resposta simples.

Curta.

Segura.

Ou pelo menos… parecia.

Ele deu um pequeno passo à frente.

Diminuindo ainda mais o espaço.

— Só trabalho?

O coração dela acelerou.

Errado.

Forte demais.

Ela respirou fundo.

— Sim.

Mentira.

E os dois sabiam.

O silêncio que veio depois foi diferente.

Pesado.

Carregado de coisas não ditas.

Ele passou a mão pelo queixo, analisando.

— Bateu saudade, eu ia te ligar ontem…

Fez uma pausa.

— Mas achei melhor esperar.

Lais levantou o olhar.

Por um segundo.

Só um.

E foi o suficiente.

Porque ela viu.

Algo diferente nele.

Mais sério.

Mais decidido.

E aquilo…

A mandíbula dele travou.

“Chegar nele?”

— Não é só isso… — a voz dela baixou ainda mais. — Ele tem dinheiro. Muito dinheiro.

O sangue subiu.

Na hora.

— Exatamente por isso eu tenho que fazer tudo certo — completou.

Aquilo bateu errado.

Pesado.

Como um soco sem aviso.

— Não… eu não vou falar agora — disse ela, mais firme. — Eu preciso ver como isso vai me afetar primeiro.

Cada palavra… era um golpe.

— Não, eu não posso arriscar minha vida por impulso — continuou. — Eu levei tempo pra chegar onde tô.

Heitor deu um passo para trás.

Devagar.

Como se tivesse levado um soco.

Mas não foi só isso.

Foi pior.

Porque, na cabeça dele, tudo já estava claro.

Claro demais.

Outro homem.

Um problema.

E ela, tentando resolver da melhor forma possível.

Para ela.

Não para ele.

Nunca para ele.

Ele riu baixo.

Sem humor.

Sem acreditar.

— Claro… — sussurrou para si mesmo.

Os olhos escureceram.

Frio.

Fechado.

Machucado.

Raiva.

Orgulho.

Tudo misturado.

Ele virou.

E saiu.

Sem fazer barulho.

Sem dar chance.

Sem ouvir o resto.

Dentro da sala, Lais permaneceu imóvel por alguns segundos.

A respiração irregular.

— Tá bom, Laila… — disse, tentando recuperar o controle. — Depois a gente fala. Até mais tarde.

Desligou.

O silêncio tomou conta da sala.

Mas algo… estava estranho.

Ela franziu a testa.

Virou lentamente o rosto.

Olhou para a porta.

Entreaberta.

O coração apertou.

Deu alguns passos até lá.

Abriu um pouco mais.

O corredor estava vazio.

Mas a sensação permaneceu.

Alguém esteve ali.

E, naquele instante…

um arrepio percorreu seu corpo.

Porque, sem saber por quê…

ela sentiu.

Que alguma coisa…

tinha saído do controle.

E ela ainda não fazia ideia do quanto.

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