Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 495

O clube estava cheio naquela noite. As luzes baixas criavam um ambiente quase íntimo, contrastando com o som constante de conversas, risadas e música ao fundo. Era um lugar feito para distração, para encontros, para esquecer problemas. Mas, na mesa isolada no fundo do salão, nada daquilo parecia funcionar. Heitor estava sozinho.

O copo de whisky em sua mão já não era o primeiro — nem o segundo. Talvez nem o quinto. Ele girava o líquido lentamente, observando o movimento como se pudesse encontrar alguma resposta ali dentro. Mas não havia resposta. Só reflexo. E, inevitavelmente, o que ele via era ela. Sempre ela.

Lais.

O nome parecia ecoar dentro da cabeça dele, incômodo, insistente. A lembrança do rosto, da voz, do toque… tudo vinha junto, misturado com algo que agora queimava. Raiva. Uma raiva que crescia a cada segundo, alimentada pelo que ele acreditava ser verdade.

— Merda… — murmurou, levando o copo à boca e deixando o álcool descer queimando pela garganta.

— Olá, gato… aceita companhia?

A voz feminina surgiu suave, insinuante, quase ensaiada. Heitor nem precisou olhar com atenção. Já conhecia aquele tipo de abordagem. Já conhecia o jogo. E, naquele momento, aquilo só piorava tudo.

Ele soltou uma risada curta, sem humor algum.

— Vocês são todas iguais.

A mulher franziu a testa, claramente sem entender a reação.

— Desculpa?

Ele ergueu o olhar lentamente, os olhos escuros, carregados de algo que não era apenas álcool.

— Mentirosas.

A mulher deu um passo para trás, desconfortável.

— Olha, eu só—

— Golpistas — ele continuou, interrompendo, tomando mais um gole.

A voz dele já não tinha filtro.

— Oferecidas.

O clima mudou instantaneamente. O desconforto se instalou ao redor. A mulher recuou, cruzando os braços, agora mais irritada do que interessada.

— Você tá bêbado.

— Some.

Ela não insistiu. Virou-se e saiu. Mas Heitor não conseguiu parar.

— Mentirosa! — gritou, a voz ecoando mais alto do que deveria pelo salão.

Algumas pessoas olharam. Outras fingiram não perceber.

— Golpista! — continuou. — Tudo igual!

O controle já tinha ido embora fazia tempo.

— Heitor?

A voz firme cortou o momento.

Thomas.

Ele vinha de outra mesa, expressão séria, já entendendo o suficiente para saber que aquilo não era normal. Parou ao lado dele, avaliando a situação antes mesmo de falar novamente.

— O que aconteceu?

Heitor levantou o olhar devagar. Por um segundo, um sorriso surgiu — torto, deslocado, quase fora de lugar.

— Thomas… amigão…

Mas o sorriso não chegou aos olhos.

Thomas puxou a cadeira e se sentou de frente para ele, direto como sempre.

— Você tá bêbado. Tá na hora de ir pra casa.

— Não — respondeu Heitor imediatamente, sem hesitar. — Não vou pra casa.

Thomas suspirou, já esperando resistência.

— Então me explica.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Heitor passou a mão pelo rosto, como se tentasse organizar os próprios pensamentos, mas nada parecia fazer sentido o suficiente para ser dito com clareza.

— Ela mentiu pra mim — disse, finalmente, a voz mais baixa, mas carregada de tudo que ele estava tentando conter. — Uma grande mentirosa.

Thomas franziu a testa.

— Quem?

Heitor soltou uma risada amarga, balançando levemente a cabeça.

— A única que eu achei que valia a pena.

Ele apertou o copo com mais força.

— E agora? — continuou, olhando para o nada. — Eu faço o quê sabendo que… eu quase caí em um golpe?

Thomas ficou em silêncio por um instante, analisando cada palavra.

— Heitor—

— Não — interrompeu ele, mais duro, mais defensivo. — Não vem defender.

A voz subiu novamente.

— Eu ouvi.

Aquilo bastou.

Thomas não sabia tudo, mas sabia o suficiente para entender que não adiantava discutir naquele estado.

— Tá — disse, levantando-se. — Vamos embora.

— Não.

Heitor negou com a cabeça, os olhos perdidos.

— Não quero deitar na minha cama… e sentir o cheiro dela.

A frase saiu mais baixa dessa vez. Mais verdadeira. E, talvez por isso, mais pesada.

Thomas ficou em silêncio por um segundo.

— Me leva pra um hotel — completou Heitor.

Thomas assentiu, sem discutir. Fez sinal para a conta.

— E chama mulheres — acrescentou Heitor, jogando a cabeça para trás. — Quero música, gente… qualquer coisa que faça isso parar.

Thomas fechou a expressão, mas decidiu não bater de frente.

— Amanhã você vai me agradecer por eu não fazer isso.

Pagou a conta e olhou de volta para ele.

— E vai me devolver esse dinheiro.

Heitor soltou uma risada fraca.

— Pode deixar…

Thomas se aproximou, segurando ele pelo braço, ajudando a levantá-lo. Saiu praticamente carregando, ignorando os olhares curiosos ao redor.

O hotel era silencioso demais.

Luxuoso.

Impecável.

E completamente vazio de qualquer emoção.

Thomas fez o check-in rapidamente e levou Heitor até o quarto, abrindo a porta e ajudando-o a entrar. Ele o deixou cair na cama com o máximo de cuidado que a situação permitia.

Heitor ficou deitado de costas, encarando o teto, como se ainda estivesse tentando entender o que tinha acontecido com a própria vida em tão pouco tempo.

— Tenta não fazer nenhuma besteira — disse Thomas, passando a mão no rosto, já cansado. — Eu preciso ir. Minha mulher vai me matar se eu chegar mais tarde.

Heitor soltou uma risada seca.

— Todas são mentirosas…

Thomas revirou os olhos, se aproximou e deu um leve tapa no rosto dele.

— Dorme.

Fez uma pausa.

— Amanhã a gente conversa.

Não houve resposta.

Apenas silêncio.

Thomas saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

E naquela noite, Heitor ficou sozinho de verdade.

Sem barulho.

Sem distração.

Sem fuga.

Apenas ele… e tudo o que estava tentando evitar sentir.

O olhar perdeu o foco.

O peito apertou.

E a verdade, silenciosa e incômoda, começou a se formar em algum lugar dentro dele.

Mas ele ainda não estava pronto para encarar.

Do outro lado da cidade…

o apartamento estava quieto.

Calmo demais.

Como se o mundo lá fora não tivesse desmoronado nas últimas horas.

Laila estava na cozinha, mexendo distraidamente em uma panela que já não precisava de atenção. O olhar se perdia de tempos em tempos, como se algo dentro dela dissesse que aquilo ainda não tinha acabado.

E não tinha mesmo.

O som da porta do quarto se abrindo chamou sua atenção.

Lais apareceu no corredor.

E, por um segundo…

Laila não reconheceu a própria irmã.

Os cabelos presos de qualquer jeito, alguns fios soltos grudados no rosto. A roupa amassada, claramente a mesma do dia anterior. Os olhos… inchados, vermelhos, cansados de um jeito que não era só físico.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário