O clube estava cheio naquela noite. As luzes baixas criavam um ambiente quase íntimo, contrastando com o som constante de conversas, risadas e música ao fundo. Era um lugar feito para distração, para encontros, para esquecer problemas. Mas, na mesa isolada no fundo do salão, nada daquilo parecia funcionar. Heitor estava sozinho.
O copo de whisky em sua mão já não era o primeiro — nem o segundo. Talvez nem o quinto. Ele girava o líquido lentamente, observando o movimento como se pudesse encontrar alguma resposta ali dentro. Mas não havia resposta. Só reflexo. E, inevitavelmente, o que ele via era ela. Sempre ela.
Lais.
O nome parecia ecoar dentro da cabeça dele, incômodo, insistente. A lembrança do rosto, da voz, do toque… tudo vinha junto, misturado com algo que agora queimava. Raiva. Uma raiva que crescia a cada segundo, alimentada pelo que ele acreditava ser verdade.
— Merda… — murmurou, levando o copo à boca e deixando o álcool descer queimando pela garganta.
— Olá, gato… aceita companhia?
A voz feminina surgiu suave, insinuante, quase ensaiada. Heitor nem precisou olhar com atenção. Já conhecia aquele tipo de abordagem. Já conhecia o jogo. E, naquele momento, aquilo só piorava tudo.
Ele soltou uma risada curta, sem humor algum.
— Vocês são todas iguais.
A mulher franziu a testa, claramente sem entender a reação.
— Desculpa?
Ele ergueu o olhar lentamente, os olhos escuros, carregados de algo que não era apenas álcool.
— Mentirosas.
A mulher deu um passo para trás, desconfortável.
— Olha, eu só—
— Golpistas — ele continuou, interrompendo, tomando mais um gole.
A voz dele já não tinha filtro.
— Oferecidas.
O clima mudou instantaneamente. O desconforto se instalou ao redor. A mulher recuou, cruzando os braços, agora mais irritada do que interessada.
— Você tá bêbado.
— Some.
Ela não insistiu. Virou-se e saiu. Mas Heitor não conseguiu parar.
— Mentirosa! — gritou, a voz ecoando mais alto do que deveria pelo salão.
Algumas pessoas olharam. Outras fingiram não perceber.
— Golpista! — continuou. — Tudo igual!
O controle já tinha ido embora fazia tempo.
— Heitor?
A voz firme cortou o momento.
Thomas.
Ele vinha de outra mesa, expressão séria, já entendendo o suficiente para saber que aquilo não era normal. Parou ao lado dele, avaliando a situação antes mesmo de falar novamente.
— O que aconteceu?
Heitor levantou o olhar devagar. Por um segundo, um sorriso surgiu — torto, deslocado, quase fora de lugar.
— Thomas… amigão…
Mas o sorriso não chegou aos olhos.
Thomas puxou a cadeira e se sentou de frente para ele, direto como sempre.
— Você tá bêbado. Tá na hora de ir pra casa.
— Não — respondeu Heitor imediatamente, sem hesitar. — Não vou pra casa.
Thomas suspirou, já esperando resistência.
— Então me explica.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Heitor passou a mão pelo rosto, como se tentasse organizar os próprios pensamentos, mas nada parecia fazer sentido o suficiente para ser dito com clareza.
— Ela mentiu pra mim — disse, finalmente, a voz mais baixa, mas carregada de tudo que ele estava tentando conter. — Uma grande mentirosa.
Thomas franziu a testa.
— Quem?
Heitor soltou uma risada amarga, balançando levemente a cabeça.
— A única que eu achei que valia a pena.
Ele apertou o copo com mais força.
— E agora? — continuou, olhando para o nada. — Eu faço o quê sabendo que… eu quase caí em um golpe?
Thomas ficou em silêncio por um instante, analisando cada palavra.
— Heitor—
— Não — interrompeu ele, mais duro, mais defensivo. — Não vem defender.
A voz subiu novamente.
— Eu ouvi.
Aquilo bastou.
Thomas não sabia tudo, mas sabia o suficiente para entender que não adiantava discutir naquele estado.
— Tá — disse, levantando-se. — Vamos embora.
— Não.
Heitor negou com a cabeça, os olhos perdidos.
— Não quero deitar na minha cama… e sentir o cheiro dela.
A frase saiu mais baixa dessa vez. Mais verdadeira. E, talvez por isso, mais pesada.
Thomas ficou em silêncio por um segundo.
— Me leva pra um hotel — completou Heitor.
Thomas assentiu, sem discutir. Fez sinal para a conta.
— E chama mulheres — acrescentou Heitor, jogando a cabeça para trás. — Quero música, gente… qualquer coisa que faça isso parar.
Thomas fechou a expressão, mas decidiu não bater de frente.
— Amanhã você vai me agradecer por eu não fazer isso.
Pagou a conta e olhou de volta para ele.
— E vai me devolver esse dinheiro.
Heitor soltou uma risada fraca.
— Pode deixar…
Thomas se aproximou, segurando ele pelo braço, ajudando a levantá-lo. Saiu praticamente carregando, ignorando os olhares curiosos ao redor.
O hotel era silencioso demais.
Luxuoso.
Impecável.
E completamente vazio de qualquer emoção.
Thomas fez o check-in rapidamente e levou Heitor até o quarto, abrindo a porta e ajudando-o a entrar. Ele o deixou cair na cama com o máximo de cuidado que a situação permitia.
Heitor ficou deitado de costas, encarando o teto, como se ainda estivesse tentando entender o que tinha acontecido com a própria vida em tão pouco tempo.
— Tenta não fazer nenhuma besteira — disse Thomas, passando a mão no rosto, já cansado. — Eu preciso ir. Minha mulher vai me matar se eu chegar mais tarde.
Heitor soltou uma risada seca.
— Todas são mentirosas…
Thomas revirou os olhos, se aproximou e deu um leve tapa no rosto dele.
— Dorme.
Fez uma pausa.
— Amanhã a gente conversa.
Não houve resposta.
Apenas silêncio.
Thomas saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
E naquela noite, Heitor ficou sozinho de verdade.
Sem barulho.
Sem distração.
Sem fuga.
Apenas ele… e tudo o que estava tentando evitar sentir.
O olhar perdeu o foco.
O peito apertou.
E a verdade, silenciosa e incômoda, começou a se formar em algum lugar dentro dele.
Mas ele ainda não estava pronto para encarar.
Do outro lado da cidade…
o apartamento estava quieto.
Calmo demais.
Como se o mundo lá fora não tivesse desmoronado nas últimas horas.
Laila estava na cozinha, mexendo distraidamente em uma panela que já não precisava de atenção. O olhar se perdia de tempos em tempos, como se algo dentro dela dissesse que aquilo ainda não tinha acabado.
E não tinha mesmo.
O som da porta do quarto se abrindo chamou sua atenção.
Lais apareceu no corredor.
E, por um segundo…
Laila não reconheceu a própria irmã.
Os cabelos presos de qualquer jeito, alguns fios soltos grudados no rosto. A roupa amassada, claramente a mesma do dia anterior. Os olhos… inchados, vermelhos, cansados de um jeito que não era só físico.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...