Uma semana tinha se passado.
E nada tinha mudado.
Na verdade… tinha piorado.
Lais continuava ali, mas não estava.
Os olhos sem brilho. O corpo lento. A mente distante. Como se tudo dentro dela tivesse desligado aos poucos, deixando apenas o essencial para continuar existindo — respirar, levantar, deitar.
Comer… ela não comia.
Dormir… só quando o corpo já não aguentava mais, e ainda assim por poucas horas, inquietas, pesadas.
Até o banho parecia um esforço.
A água batendo na pele não trazia alívio.
Trazia incômodo.
Como se sentir qualquer coisa já fosse demais.
Do lado de fora…
Laila observava.
Em silêncio.
Sem saber mais o que fazer.
Naquela noite, ela colocou mais uma bandeja sobre o balcão. Sopa quente, feita com cuidado, com tudo que sabia que a irmã gostava.
Intacta.
Como todas as outras.
Laila ficou parada por alguns segundos, olhando para o prato.
Depois fechou os olhos.
— Chega… — murmurou para si mesma. — Hoje não.
Respirou fundo.
Pegou o celular.
E ligou.
Do outro lado da linha, demorou poucos toques.
— Alô?
— Nathalia… — Laila falou rápido, a voz carregada de preocupação. — Eu preciso de ajuda. Na verdade… a Lais precisa.
Um breve silêncio.
— O que aconteceu?
Laila apertou o celular contra o ouvido, andando de um lado para o outro na cozinha.
Ela sabia que tinha algo muito maior ali.
Mas também sabia… que não era dela contar.
— Eu não sei exatamente — respondeu, sincera. — Acho que ela terminou com o Heitor… ou ele com ela. Não sei. Só sei que ela não tá bem.
A voz falhou um pouco.
— Ela não come. Dorme mal. Mal tá se cuidando… — respirou fundo. — Eu tô preocupada.
Do outro lado, Nathalia não hesitou.
— Tudo bem. A gente vai agora.
Direta.
Decidida.
— Vou ligar pras meninas.
Laila fechou os olhos por um instante, aliviada.
— Obrigada, Nathalia…
— Não precisa agradecer — respondeu ela, com um leve riso. — Eu sou melhor amiga da sua irmã… e praticamente sua também, né?
Aquilo arrancou um sorriso fraco de Laila.
— É… você é.
A ligação foi encerrada.
O silêncio voltou.
Mas, dessa vez… não era o mesmo.
Laila apoiou as mãos na bancada, respirando fundo.
— Tomara que eu não esteja piorando as coisas… — murmurou.
Mas, no fundo, ela sabia.
Ficar parada já não era mais uma opção.
O som da campainha ecoou pelo apartamento.
Uma vez.
Duas.
Laila quase correu até a porta.
Quando abriu…
elas estavam ali.
Nathalia na frente, como sempre, com aquele olhar atento que já analisava tudo antes mesmo de entrar. Atrás dela, Eloise, Sofia, Emma e Alana, cada uma com sua própria energia, mas todas com a mesma expressão: preocupação disfarçada de normalidade.
— Oi… — Laila disse, dando espaço para entrarem.
— Cadê ela? — Nathalia perguntou direto, já entrando.
— No quarto…
Ninguém perdeu tempo.
Elas caminharam pelo apartamento como se já conhecessem o caminho, o som dos passos quebrando o silêncio pesado que dominava aquele lugar há dias.
A porta do quarto estava entreaberta.
Nathalia foi a primeira a empurrar.
E parou.
Por um segundo.
Só um.
Mas foi o suficiente.
Lais estava sentada na cama, encostada na cabeceira, com o olhar perdido em algum ponto fixo. Quando percebeu a presença delas, demorou um instante para reagir.
E, quando reagiu…
não conseguiu esconder.
Os olhos vermelhos.
O cabelo preso de qualquer jeito.
A roupa larga, amassada, sem vida.
O silêncio caiu.
Mas não durou.
Porque Nathalia não deixava esse tipo de coisa crescer.
Ela cruzou os braços, inclinou levemente a cabeça e analisou Lais de cima a baixo.
— Ok… — disse, com um suspiro exagerado. — Isso aqui já passou do conceito “sofrendo por homem” e entrou no “abandonei minha dignidade básica”.
As meninas seguraram o riso.
Lais piscou.
Sem reação no primeiro segundo.
— Sério, Lais — continuou Nathalia, caminhando até ela. — esse cabelo… isso aqui não é bagunçado, é um pedido de socorro.
Eloise levou a mão à boca, rindo baixo.
Emma virou o rosto, tentando se controlar.
Até Sofia soltou um “meu Deus” quase inaudível.
Lais revirou os olhos.
E, mesmo sem querer…
um canto da boca se mexeu.
— Vocês são ridículas…
— Ridículas, porém cheirosas e de banho tomado — rebateu Nathalia na hora.
E pronto.
Aquilo quebrou.
Um riso escapou.
Fraco.
Mas real.
A primeira vez em dias.
Laila, parada na porta, percebeu na hora.
E respirou aliviada.
As meninas se espalharam pelo quarto, ocupando o espaço, trazendo barulho, vida, presença.
— Agora fala — disse Eloise, mais séria, mas ainda leve. — o que aconteceu?
Lais desviou o olhar.
Respirou fundo.
Pensou.
Escolheu.
— A gente não tá mais junto… — disse, por fim, a voz baixa, mas firme o suficiente
Ela respirou fundo.
— E eu pedi demissão.
O silêncio veio.
Diferente dessa vez.
Laila olhou para ela imediatamente.
Confusa.
Surpresa.
Mas, antes que pudesse falar qualquer coisa, Lais fez um pequeno gesto com a cabeça.
Quase imperceptível.
Um pedido.
Não agora.
Laila entendeu.
E ficou em silêncio.
— Uau… — murmurou Emma. — então foi feio mesmo.
— Homem quando quer ser burro, se supera — comentou Alana, cruzando os braços.
— Confirmo — disse Nathalia, levantando a mão como se fosse um depoimento oficial.
Sofia revirou os olhos.
— Nossa, que reunião construtiva…
— Fica quieta que você nem bebe — retrucou Alana.
— E daí? Eu julgo melhor sóbria.
— Claro, juíza da vida alheia.
As duas começaram a discutir em tom leve.
Provocando.
E, aos poucos, o clima mudava.
— Chega — interrompeu Emma, batendo palmas uma vez. — vamos fazer o que a gente sabe fazer melhor.
— Comer — disse, já pegando o celular.
— E beber — completou Alana.
— Tô dentro — respondeu Eloise na hora.
Sofia suspirou.
— Aff… vou ter que ficar vendo vocês beber vinho.
Nathalia deu de ombros.
— Não tem problema, amiga. A gente bebe água com gás, coloca uma rodela de limão…
Fez uma pausa dramática.
— E finge que é melhor que vinho.
— Mentira — disse Emma. — ninguém finge melhor que você.
— Eu não finjo, eu sou.
E, de repente…
todas estavam rindo.
De verdade.
O som encheu o quarto.
Quebrou o peso.
Trouxe ar.
E Lais…
riu junto.
Ainda leve.
Ainda frágil.
Mas presente.
Pela primeira vez naquela semana…
E aquilo…
aquilo era novo.
— Tá vendo? — disse Nathalia, apontando para ela. — esse é o rosto que a gente gosta.
Lais revirou os olhos.
Mas o sorriso permaneceu.
Ela olhou ao redor.
Para cada uma delas.
Para o barulho.
Para a bagunça.
Para a vida acontecendo ali, mesmo depois de tudo.
E soltou o ar devagar.
— A vida continua… — disse, quase como um pensamento em voz alta.
Nathalia ergueu o copo.
— Isso aí.
— A vida continua — repetiu.
E, dessa vez…
todas acompanharam.
— A vida continua.
Emma se inclinou no sofá, olhando para Alana com um sorriso curioso.
— Alana… e você e o Enzo?
Alana, que estava no meio de um gole de vinho, se engasgou na hora.
— O que tem?
Nathalia cruzou as pernas, já entrando na conversa com aquele olhar de quem sabia mais do que devia.
— A gente quer saber… nossos planos deram certo?
Alana estreitou os olhos.
— Estamos… nos conhecendo.
Sofia levantou uma sobrancelha, claramente não convencida.
— Conhecendo como?
O tom veio provocador.
Direto.
Alana ficou vermelha na hora.
— Ele tá… me apresentando coisas.
Eloise se inclinou para frente, curiosa.
— Que tipo de coisas?
Emma fez uma careta imediata.
— Eca. É meu irmão.
Nathalia levantou as mãos, rindo.
— Não, não, não… eu me recuso. Meu enteado, gente. Eu não quero saber desses detalhes.
Alana começou a rir, já meio solta por causa do vinho.
— Relaxa… são coisas de adulto. Gostosas… divertidas.
Nathalia estreitou os olhos.
— Agora faz sentido.
Fez uma pausa dramática.
— Inclusive… eu sei de uma coisa que vocês não sabem.
Todas olharam para ela na mesma hora.
— O quê?
— O QUE você sabe? — Alana perguntou, já desconfiada.
Nathalia abriu um sorriso lento.
Perigoso.
— Foi você, né… não teve nada de “água quente”.
Eloise arregalou os olhos.
— Desembucha, Nathalia.
Alana arregalou os olhos na mesma hora.
— Nathalia, não—
Mas já era tarde.
Nathalia se levantou rápido, desviando da tentativa de Alana de tapar sua boca, e saiu andando pela sala como se estivesse anunciando uma fofoca nacional.
— Essa aqui, com cara de santa… quase deixa o amiguinho do Enzo em carne viva!
O silêncio durou meio segundo.
E então—
Explodiu.
Alana, já afetada pelo vinho, apontou o dedo.
— NÃO É AMIGUINHO!
Fez uma pausa dramática.
— É amigão.
Emma levantou as mãos imediatamente.
— Não, não, não… chega! Vamos parar por aqui.
Olhou para o copo de Alana.
— Corta o vinho dela.
Sofia começou a rir.
Eloise já estava quase sem ar.
Nathalia se jogou no sofá, ainda rindo.
E Lais…
Lais ria junto.
Sem peso.
Sem esforço.
Só… rindo.
Como se, por um instante…
tudo ainda pudesse dar certo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...