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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 496

Uma semana tinha se passado.

E nada tinha mudado.

Na verdade… tinha piorado.

Lais continuava ali, mas não estava.

Os olhos sem brilho. O corpo lento. A mente distante. Como se tudo dentro dela tivesse desligado aos poucos, deixando apenas o essencial para continuar existindo — respirar, levantar, deitar.

Comer… ela não comia.

Dormir… só quando o corpo já não aguentava mais, e ainda assim por poucas horas, inquietas, pesadas.

Até o banho parecia um esforço.

A água batendo na pele não trazia alívio.

Trazia incômodo.

Como se sentir qualquer coisa já fosse demais.

Do lado de fora…

Laila observava.

Em silêncio.

Sem saber mais o que fazer.

Naquela noite, ela colocou mais uma bandeja sobre o balcão. Sopa quente, feita com cuidado, com tudo que sabia que a irmã gostava.

Intacta.

Como todas as outras.

Laila ficou parada por alguns segundos, olhando para o prato.

Depois fechou os olhos.

— Chega… — murmurou para si mesma. — Hoje não.

Respirou fundo.

Pegou o celular.

E ligou.

Do outro lado da linha, demorou poucos toques.

— Alô?

— Nathalia… — Laila falou rápido, a voz carregada de preocupação. — Eu preciso de ajuda. Na verdade… a Lais precisa.

Um breve silêncio.

— O que aconteceu?

Laila apertou o celular contra o ouvido, andando de um lado para o outro na cozinha.

Ela sabia que tinha algo muito maior ali.

Mas também sabia… que não era dela contar.

— Eu não sei exatamente — respondeu, sincera. — Acho que ela terminou com o Heitor… ou ele com ela. Não sei. Só sei que ela não tá bem.

A voz falhou um pouco.

— Ela não come. Dorme mal. Mal tá se cuidando… — respirou fundo. — Eu tô preocupada.

Do outro lado, Nathalia não hesitou.

— Tudo bem. A gente vai agora.

Direta.

Decidida.

— Vou ligar pras meninas.

Laila fechou os olhos por um instante, aliviada.

— Obrigada, Nathalia…

— Não precisa agradecer — respondeu ela, com um leve riso. — Eu sou melhor amiga da sua irmã… e praticamente sua também, né?

Aquilo arrancou um sorriso fraco de Laila.

— É… você é.

A ligação foi encerrada.

O silêncio voltou.

Mas, dessa vez… não era o mesmo.

Laila apoiou as mãos na bancada, respirando fundo.

— Tomara que eu não esteja piorando as coisas… — murmurou.

Mas, no fundo, ela sabia.

Ficar parada já não era mais uma opção.

O som da campainha ecoou pelo apartamento.

Uma vez.

Duas.

Laila quase correu até a porta.

Quando abriu…

elas estavam ali.

Nathalia na frente, como sempre, com aquele olhar atento que já analisava tudo antes mesmo de entrar. Atrás dela, Eloise, Sofia, Emma e Alana, cada uma com sua própria energia, mas todas com a mesma expressão: preocupação disfarçada de normalidade.

— Oi… — Laila disse, dando espaço para entrarem.

— Cadê ela? — Nathalia perguntou direto, já entrando.

— No quarto…

Ninguém perdeu tempo.

Elas caminharam pelo apartamento como se já conhecessem o caminho, o som dos passos quebrando o silêncio pesado que dominava aquele lugar há dias.

A porta do quarto estava entreaberta.

Nathalia foi a primeira a empurrar.

E parou.

Por um segundo.

Só um.

Mas foi o suficiente.

Lais estava sentada na cama, encostada na cabeceira, com o olhar perdido em algum ponto fixo. Quando percebeu a presença delas, demorou um instante para reagir.

E, quando reagiu…

não conseguiu esconder.

Os olhos vermelhos.

O cabelo preso de qualquer jeito.

A roupa larga, amassada, sem vida.

O silêncio caiu.

Mas não durou.

Porque Nathalia não deixava esse tipo de coisa crescer.

Ela cruzou os braços, inclinou levemente a cabeça e analisou Lais de cima a baixo.

— Ok… — disse, com um suspiro exagerado. — Isso aqui já passou do conceito “sofrendo por homem” e entrou no “abandonei minha dignidade básica”.

As meninas seguraram o riso.

Lais piscou.

Sem reação no primeiro segundo.

— Sério, Lais — continuou Nathalia, caminhando até ela. — esse cabelo… isso aqui não é bagunçado, é um pedido de socorro.

Eloise levou a mão à boca, rindo baixo.

Emma virou o rosto, tentando se controlar.

Até Sofia soltou um “meu Deus” quase inaudível.

Lais revirou os olhos.

E, mesmo sem querer…

um canto da boca se mexeu.

— Vocês são ridículas…

— Ridículas, porém cheirosas e de banho tomado — rebateu Nathalia na hora.

E pronto.

Aquilo quebrou.

Um riso escapou.

Fraco.

Mas real.

A primeira vez em dias.

Laila, parada na porta, percebeu na hora.

E respirou aliviada.

As meninas se espalharam pelo quarto, ocupando o espaço, trazendo barulho, vida, presença.

— Agora fala — disse Eloise, mais séria, mas ainda leve. — o que aconteceu?

Lais desviou o olhar.

Respirou fundo.

Pensou.

Escolheu.

— A gente não tá mais junto… — disse, por fim, a voz baixa, mas firme o suficiente

Ela respirou fundo.

— E eu pedi demissão.

O silêncio veio.

Diferente dessa vez.

Laila olhou para ela imediatamente.

Confusa.

Surpresa.

Mas, antes que pudesse falar qualquer coisa, Lais fez um pequeno gesto com a cabeça.

Quase imperceptível.

Um pedido.

Não agora.

Laila entendeu.

E ficou em silêncio.

— Uau… — murmurou Emma. — então foi feio mesmo.

— Homem quando quer ser burro, se supera — comentou Alana, cruzando os braços.

— Confirmo — disse Nathalia, levantando a mão como se fosse um depoimento oficial.

Sofia revirou os olhos.

— Nossa, que reunião construtiva…

— Fica quieta que você nem bebe — retrucou Alana.

— E daí? Eu julgo melhor sóbria.

— Claro, juíza da vida alheia.

As duas começaram a discutir em tom leve.

Provocando.

E, aos poucos, o clima mudava.

— Chega — interrompeu Emma, batendo palmas uma vez. — vamos fazer o que a gente sabe fazer melhor.

— Comer — disse, já pegando o celular.

— E beber — completou Alana.

— Tô dentro — respondeu Eloise na hora.

Sofia suspirou.

— Aff… vou ter que ficar vendo vocês beber vinho.

Nathalia deu de ombros.

— Não tem problema, amiga. A gente bebe água com gás, coloca uma rodela de limão…

Fez uma pausa dramática.

— E finge que é melhor que vinho.

— Mentira — disse Emma. — ninguém finge melhor que você.

— Eu não finjo, eu sou.

E, de repente…

todas estavam rindo.

De verdade.

O som encheu o quarto.

Quebrou o peso.

Trouxe ar.

E Lais…

riu junto.

Ainda leve.

Ainda frágil.

Mas presente.

Pela primeira vez naquela semana…

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