A semana passou, e as respostas foram sempre as mesmas. Não. Não. E mais um não. Lais já estava cansada — não só das recusas, mas de tudo o que vinha antes delas. Os elogios, os sorrisos educados, a forma como elogiavam sua trajetória para, no fim, dizer que “não era o momento ideal”. Ela estava cansada de sustentar uma postura firme enquanto, por dentro, sentia tudo desmoronar aos poucos.
Naquela manhã, decidiu tentar algo que não queria. Algo que, no fundo, sabia que a puxava de volta para um lugar que havia lutado para deixar para trás. Mas precisava. E, naquele momento, necessidade falava mais alto que orgulho.
Caminhou algumas quadras acima da antiga casa, entrando em uma região que conhecia bem demais — não só pelas ruas, mas pelas memórias que carregava. O passado ainda estava ali, vivo, esperando. Quando parou em frente ao prédio, respirou fundo. Não era exatamente medo. Era consciência. Consciência do que aquele lugar representava… e do quanto ela não queria precisar dele novamente.
Bateu na porta. Um homem apareceu quase de imediato, bloqueando a entrada com o corpo, o olhar desconfiado e avaliador.
— Quer falar com quem?
Lais manteve o olhar firme, sem recuar.
— Com o Pivete. Diz que é a LR.
O homem a analisou de cima a baixo antes de responder. Levou a mão ao rádio e falou em tom despreocupado:
— Chefe, tem uma mulher aqui… mó linda… dizendo que quer falar com o senhor. Falou que é LR.
A resposta veio chiada, mas clara o suficiente para que Lais reconhecesse a voz.
— E qual é a Laizinha? Manda ela subir.
O homem abriu passagem sem dizer mais nada. Lais respirou fundo mais uma vez antes de entrar. Cada passo que dava parecia carregar mais do que o próprio peso — carregava decisões, consequências e, agora mais do que nunca, responsabilidade.
Subiu as escadas com calma, sentindo o ambiente ao redor como se nunca tivesse realmente deixado aquele lugar. Quando chegou ao topo, ele já estava lá, encostado na parede, magro, alto, com aquele mesmo ar despreocupado de sempre, como se o tempo não tivesse passado.
— Olha só… — disse ele, abrindo um sorriso largo. — um bom filho sempre à casa retorna.
Lais forçou um sorriso discreto, sem entrar no jogo.
— Nem vem com essa.
Ele se aproximou, pegando na mão dela de forma descontraída, como se ainda tivesse intimidade para aquilo.
— Diz aí… o que te traz de volta?
Lais não rodeou.
— Eu preciso de um emprego. Tem alguma coisa pra mim?
Ele soltou uma risada curta, balançando a cabeça.
— Vixe… os bacaninhas te deixaram na mão, foi?
O olhar de Lais endureceu.
— Pivete, minha vida não é pauta agora. Me ajuda. Você sabe que eu já te ajudei demais.
O sorriso dele mudou sutilmente. Menos brincadeira. Mais interesse.
— Tem uma coisa… — disse, inclinando a cabeça. — coisa boa. Grande. Tava até procurando alguém como você ou melhor.
Lais cruzou os braços, avaliando.
— Melhor que eu?
Ele riu.
— Calma aí, filha. Sempre aparece alguém melhor.
Ela negou com a cabeça.
— Se for coisa errada, nem começa.
Ele levantou as mãos, como se quisesse tranquilizá-la.
— Relaxa. É coisa grande... E fácil.
Lais soltou uma risada sem humor.
— História que começa assim nunca termina bem.
O olhar dele ficou mais sério.
— Você só precisa entrar em um site, pegar umas informações e me repassar.
O silêncio se instalou por um instante.
— Que site? — ela perguntou.
— FBI.
Aquilo foi suficiente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...