Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 499

A boate estava fechada.

Ainda assim, havia movimento. No palco, algumas meninas ensaiavam, repetindo passos com a música baixa ecoando pelo espaço vazio, criando um clima estranho — como se aquele lugar só descansasse pela metade. As luzes estavam mais suaves, revelando detalhes que, à noite, se perdiam entre o neon e a fumaça.

Lais entrou devagar, observando tudo ao redor com atenção. Não era a primeira vez ali, mas fazia tempo o suficiente para que tudo parecesse… diferente.

Ou talvez fosse ela que estivesse.

— Meu Deus do céu… — a voz veio carregada de surpresa e dramatização. — Lais?!

Ela virou o rosto.

O Jefão vinha na direção dela, grande como sempre, presença marcante, mas com aquele jeito exagerado, cheio de trejeitos, que quebrava qualquer tentativa de intimidação. Quando falava, gesticulava com as mãos, inclinava o corpo, como se cada frase precisasse ser performada.

— Olha essa mulher! — continuou, levando a mão ao peito. — Você simplesmente sumiu, criatura!

Lais deu um pequeno sorriso, ainda um pouco contida.

— A vida ficou… agitada.

— Agitada? — ele repetiu, arregalando os olhos. — Minha filha, você desapareceu do mapa!

Sem esperar resposta, já foi conduzindo ela até o balcão, puxando uma cadeira com naturalidade.

— Vem, senta aqui. Vamos conversar direito.

Lais sentou, mantendo a postura mais discreta.

— Você aceita alguma coisa? Um drink, uma água, um suco? — ele perguntou, inclinando levemente o corpo na direção dela.

— Não, não… obrigada.

— Ai, que educada — comentou, revirando os olhos de forma teatral antes de apoiar os braços no balcão. — Então me conta… o que te traz aqui, hein?

Lais respirou fundo antes de responder.

— Eu preciso de um trabalho. O Pivete comentou que você voltou a comandar aqui… e eu queria saber se tem alguma coisa pra mim.

O olhar dele mudou.

Menos brincadeira.

Mais análise.

— E por que você quer trabalhar aqui, Lais?

A pergunta veio mais séria do que o tom anterior.

Lais sustentou o olhar.

— Porque eu não tô conseguindo emprego. E também não vou voltar a fazer coisas que podem me colocar na cadeia.

A mão dela desceu até a barriga, em um gesto quase automático.

— Eu tenho minha irmã… e agora tenho alguém que depende de mim.

O olhar dele seguiu o movimento.

Parou.

E então—

— Você tá grávida, bicha? — disse, levando a mão à boca em choque. — Não acredito!

Lais riu, dessa vez mais solta.

— Pois acredita.

Ele ainda ficou alguns segundos olhando, processando, e então respirou fundo, cruzando os braços.

— Olha… — começou, já mudando o tom — eu tenho uma proposta.

Lais levantou levemente a sobrancelha.

— Que tipo de proposta?

— Eu preciso de uma dançarina.

— Jefão…

Ele levantou a mão na hora, interrompendo.

— Calma, calma, não começa a surtar antes de me ouvir.

Se inclinou um pouco mais perto, falando agora com mais calma.

— Aqui ninguém é obrigado a nada. Cada uma decide o que quer fazer e até onde quer ir. Isso nunca mudou.

Fez uma pausa, olhando ela com mais atenção.

— E você sabe… você sempre foi linda. Sempre falei isso pra você.

O olhar dele desceu brevemente até a barriga e voltou.

— E, olha… homem tem fetiche com mulher grávida. Isso aqui ia te render fácil.

Lais ficou em silêncio.

Não chocada.

Mas pensativa.

Ele então pegou a mão dela com cuidado, diferente do jeito exagerado de antes.

— Mas presta atenção — continuou. — a proposta é só pra dançar. Só palco. Nada além disso.

A voz agora era mais firme.

Mais profissional.

— E quando você chegar nos sete meses, você sai do palco e fica nos bastidores, ajudando as meninas. E eu continuo te pagando. Metade do valor, mas continuo.

Lais desviou o olhar por um instante.

Pensando.

Calculando.

Sentindo o peso daquilo.

— Posso pensar?

Ele sorriu.

— Claro, minha deusa. Pensa direitinho.

Soltou a mão dela devagar.

— Aqui a gente não decide nada no impulso.

Eles ainda conversaram por mais alguns minutos, agora em um tom mais leve, quase como se aquele assunto tivesse sido apenas uma possibilidade jogada no ar.

Lais sabia. Aquilo não era.

Quando saiu da boate, o ar parecia diferente.

Mais pesado.

Ou talvez fosse só a decisão que começava a se formar dentro dela.

Pegou um ônibus em direção ao centro e se sentou perto da janela, apoiando a cabeça levemente no vidro enquanto a cidade passava do lado de fora.

A mente não parava.

Porque aquilo mexia com mais do que o presente.

Mexia com o passado.

Quando a mãe descobriu que ela dançava, odiou.

Foi uma briga que durou dias.

Sem entendimento.

Sem meio termo.

— Mas naquela época… era porque eu gostava — murmurou, quase sem perceber que falou em voz alta.

A mulher sentada ao lado virou o rosto.

— Falou comigo, moça?

Lais piscou, voltando para o presente.

— Não… não. Desculpa.

Deu um sorriso sem graça, voltando o olhar para a janela.

Mas a cabeça continuava ali.

No passado.

No presente.

E na escolha que ela sabia…

que não ia poder adiar por muito tempo.

Lais estava na cozinha, mexendo a panela com atenção, como se cada movimento tivesse mais função do que apenas cozinhar. O molho borbulhava devagar, o cheiro do tempero se espalhando pelo ambiente e preenchendo o apartamento de um conforto que, nos últimos dias, parecia raro. Não era só sobre o jantar. Era sobre ocupar a mente, silenciar os pensamentos, manter o controle — mesmo que fosse apenas ali, entre uma colher e outra.

A porta se abriu.

— Nossa… que cheiro bom.

Laila entrou, deixando a bolsa sobre o balcão enquanto puxava o ar com satisfação.

— Tô fazendo macarrão à bolonhesa — respondeu Lais, sem desviar o olhar da panela.

— Humm… tá com uma cara ótima — disse Laila, já se aproximando.

Ela abriu a bolsa, puxou um papel dobrado e o colocou sobre o balcão, junto com algumas outras contas que já estavam ali.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário