Heitor não demorou para agir.
Assim que a ideia tomou forma, ele seguiu direto para a casa da mãe, dirigindo com a mente acelerada, tentando organizar tudo o que vinha acumulando nos últimos dias. Nada parecia completo, nada fazia sentido sozinho, mas havia um padrão se formando — e ele precisava de respostas antes que aquilo saísse completamente do controle.
Assim que entrou, não precisou dizer nada.
Lurdes já estava esperando.
O olhar dela encontrou o dele com uma intensidade que dispensava qualquer explicação, e antes mesmo que Heitor abrisse a boca, ela avançou um passo e acertou um tapa no braço dele, sem hesitar.
— Você não toma jeito, Heitor.
O impacto não foi pela força.
Foi pelo significado.
Ele franziu a testa, confuso, sem entender de onde vinha aquilo.
— Do que você tá falando?
— Não se faz de desentendido — retrucou ela, cruzando os braços. — Eu já sei de tudo. O Henrique contou o que você fez com a Lais.
A palavra “fez” pesou mais do que deveria.
Joelma apareceu logo atrás, encostando-se na parede, claramente envolvida na situação.
— Eu sabia que tinha coisa errada — disse, balançando a cabeça. — O Henrique foi até a casa dela… e voltou diferente. Ele viu ela chorando.
Heitor ficou imóvel por um segundo, absorvendo aquilo.
E então a informação bateu.
— Pera aí… — disse, virando o rosto de um para o outro. — Por que o Henrique tava na casa da Lais?
Lourdes respondeu antes que Joelma pudesse falar.
— Ele é colega de faculdade da irmã dela.
Heitor estreitou os olhos.
— Da Laila?
— Sim — confirmou Joelma, sem paciência. — Mas não muda de assunto. O que você fez com a Lais?
A irritação começou a subir.
— Eu não fiz nada com a Lais — respondeu, firme. — Foi ela que fez comigo.
Lourdes deu um passo à frente outra vez, indignada.
— Deixa de ser mentiroso e fala logo a verdade. O que você fez com aquela menina?
— Nada.
A resposta veio seca.
Mas não convenceu ninguém.
Antes que o clima pudesse piorar ainda mais, a porta se abriu.
Henrique entrou.
O olhar dele passou direto por Heitor, sem parar, sem reconhecer.
E aquilo…
doeu mais do que qualquer acusação.
— O que ele tá fazendo aqui? — perguntou, olhando para a mãe.
Heitor tentou quebrar o clima.
— Ei, garotão… o que foi que aconteceu?
Henrique não respondeu.
O olhar carregava decepção.
Silenciosa.
Pesada.
— Vou subir.
— Henrique… — chamou Heitor, tentando segurar.
O garoto parou na escada por um segundo, lançou um último olhar em direção a ele… e subiu sem dizer nada.
O silêncio que ficou foi pior.
— O que aconteceu com ele? — perguntou Heitor, agora mais sério.
Joelma suspirou, cruzando os braços.
— Desde que ele foi falar com a Laila, voltou assim. Pelo jeito, a tua bagunça atrapalhou ele também.
Lurdes completou, sem suavizar:
— No mínimo, a menina viu a irmã sofrendo e já associou ele com você. Deve estar achando que é outro sem noção igual ao tio.
Aquilo foi o limite.
Heitor passou a mão pelo rosto, já sem paciência.
— Chega. Vocês estão me culpando por uma coisa que eu não fiz.
Mas ninguém respondeu.
Porque, para eles…
ele tinha feito.
Sem esperar mais nada, ele virou as costas e saiu.
A raiva veio junto.
Misturada.
Confusa.
Direcionada para ela.
E, ao mesmo tempo… para ele mesmo.
Quando entrou no carro, fechou a porta com força, apoiando as mãos no volante por alguns segundos, respirando mais pesado do que o normal. A cabeça girava, cheia de informações soltas, acusações e dúvidas que só aumentavam.
Então falou.
Mais alto do que pretendia.
— Se ela tá com vergonha de falar da gravidez… isso só confirma que estou certo.
A frase saiu como uma tentativa de se convencer.
De se proteger.
Mas não funcionou.
Porque havia algo ali, incomodando. Persistente.
Difícil de ignorar.
E, no fundo…ele sabia.
Quando chegou em casa, não passou pela sala, não olhou nada ao redor. Seguiu direto para o escritório, como se aquele fosse o único lugar onde ainda conseguia manter algum controle. O ambiente estava silencioso, pesado, carregado pelas mesmas dúvidas que vinham se acumulando nos últimos dias.
Sem pensar muito, serviu uma dose de whisky.
Generosa.
O líquido âmbar desceu pelo copo enquanto ele caminhava até a mesa, mas o movimento desacelerou no instante em que seus olhos encontraram as fotos espalhadas. Aquelas mesmas imagens que ele vinha analisando, comparando, tentando decifrar como se fossem a resposta para algo maior.
A mascarada.
O olhar intenso. Difícil de ignorar.
A boca marcada. Familiar demais.
Heitor levou o copo à boca e deu um gole longo, quase como se precisasse daquilo para engolir o que vinha à mente. O álcool queimou, mas não o suficiente para apagar o que já estava instalado ali.
— Se a Lais for a mascarada… tanto faz — disse em voz baixa, mais firme do que realmente se sentia. — Não é da sua conta, Heitor. Para com essa obsessão.
A frase ficou no ar.
Sem resposta.
Sem efeito.
Em um movimento mais brusco do que o necessário, ele colocou o copo sobre a mesa, o som seco ecoando no silêncio do escritório. Em seguida, juntou as fotos com pressa, quase com raiva, como se pudesse apagar tudo aquilo simplesmente deixando de olhar.
Amassou algumas.
Nem percebeu.
E jogou tudo no lixo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...