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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 517

Heitor respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos em um gesto nervoso, desorganizado, como se tentasse arrumar por fora o caos que carregava por dentro.

— Me perdoa… eu tava errado. Muito errado.

Os olhos voltaram para ela.

Sem defesa.

Sem arrogância.

Sem máscara alguma.

— Eu quero você… e quero ele ou ela. Eu quero vocês.

Lais limpou o rosto com a ponta dos dedos e respondeu sem hesitar:

— É ele.

A informação atingiu Heitor de um jeito inesperado. Ele fechou os olhos por um segundo e soltou o ar, quase rindo de si mesmo.

— Eu fui um idiota, Lais. O maior babaca dessa cidade.

Passou as mãos no cabelo outra vez.

— Não era assim que eu queria descobrir que vou ser pai de um menino… mas a culpa disso tudo foi exclusivamente minha.

Ela o encarou com firmeza.

— Foi mesmo.

A sinceridade doeu.

E ele aceitou a dor sem reagir.

Virou o corpo mais para ela, diminuindo a distância entre os bancos.

— Então me dá uma chance de mudar isso. De consertar o que eu destruí. Por favor, Lais.

Ela balançou a cabeça devagar, exausta demais para se comover no ritmo que ele queria.

— Pra quê?

A voz saiu baixa, cansada, mas estável.

— Eu tô bem. A gente tá bem.

Heitor negou de imediato.

— Não é só sobre ficar bem. É porque nós nos amamos.

A frase ficou suspensa no ar.

Nua.

Arriscada.

— Ainda podemos ser a família que já deveríamos estar sendo.

Lais desviou o olhar para o para-brisa molhado.

A chuva escorria em linhas tortas, embaralhando as luzes da garagem.

— Heitor… eu tô cansada.

Voltou a encará-lo.

— Não quero conversar sobre isso agora.

Ele percebeu o esgotamento na voz dela, a pele ainda pálida, a respiração que não tinha voltado totalmente ao normal. A culpa apertou de novo.

— Então não conversa.

Disse mais calmo.

Mais cuidadoso.

— Mas você não vai embora assim.

Lais franziu a testa.

— Eu vou pra minha casa.

— Hoje não.

A resposta veio firme, sem grosseria.

— Eu não vou deixar você pegar Uber, subir sozinha e fingir que tá tudo normal depois do que aconteceu.

Ela abriu a boca para retrucar, mas ele continuou:

— Dorme aqui essa noite. No quarto de hóspedes, no meu quarto, onde você quiser. Eu fico no sofá, no chão, na portaria… tanto faz.

A fala arrancou dela um olhar surpreso.

Ele seguiu:

— Amanhã cedo eu te levo ao médico. Sem discussão.

— Heitor…

— Por favor.

Dessa vez não havia imposição.

Só pedido.

Só medo disfarçado de insistência.

Lais fechou os olhos por alguns segundos. O corpo ainda pesado, a cabeça cansada demais para outra batalha, a vontade de simplesmente deitar e apagar maior que qualquer orgulho.

Quando abriu os olhos de novo, falou quase num suspiro:

— Só por hoje.

Heitor soltou o ar que nem percebeu que prendia.

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