Heitor respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos em um gesto nervoso, desorganizado, como se tentasse arrumar por fora o caos que carregava por dentro.
— Me perdoa… eu tava errado. Muito errado.
Os olhos voltaram para ela.
Sem defesa.
Sem arrogância.
Sem máscara alguma.
— Eu quero você… e quero ele ou ela. Eu quero vocês.
Lais limpou o rosto com a ponta dos dedos e respondeu sem hesitar:
— É ele.
A informação atingiu Heitor de um jeito inesperado. Ele fechou os olhos por um segundo e soltou o ar, quase rindo de si mesmo.
— Eu fui um idiota, Lais. O maior babaca dessa cidade.
Passou as mãos no cabelo outra vez.
— Não era assim que eu queria descobrir que vou ser pai de um menino… mas a culpa disso tudo foi exclusivamente minha.
Ela o encarou com firmeza.
— Foi mesmo.
A sinceridade doeu.
E ele aceitou a dor sem reagir.
Virou o corpo mais para ela, diminuindo a distância entre os bancos.
— Então me dá uma chance de mudar isso. De consertar o que eu destruí. Por favor, Lais.
Ela balançou a cabeça devagar, exausta demais para se comover no ritmo que ele queria.
— Pra quê?
A voz saiu baixa, cansada, mas estável.
— Eu tô bem. A gente tá bem.
Heitor negou de imediato.
— Não é só sobre ficar bem. É porque nós nos amamos.
A frase ficou suspensa no ar.
Nua.
Arriscada.
— Ainda podemos ser a família que já deveríamos estar sendo.
Lais desviou o olhar para o para-brisa molhado.
A chuva escorria em linhas tortas, embaralhando as luzes da garagem.
— Heitor… eu tô cansada.
Voltou a encará-lo.
— Não quero conversar sobre isso agora.
Ele percebeu o esgotamento na voz dela, a pele ainda pálida, a respiração que não tinha voltado totalmente ao normal. A culpa apertou de novo.
— Então não conversa.
Disse mais calmo.
Mais cuidadoso.
— Mas você não vai embora assim.
Lais franziu a testa.
— Eu vou pra minha casa.
— Hoje não.
A resposta veio firme, sem grosseria.
— Eu não vou deixar você pegar Uber, subir sozinha e fingir que tá tudo normal depois do que aconteceu.
Ela abriu a boca para retrucar, mas ele continuou:
— Dorme aqui essa noite. No quarto de hóspedes, no meu quarto, onde você quiser. Eu fico no sofá, no chão, na portaria… tanto faz.
A fala arrancou dela um olhar surpreso.
Ele seguiu:
— Amanhã cedo eu te levo ao médico. Sem discussão.
— Heitor…
— Por favor.
Dessa vez não havia imposição.
Só pedido.
Só medo disfarçado de insistência.
Lais fechou os olhos por alguns segundos. O corpo ainda pesado, a cabeça cansada demais para outra batalha, a vontade de simplesmente deitar e apagar maior que qualquer orgulho.
Quando abriu os olhos de novo, falou quase num suspiro:
— Só por hoje.
Heitor soltou o ar que nem percebeu que prendia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...