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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 516

Lais mal conseguia entender o que estava acontecendo. O corpo parecia distante, pesado demais, a cabeça girando em ondas confusas. Ainda assim, reconheceu o perfume antes mesmo da voz. Reconheceu o toque antes mesmo de abrir os olhos por completo.

E isso a atingiu mais fundo do que deveria.

Piscou devagar, tentando vencer a névoa que embaralhava a visão, até encontrar o rosto acima do seu.

— Heitor…?

A voz saiu fraca.

Baixa.

Perdida.

Mas real.

Ele apertou a mandíbula ao ouvir o próprio nome nos lábios dela. O coração batia rápido demais, violento demais, e a raiva que o consumia há dias agora dividia espaço com algo pior.

Medo.

Medo de que ela desmaiasse de vez.

Medo de que alguma coisa estivesse errada com ela.

Medo de que estivesse tarde demais para tudo.

Sem responder, ajustou melhor o corpo dela nos braços e desceu do palco sob os olhares atônitos de quem ainda tentava entender se aquilo fazia parte do espetáculo ou não.

Não fazia.

Era muito mais sério que isso.

O salão inteiro se abriu à passagem dele. Alguns recuaram por instinto. Outros apenas observavam em absoluto silêncio.

Heitor caminhou direto para a saída.

Cada passo firme.

Cada músculo tenso.

Cada pensamento descontrolado.

Foi quando Jefão surgiu à frente, bloqueando o caminho ao lado de dois seguranças.

O rosto dele já não trazia humor algum.

Só alerta.

— Solta ela.

A voz veio firme.

Pesada.

Heitor não diminuiu o passo.

Também não recuou.

Parou a poucos metros, sustentando Lais nos braços, e ergueu o olhar. Os olhos estavam diferentes.

Vermelhos.

Acesos.

Perigosos.

— Eu sei quem ela é — disse, a voz baixa e carregada. — E eu vou sair com ela.

Jefão manteve a postura.

— Ninguém vai me impedir.

Ele deu um passo à frente.

A tensão se espalhou no ar como pólvora.

— Eu sou Heitor Reis. Se alguém tentar me parar… eu acabo com esse lugar usando tudo o que eu tenho.

Nenhum ruído veio do salão.

Nenhuma respiração parecia ousar se destacar.

Até a música, distante, parecia pequena demais diante da cena.

Jefão encarou Heitor por longos segundos, analisando mais do que palavras. Observou a forma como ele segurava Lais. O desespero escondido sob a raiva. A urgência real nos olhos dele.

Depois olhou para ela.

Pálida.

Fraca.

Sem condições de decidir nada naquele momento.

Então respirou fundo.

Deu um passo para o lado.

— Cuida dela.

Os seguranças também abriram passagem.

Heitor não agradeceu.

Não havia espaço para isso.

Apenas seguiu em frente, apertando Lais contra o peito e atravessando a porta da boate.

Do lado de fora, a chuva caía forte.

Fria.

Implacável.

A cidade parecia borrada atrás da cortina de água, como se até o mundo lá fora tivesse perdido nitidez.

Heitor abriu a porta traseira e acomodou Lais com cuidado no banco, sustentando o corpo dela com firmeza para que não se chocasse contra nada. Ajustou a posição dos ombros, reclinou o encosto o máximo que pôde e puxou o cinto devagar, atento para não pressionar a barriga.

Os movimentos eram precisos.

Delicados.

Cuidadosos demais para alguém que, por dentro, ainda fervia de raiva.

Raiva dela.

Raiva dele.

Raiva de tudo o que não entendia.

Lais respirava de forma irregular, os olhos semicerrados, a pele úmida e quente. Os dedos apertaram de leve o banco antes que ela conseguisse murmurar:

— Água…

A voz saiu fraca, quase se perdendo sob o barulho da chuva.

Heitor fechou a porta, contornou o carro rapidamente e entrou no banco do motorista. Ligou o motor no mesmo instante, mas não arrancou de imediato.

Virou o rosto para ela.

Dessa vez, de verdade.

Sem provocação.

Sem orgulho.

Sem nenhuma muralha entre o que sentia e o que via.

Observou a palidez, o desconforto evidente, a forma como ela lutava para se manter consciente.

A máscara ainda cobria parte do rosto, deslocada pela queda, presa apenas de um lado. Heitor levou a mão até ela devagar, com um cuidado que contrastava com a tempestade dentro dele.

Os dedos tocaram o tecido.

Sem pressa.

Sem brutalidade.

Desprendeu o acessório e o afastou de vez.

Ali estava Lais.

Sem personagem.

Sem palco.

Sem esconderijo.

O rosto livre, vulnerável, marcado pelo cansaço e pelo mal-estar… e ainda assim capaz de desarmá-lo mais do que qualquer confronto.

— Lais… — murmurou, encarando-a como se ainda precisasse confirmar o impossível.

Agora não havia mais espaço para mentira.

Nem para fuga.

Nem para dúvida.

Ele respirou fundo, controlando a própria voz antes de continuar num tom mais baixo do que costumava usar:

— Eu espero… que você não tenha sido irresponsável a ponto de beber.

A frase poderia soar dura para qualquer outro ouvido.

Mas ali não havia julgamento.

Só preocupação.

Crua.

Mal escondida.

Lais tentou abrir os olhos por completo e responder, mas apenas respirou fundo, incomodada demais para organizar palavras.

Heitor passou a mão pelo volante, tenso, e engatou a marcha.

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