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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 518

Quando chegaram ao apartamento de Heitor, o silêncio entre os dois entrou junto com eles. A porta se fechou atrás de Lais, e o contraste com a madrugada caótica pareceu quase estranho. Ali dentro, tudo era amplo, organizado, luxuoso demais… e, ainda assim, carregado de tensão.

Heitor tirou a chave do bolso e a deixou sobre o aparador antes de se virar para ela.

— Acho que seria bom você comer alguma coisa. Quer uma sopa? Ou prefere outra coisa?

Lais segurou a bolsa junto ao corpo e respondeu sem rodeios:

— Não quero nada.

Ele soltou o ar devagar, contendo a impaciência.

— Vou passar por cima da sua vontade… mais uma vez.

A última parte saiu mais baixa, quase para si mesmo.

Depois ergueu os olhos e completou:

— Mas é que você precisa comer algo.

Lais estava cansada demais para discutir.

— Tudo bem… — respondeu, com a voz baixa. — Mas primeiro eu preciso de um banho e tirar essa roupa.

O olhar de Heitor percorreu ela por um segundo. O figurino ainda moldava o corpo, a maquiagem marcada pelo desgaste da noite, os cabelos levemente bagunçados, a barriga evidente sob o tecido justo.

— Você está linda.

A frase saiu sincera demais para ser planejada.

Ele engoliu seco antes de continuar:

— A barriga já está grande… eu… posso?

Lais arqueou levemente a sobrancelha.

— Não merece.

Fez uma pausa curta, sustentando o olhar dele.

— Mas fazer o quê? Também é parte sua.

A resposta o atingiu em cheio.

Sem dizer nada, Heitor se aproximou devagar. Levou a mão até a barriga dela com cuidado, quase hesitante, como se tocasse algo sagrado demais para merecer. Os dedos deslizaram leves sobre o ventre arredondado.

Depois se abaixou.

Ficou de joelhos diante dela.

Lais prendeu a respiração sem perceber.

Heitor pousou a mão na barriga outra vez e falou num tom tímido, completamente diferente de tudo que ela conhecia nele:

— Oi, garotão… papai tá aqui agora.

Lais soltou uma risada curta, involuntária.

Ele ergueu o rosto na mesma hora.

— O que foi?

Ela afastou o olhar.

— Nada.

Mas a voz saiu fria demais.

Instantaneamente percebeu que tinha deixado a guarda baixar por um segundo.

Heitor se levantou devagar.

— Qual o nome do nosso filho?

Lais cruzou os braços.

— Nosso filho…

Repetiu as palavras com ironia amarga.

— Engraçado ouvir isso agora saindo da sua boca.

O pequeno sorriso que ainda existia no rosto dele desapareceu.

Ela continuou:

— Ainda não decidi.

Heitor respirou fundo, tentando manter o controle.

— Precisamos decidir logo. E você vai parar de dançar naquela boate.

Lais soltou uma risada sem humor.

— A vida ainda é minha.

Deu um passo para trás.

— E você disse que me trouxe pra descansar… só está me estressando.

Ele fechou os olhos por um instante.

— Tá bom. Desculpa.

A voz saiu mais baixa.

Mais contida.

— Pode tomar banho no meu banheiro. Ainda tem seus produtos lá… e algumas roupas suas também. Se nada servir e quiser algo mais confortável, pega uma camisa minha.

Lais apenas assentiu.

Heitor abriu espaço.

— Fica à vontade.

Ela caminhou em direção ao quarto sem olhar para trás. O som da porta se fechando ecoou pelo apartamento inteiro.

Heitor ficou parado no meio da sala por dois segundos.

Depois sorriu sozinho.

Um sorriso incrédulo.

Deu dois passos curtos, levantou os punhos e soltou movimentos desajeitados de comemoração, socando o ar como um adolescente idiota.

— Eu tô no jogo.

Falou para si mesmo, baixo e animado.

— Só preciso mostrar que amo ela… e que quero construir uma família.

A euforia durou pouco.

Porque a realidade voltou logo em seguida.

Ele passou a mão pelos cabelos e olhou para a porta fechada do quarto.

— Não vai ser fácil.

Ele sabia que merecia cada dificuldade que viria.

Alguns minutos depois, a porta do quarto se abriu.

Lais apareceu na sala vestindo uma camisa dele. O tecido largo cobria boa parte das pernas, as mangas dobradas de qualquer jeito, os cabelos ainda úmidos caindo pelos ombros. Sem maquiagem pesada, sem salto, sem personagem… parecia mais jovem, mais vulnerável, e perigosamente bonita.

Heitor levantou os olhos na mesma hora.

Por um instante, apenas olhou.

Ela percebeu.

— Peguei uma camisa pra ficar mais à vontade.

A voz saiu neutra, quase burocrática.

Heitor assentiu devagar.

— Você está bem melhor.

Lais arqueou a sobrancelha.

— Isso foi uma pergunta ou um elogio mal formulado?

Ele quase sorriu.

— Foi preocupação.

Fez uma pausa curta antes de corrigir:

— Quero dizer… você está se sentindo melhor?

Ela caminhou até a sala e parou próxima ao sofá.

— Sim. Depois do banho, melhorou aquela sensação estranha.

Heitor respirou fundo. Havia algo incomodando desde a boate, algo que ele não conseguia ignorar.

— Lais… é só uma pergunta.

Ela cruzou os braços.

— Lá vem.

— Você bebeu?

A reação veio imediata.

Os olhos dela endureceram.

— Sempre pensando o pior.

Deu uma risada curta, amarga.

— Pelo menos agora perguntou, né?

Ele abriu a boca para responder, mas ela continuou:

— Não. Eu não bebi. Eu sei que não posso. Diferente do que você gosta de imaginar, eu tenho responsabilidade.

Heitor passou a mão pelo rosto.

— Lais, não foi isso que eu quis dizer. Só perguntei porque fiquei preocupado.

Ela riu novamente.

Sem humor algum.

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