Lais entrou no carro tentando agir com naturalidade, mas era impossível ignorar o constrangimento que a acompanhava desde que saiu do apartamento de Heitor. Vestia uma calça larga e uma camisa dele dobrada nas mangas, roupas confortáveis demais para a situação e íntimas demais para o momento. O tecido ainda carregava o perfume dele, e isso só tornava tudo mais incômodo.
Sentou-se no banco do passageiro sem saber onde colocar as mãos.
César percebeu.
Não comentou.
Limitou-se a dar a ordem para o motorista seguir e manteve o olhar voltado para a janela por alguns segundos, tentando organizar a própria irritação antes de falar qualquer coisa.
O silêncio entre os dois não era confortável.
Era pesado.
Cheio de pensamentos diferentes ocupando o mesmo espaço.
Quem quebrou aquilo foi César.
— Lais… você não pode perdoar o Heitor depois do que ele fez.
A voz saiu controlada, mas a indignação era clara.
Lais respirou fundo antes de responder. Estava cansada demais para discutir, porém sabia que fugir do assunto só adiaria o inevitável.
— Eu não estou perdoando ninguém. Mas ele é o pai… e isso eu não posso mudar.
César virou o rosto devagar.
— Agora ele quer ser pai?
O tom veio carregado de ironia.
Lais apoiou a cabeça no banco por um instante e fechou os olhos.
— Ainda assim, continua sendo o pai. Vou tentar me dar bem com ele… mas só pelo bem do nosso filho.
A frase atingiu César mais do que ela percebeu.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, depois se aproximou um pouco e segurou a mão dela com cuidado.
— Lais… eu amo você.
As palavras entraram direto.
Sem preparação.
Sem defesa.
Ela sentiu o peito apertar no mesmo instante.
Porque César era bom.
Gentil.
Presente.
E ela sabia que não podia permitir que ele criasse esperanças em cima de algo que talvez nunca existisse.
Virou o rosto para encará-lo e retirou a mão devagar, sem brusquidão.
— César… eu nunca escondi que não estou preparada para uma relação. Acho que preciso deixar isso ainda mais claro.
A voz saiu baixa, sincera.
— Infelizmente… eu ainda amo aquele idiota.
Soltou o ar antes de continuar.
— Mas nem ele eu quero agora. Eu só quero cuidar do meu filho. Não tem espaço pra namorado, casamento… nada disso.
César ouviu tudo sem desviar o olhar.
Não havia surpresa ali.
Apenas frustração contida.
Depois de alguns segundos, assentiu de leve.
— Eu sei disso. Somos adultos, e você já me explicou antes. Não precisa se preocupar.
Fez uma pausa curta.
— Mas eu também preciso ser claro. Eu vou continuar aqui… esperando o dia em que você estiver aberta para mim.
Lais não gostou do peso daquela frase.
Não porque fosse cruel.
Mas porque era generosa demais.
E ela não sabia se algum dia conseguiria retribuir aquilo.
O carro parou diante do prédio dela antes que respondesse.
Lais abriu a porta, mas hesitou por um instante antes de sair.
Virou-se para ele.
— Obrigada… por tudo. De verdade.
César sustentou o olhar dela.
— Eu espero aqui. Depois te levo ao hospital.
Ela balançou a cabeça devagar.
— Pra evitar confusão… eu prefiro ir sozinha. E também não quero atrapalhar você.
César pensou em insistir.
Era visível.
Mas, dessa vez, conteve a própria vontade e apenas concordou com um movimento discreto.
Lais desceu do carro e fechou a porta com cuidado.
Seguiu em direção à entrada do prédio sentindo o peso de muitos problemas diferentes… e a culpa de machucar um homem que só tinha tentado cuidar dela.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...