O apartamento estava silencioso, mas não vazio. Havia uma expectativa no ar, densa, quase palpável, que parecia acompanhar cada movimento de Laís diante do espelho.
Ela girou devagar, observando o próprio reflexo com atenção. O vestido azul abraçava o corpo com delicadeza, ajustado na medida exata para valorizar suas curvas sem exagero. O tecido descia leve pelas pernas, curto o suficiente para revelar a feminilidade que ela tentava ignorar nos últimos meses, e estruturado no colo por uma armação elegante que destacava o pescoço e os ombros de forma quase hipnotizante.
A barriga, agora evidente, dava um contraste inesperado à produção. Não diminuía sua beleza. Intensificava.
Laís levou a mão ao ventre por um instante, deslizando os dedos com carinho inconsciente. O coque preso no alto da cabeça deixava seu rosto mais à mostra, revelando traços suaves, realçados por uma maquiagem leve, com a boca marcada por um tom discreto e elegante.
Ela não estava tentando impressionar.
Mas estava impossível ignorar.
Atrás dela, encostada na porta com os braços cruzados, Laila observava em silêncio. O olhar avaliava cada detalhe com uma mistura de orgulho e vigilância.
— Se ele vacilar hoje… — começou, estreitando os olhos — eu mesma atropelo.
Laís soltou uma risada baixa, sem tirar os olhos do espelho.
— Você anda muito dramática.
— Não é drama — Laila rebateu, empurrando o corpo da parede e se aproximando. — É prevenção.
Parou ao lado dela e analisou o reflexo com mais atenção.
— Tá linda.
Laís inclinou levemente a cabeça.
— Eu sei.
O tom saiu leve, mas carregava uma confiança que não aparecia há muito tempo.
Laila sorriu de lado.
— É… isso aí. Ele que lute.
Alguns minutos depois, a campainha tocou.
O coração de Laís acelerou de imediato, traindo qualquer tentativa de controle.
Ela respirou fundo, pegou a pequena bolsa sobre a cômoda e caminhou até a porta com passos firmes. Cada batida do salto contra o chão ecoava mais alto do que deveria.
Quando abriu, encontrou Heitor do outro lado.
E ele simplesmente… parou.
O olhar dele percorreu cada detalhe com uma intensidade que não tentou esconder. Começou pelo rosto, desceu pelo pescoço, passou pela armação do vestido, pela curva da barriga, pelas pernas expostas… e voltou para os olhos dela.
O olhar dele desceu sem pressa, sem pudor… como se cada detalhe precisasse ser memorizado.
A respiração dele mudou.
— Você… — começou, mas a frase morreu antes de se formar.
Passou a mão pelo próprio cabelo, tentando se recompor.
— Tá divina.
A palavra saiu baixa, carregada.
Laís sustentou o olhar por um segundo a mais do que deveria, sentindo o efeito que causava nele… e odiando o quanto aquilo ainda mexia com ela.
— Obrigada.
Simples.
Controlada.
Mas não fria.
Heitor abriu espaço para que ela passasse, mas não se afastou totalmente. Quando Laís cruzou pela porta, o perfume dele a envolveu de imediato, quente, familiar, perigoso.
Ele fechou a porta atrás dela e caminhou ao seu lado até o elevador, mantendo uma distância respeitosa… que parecia custar mais do que deveria.
No trajeto até o carro, ele abriu a porta para ela, como já vinha fazendo, mas dessa vez demorou um pouco mais segurando sua mão.
O toque foi firme.
Presente.
Carregado de intenção.
Laís se acomodou no banco sem comentar.
O caminho até o restaurante seguiu envolto em uma tensão silenciosa, densa, confortável e desconfortável ao mesmo tempo.
Nenhum dos dois sabia exatamente o que dizer.
E, pela primeira vez, isso parecia… bom.
Quando o carro parou diante do restaurante, Heitor desceu rapidamente e foi abrir a porta novamente. O lugar escolhido era sofisticado, iluminação baixa, fachada elegante e um movimento discreto que sugeria exclusividade.
Laís desceu devagar, sentindo o olhar dele sobre si outra vez.
— Eu realmente me comportei pra escolher esse lugar — ele murmurou, com um leve sorriso.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Ainda tenho dúvidas.
Ele riu baixo.
— Você vai gostar.
E, dessa vez, não havia provocação na voz.
Havia intenção.
Havia cuidado.
Havia… algo novo.
Ele a conduziu até a entrada, a mão pairando nas costas dela sem tocá-la completamente, respeitando um limite invisível que ele parecia decidido a não ultrapassar sem permissão.
Assim que entraram, foram direcionados à mesa.
Heitor puxou a cadeira para Laís, aguardando até que ela se acomodasse, e só então tomou seu lugar à frente dela.
Por um instante, o mundo pareceu desacelerar.
A luz suave destacava o brilho dos olhos dela.
E ele não desviou.
Não dessa vez.
Não mais.
O restaurante tinha aquele tipo de atmosfera que parecia feita para encontros importantes. Luz baixa, música suave ao fundo e um silêncio elegante quebrado apenas por conversas discretas e o tilintar de taças.
Laís ainda se adaptava ao ambiente quando Heitor puxou levemente a cadeira mais para perto da mesa, ajustando tudo com um cuidado quase automático. O olhar dele permanecia nela com uma intensidade difícil de ignorar, percorrendo cada detalhe como se ainda estivesse tentando se convencer de que ela realmente estava ali.
— Eu devia ter escolhido um lugar mais simples — ele comentou, apoiando os cotovelos na mesa. — Porque competir com você hoje está impossível.
Laís soltou um pequeno sorriso, desviando os olhos para o cardápio apenas para fugir da forma como ele a olhava.
— Para de exagero.
— Não estou exagerando.
A resposta veio baixa, firme… e sincera demais.
Por alguns segundos, o silêncio entre os dois carregou mais do que qualquer conversa poderia sustentar. Era um silêncio cheio, quente, perigoso.
Até que…
— Nossa… que coincidência.
A voz interrompeu o momento com uma suavidade falsa demais para ser natural.
Heitor não precisou nem virar o rosto para reconhecer.
Mas virou.
Devagar.
Eloise estava ali, impecável como sempre, segurando a mão de Augusto com a leveza de quem claramente não estava surpresa com nada. O sorriso nos lábios dela carregava um brilho provocador.
Augusto apenas ergueu uma sobrancelha, resignado.
— Coincidência mesmo — completou, sem convicção alguma.
Laís levou a mão à boca, tentando segurar a risada que ameaçava escapar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...