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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 527

O apartamento estava silencioso, mas não vazio. Havia uma expectativa no ar, densa, quase palpável, que parecia acompanhar cada movimento de Laís diante do espelho.

Ela girou devagar, observando o próprio reflexo com atenção. O vestido azul abraçava o corpo com delicadeza, ajustado na medida exata para valorizar suas curvas sem exagero. O tecido descia leve pelas pernas, curto o suficiente para revelar a feminilidade que ela tentava ignorar nos últimos meses, e estruturado no colo por uma armação elegante que destacava o pescoço e os ombros de forma quase hipnotizante.

A barriga, agora evidente, dava um contraste inesperado à produção. Não diminuía sua beleza. Intensificava.

Laís levou a mão ao ventre por um instante, deslizando os dedos com carinho inconsciente. O coque preso no alto da cabeça deixava seu rosto mais à mostra, revelando traços suaves, realçados por uma maquiagem leve, com a boca marcada por um tom discreto e elegante.

Ela não estava tentando impressionar.

Mas estava impossível ignorar.

Atrás dela, encostada na porta com os braços cruzados, Laila observava em silêncio. O olhar avaliava cada detalhe com uma mistura de orgulho e vigilância.

— Se ele vacilar hoje… — começou, estreitando os olhos — eu mesma atropelo.

Laís soltou uma risada baixa, sem tirar os olhos do espelho.

— Você anda muito dramática.

— Não é drama — Laila rebateu, empurrando o corpo da parede e se aproximando. — É prevenção.

Parou ao lado dela e analisou o reflexo com mais atenção.

— Tá linda.

Laís inclinou levemente a cabeça.

— Eu sei.

O tom saiu leve, mas carregava uma confiança que não aparecia há muito tempo.

Laila sorriu de lado.

— É… isso aí. Ele que lute.

Alguns minutos depois, a campainha tocou.

O coração de Laís acelerou de imediato, traindo qualquer tentativa de controle.

Ela respirou fundo, pegou a pequena bolsa sobre a cômoda e caminhou até a porta com passos firmes. Cada batida do salto contra o chão ecoava mais alto do que deveria.

Quando abriu, encontrou Heitor do outro lado.

E ele simplesmente… parou.

O olhar dele percorreu cada detalhe com uma intensidade que não tentou esconder. Começou pelo rosto, desceu pelo pescoço, passou pela armação do vestido, pela curva da barriga, pelas pernas expostas… e voltou para os olhos dela.

O olhar dele desceu sem pressa, sem pudor… como se cada detalhe precisasse ser memorizado.

A respiração dele mudou.

— Você… — começou, mas a frase morreu antes de se formar.

Passou a mão pelo próprio cabelo, tentando se recompor.

— Tá divina.

A palavra saiu baixa, carregada.

Laís sustentou o olhar por um segundo a mais do que deveria, sentindo o efeito que causava nele… e odiando o quanto aquilo ainda mexia com ela.

— Obrigada.

Simples.

Controlada.

Mas não fria.

Heitor abriu espaço para que ela passasse, mas não se afastou totalmente. Quando Laís cruzou pela porta, o perfume dele a envolveu de imediato, quente, familiar, perigoso.

Ele fechou a porta atrás dela e caminhou ao seu lado até o elevador, mantendo uma distância respeitosa… que parecia custar mais do que deveria.

No trajeto até o carro, ele abriu a porta para ela, como já vinha fazendo, mas dessa vez demorou um pouco mais segurando sua mão.

O toque foi firme.

Presente.

Carregado de intenção.

Laís se acomodou no banco sem comentar.

O caminho até o restaurante seguiu envolto em uma tensão silenciosa, densa, confortável e desconfortável ao mesmo tempo.

Nenhum dos dois sabia exatamente o que dizer.

E, pela primeira vez, isso parecia… bom.

Quando o carro parou diante do restaurante, Heitor desceu rapidamente e foi abrir a porta novamente. O lugar escolhido era sofisticado, iluminação baixa, fachada elegante e um movimento discreto que sugeria exclusividade.

Laís desceu devagar, sentindo o olhar dele sobre si outra vez.

— Eu realmente me comportei pra escolher esse lugar — ele murmurou, com um leve sorriso.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Ainda tenho dúvidas.

Ele riu baixo.

— Você vai gostar.

E, dessa vez, não havia provocação na voz.

Havia intenção.

Havia cuidado.

Havia… algo novo.

Ele a conduziu até a entrada, a mão pairando nas costas dela sem tocá-la completamente, respeitando um limite invisível que ele parecia decidido a não ultrapassar sem permissão.

Assim que entraram, foram direcionados à mesa.

Heitor puxou a cadeira para Laís, aguardando até que ela se acomodasse, e só então tomou seu lugar à frente dela.

Por um instante, o mundo pareceu desacelerar.

A luz suave destacava o brilho dos olhos dela.

E ele não desviou.

Não dessa vez.

Não mais.

O restaurante tinha aquele tipo de atmosfera que parecia feita para encontros importantes. Luz baixa, música suave ao fundo e um silêncio elegante quebrado apenas por conversas discretas e o tilintar de taças.

Laís ainda se adaptava ao ambiente quando Heitor puxou levemente a cadeira mais para perto da mesa, ajustando tudo com um cuidado quase automático. O olhar dele permanecia nela com uma intensidade difícil de ignorar, percorrendo cada detalhe como se ainda estivesse tentando se convencer de que ela realmente estava ali.

— Eu devia ter escolhido um lugar mais simples — ele comentou, apoiando os cotovelos na mesa. — Porque competir com você hoje está impossível.

Laís soltou um pequeno sorriso, desviando os olhos para o cardápio apenas para fugir da forma como ele a olhava.

— Para de exagero.

— Não estou exagerando.

A resposta veio baixa, firme… e sincera demais.

Por alguns segundos, o silêncio entre os dois carregou mais do que qualquer conversa poderia sustentar. Era um silêncio cheio, quente, perigoso.

Até que…

— Nossa… que coincidência.

A voz interrompeu o momento com uma suavidade falsa demais para ser natural.

Heitor não precisou nem virar o rosto para reconhecer.

Mas virou.

Devagar.

Eloise estava ali, impecável como sempre, segurando a mão de Augusto com a leveza de quem claramente não estava surpresa com nada. O sorriso nos lábios dela carregava um brilho provocador.

Augusto apenas ergueu uma sobrancelha, resignado.

— Coincidência mesmo — completou, sem convicção alguma.

Laís levou a mão à boca, tentando segurar a risada que ameaçava escapar.

— Isso não foi coincidência nenhuma.

As meninas se entreolharam.

E começaram a rir.

Sem disfarce.

Sem vergonha.

Laís tentou segurar.

De verdade.

Mas a cena era absurda demais.

A gargalhada escapou.

Heitor inclinou-se levemente na direção dela, o olhar fixo, intenso.

— Laís.

Ela levantou as mãos em rendição, ainda sorrindo.

— Eu não tenho nada a ver com isso.

Ele não acreditou.

Nem por um segundo.

Os olhos dele a analisaram com calma.

Demais.

— Não tem graça?

Laís sustentou o olhar.

O sorriso ainda presente.

Quente.

Provocador.

— Tem graça sim.

Fez uma pausa leve.

— Eu adorei.

O canto da boca dele puxou em um quase sorriso, mas havia desafio ali.

Heitor se inclinou ainda mais, aproximando o rosto do dela o suficiente para que apenas ela ouvisse:

— Vamos mudar de mesa.

A voz saiu baixa, rouca.

Quase íntima.

Laís não recuou.

Não desviou.

Apenas respondeu, tranquila:

— Vamos, para uma maior.

E foi ali…

No meio do caos, das risadas e da “coincidência” mais mal planejada do mundo…

Heitor entendeu.

Aquilo não era um jantar.

Era um campo de batalha.

E, dessa vez… ele não tinha como sair.

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