O caminho até o carro seguiu leve, ainda carregado das risadas e provocações que tinham ficado para trás no restaurante, mas, conforme o silêncio começou a se instalar entre eles, algo mudou de forma quase imperceptível. Não foi brusco, nem evidente demais… foi sutil, como um fio de tensão que se estica devagar. A maneira como ele a olhava, mais atento do que deveria. A forma como ela evitava aquele olhar… e, ao mesmo tempo, não evitava o suficiente.
Heitor abriu a porta para Laís com cuidado, segurando a mão dela no processo, e o toque demorou um segundo a mais do que o necessário, firme, presente, carregado de intenção.
— Devagar…
— Não estou doente. — ela respondeu, mas não soltou a mão de imediato.
Ele apenas assentiu, os olhos ainda presos nos dela.
O carro seguiu pela cidade iluminada, o reflexo das luzes deslizando pelo rosto dela, pelo colo marcado pelo vestido azul, pela curva evidente da barriga que, de alguma forma, a deixava ainda mais bonita. Heitor desviou o olhar algumas vezes, como se estivesse tentando manter algum tipo de controle… mas não estava funcionando.
Quando pararam em frente ao prédio dela, Laís levou a mão ao cinto, pronta para sair, mas ele não arrancou. Ficou ali, observando, como se ainda não estivesse pronto para encerrar aquele momento.
— Você está cansada — ele disse mais baixo.
— Um pouco.
Ele assentiu devagar, como se tomasse uma decisão ali mesmo, naquele instante.
— Vem comigo.
Laís virou o rosto na mesma hora, o olhar mudando.
— Pra onde?
— Minha cobertura.
A reação foi imediata. Defensiva. Atenta.
— Heitor…
— Calma — ele interrompeu, sem pressa, a voz controlada de um jeito que contrastava com a tensão evidente no corpo dele. — Eu só quero te mostrar uma coisa.
Ela cruzou os braços, desconfiada.
— O quê?
Ele sustentou o olhar, sem fugir.
— O quarto.
O silêncio que se seguiu foi curto, mas carregado.
— Eu comecei a montar.
Aquilo a pegou desprevenida de verdade. A resistência não desapareceu, mas enfraqueceu o suficiente para abrir uma brecha.
— Só isso? — ela provocou, tentando recuperar o controle.
Ele se inclinou levemente na direção dela, os olhos escurecendo.
— Só isso… por enquanto.
O tom fez algo dentro dela reagir contra toda lógica, contra todo orgulho que ainda tentava manter de pé. Laís desviou o olhar por um segundo… e acabou cedendo.
— Tá.
A cobertura estava silenciosa quando entraram, iluminada apenas pelo necessário. O espaço amplo parecia mais íntimo naquela penumbra, mais fechado, mais perigoso. Heitor não acendeu todas as luzes, guiando-a devagar pelo corredor até parar diante de uma porta.
Ele abriu.
O quarto ainda não estava pronto, mas já existia. Cores suaves começando a tomar forma, alguns móveis montados, outros ainda embalados, detalhes espalhados que denunciavam tentativa, cuidado… intenção.
Laís ficou parada na entrada, o peito apertando sem aviso.
— Você fez isso…?
— Estou fazendo — ele respondeu, sem tirar os olhos dela.
Ela respirou fundo, passando a mão pela barriga, como se precisasse se ancorar em algo real.
— Você é impossível.
— Eu sei.
O silêncio que caiu entre eles não era leve. Era denso, quente, carregado de tudo que ainda não tinha sido resolvido. Heitor se aproximou devagar, sem pressa, sem tocar, até estar perto o suficiente para sentir a respiração dela misturar com a dele.
— Eu senti sua falta…
A voz saiu baixa, sem defesa, sem orgulho.
Os olhos dela subiram lentamente até encontrar os dele… e, dessa vez, ela não desviou. A mão dela tocou o peito dele primeiro, leve, quase sem perceber, mas firme o suficiente para dizer mais do que qualquer palavra.
Heitor ficou imóvel por um segundo, absorvendo aquilo, permitindo, antes de levar a mão ao rosto dela, encaixando com cuidado, como se qualquer movimento errado pudesse quebrar aquele momento frágil demais.
E então beijou.
Devagar, profundo, sem pressa… mas cheio de tudo que tinha ficado guardado tempo demais.
Laís respondeu sem resistência, sem distância, e o beijo ganhou força aos poucos, as mãos dele descendo pela lateral do corpo dela com firmeza contida, respeitosa… mas carregada de desejo que já não era possível esconder.
— Você está linda… — ele murmurou contra os lábios dela.
Ela soltou um suspiro baixo, o corpo reagindo antes da razão, os dedos apertando a camisa dele como se precisasse se segurar.
— Heitor…
O nome saiu diferente, mais fraco, mais verdadeiro.
Ele deslizou o rosto pelo pescoço dela, deixando beijos lentos, sentindo a pele quente reagir ao toque, e a respiração dela falhou, descompassada, entregando o quanto aquele momento já não estava mais sob controle.
— Eu pensei em você todos os dias…
As mãos dela se perderam no cabelo dele, puxando de leve, o corpo respondendo antes de qualquer decisão consciente.
— Não faz isso… — ela tentou, mas a própria voz não sustentou a tentativa.
Ele não parou, mas também não avançou além do que ela permitia, encostando a testa na dela, a respiração pesada, os olhos presos nos dela.
— Me manda parar… que eu paro.
O silêncio que se seguiu foi intenso, quase insuportável. O coração dela batia rápido demais, os pensamentos confusos demais… mas a resposta veio, baixa, quase um sussurro.
— Não para.
E ele não parou.
Heitor não se afastou.
Também não avançou.
Ficou ali, próximo o suficiente para sentir a respiração dela bater contra a própria boca, quente, irregular, traindo o controle que Laís tentava manter.
A mão dele ainda segurava o rosto dela com cuidado, o polegar deslizando devagar pela pele, num gesto que não tinha pressa… mas tinha intenção.
— Você não faz ideia do que você faz comigo… — ele murmurou, a voz baixa, rouca, quase um sussurro.
Laís fechou os olhos por um segundo.
Tentando recuperar o equilíbrio.
Não conseguiu.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...