A manhã já tinha começado, mas o dia parecia pesado demais para ser ignorado. Heitor desceu apressado para a entrada do prédio, o olhar varrendo o espaço com inquietação. O movimento da rua seguia normal demais para alguém que sentia o peito apertado daquele jeito.
Ela não estava ali.
Ele passou a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos, e pegou o celular. Discou o número de Laís mais uma vez, levando o aparelho ao ouvido com a esperança irracional de que, dessa vez, ela atenderia.
Chamou.
Chamou de novo.
E caiu na caixa postal.
Heitor fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, como se precisasse se conter para não sair correndo sem direção.
Talvez… ela só precisasse de tempo.
Talvez fosse isso.
Ele abaixou o celular devagar, tentando se convencer de que não podia pressionar mais naquele momento. Não depois de tudo.
Não depois da noite.
Virou-se e voltou entrando no prédio, ainda inquieto, mas forçando a própria mente a desacelerar. Precisava pensar. Precisava agir direito dessa vez.
Já dentro do apartamento, decidiu tomar um banho, na tentativa de aliviar a tensão que parecia grudada na pele. A água quente caiu sobre o corpo, mas não foi suficiente para acalmar o turbilhão que ainda girava dentro dele.
Assim que saiu, pegou o celular novamente.
E ligou para a mãe.
— Mãe… tenho novidades.
Do outro lado da linha, a resposta veio imediata, carregada daquele tom direto que ele conhecia bem.
— Espero que seja o que eu estou pensando. Você se humilhou pra Laís, lambeu os pés dela e, por um milagre de Deus, ela aceitou você de volta.
Heitor soltou uma risada curta, balançando a cabeça.
— Ave Maria, mãe…
Passou a mão pelo cabelo ainda úmido, tentando conter o próprio sorriso.
— Marca com a Joelma um almoço no domingo. Vai fazer sol. Eu vou mandar montar um buffet lá no jardim… e aí conto a novidade direito.
Houve um pequeno silêncio antes da resposta dela vir mais suave.
— Eu acertei, pra te ver feliz assim. E, pelo jeito… só pode ser ela mesmo na sua vida.
Ele apoiou o celular no ouvido, caminhando de um lado para o outro.
— É melhor do que isso, mãe.
Fez uma pausa breve.
— E avisa a Joelma que eu quero o Henrique lá também. É obrigatório.
— Vamos tentar — ela respondeu, já rindo.
A ligação foi encerrada.
Mas a tranquilidade durou pouco.
Heitor voltou a olhar para o celular.
E tentou de novo.
Ligou.
Nada.
Mandou mensagem.
→ “Só queria saber se você chegou bem.”
→ “Me liga quando puder… a gente precisa conversar.”
→ “Me diz o que eu preciso fazer pra te provar que te amo… e que não vou volta a ser um babaca.”
As mensagens ficaram lá.
Sem resposta.
Sem visualização.
Aquilo começou a incomodar de verdade.
Não era só silêncio.
Era ausência.
Foi então que ele lembrou.
Laila.
Procurou o número rapidamente e ligou.
— Oi, Laila. Aqui é o Heitor.
Do outro lado, a resposta veio seca.
— Eu sei, né, Heitor.
Ele soltou um meio sorriso, passando a mão na nuca.
— É… verdade.
Respirou fundo antes de continuar.
— Eu liguei pra saber se a Laís já chegou em casa.
O silêncio que veio em seguida não foi bom.
— O quê? — Laila respondeu, a voz mudando na hora. — Você não trouxe ela em casa?
A irritação veio carregada.
— Você está maluco? Ela está grávida!
Heitor fechou os olhos, sentindo o peso daquilo.
— Eu sei… eu sei, Laila. Ela não deixou. Saiu com raiva, eu fui atrás… mas precisei subir pra me vestir.
Passou a mão pelo rosto, frustrado.
— Desculpa.
— Porra, o que você fez pra ela estar assim? — Laila disparou.
— Nada… quer dizer… isso nem vem ao caso agora — ele respondeu rápido. — Eu só preciso saber se ela está bem.
Mais silêncio.
Pior do que antes.
— Ela não chegou aqui — Laila disse, agora séria. — Faz muito tempo que ela saiu?
O coração dele apertou.
— Faz… tempo demais.
Ele respirou fundo, sentindo a culpa bater forte.
— Eu sou um idiota.
— Isso a gente já sabe — ela respondeu, sem suavizar.
Ele soltou um ar curto.
— Vou desligar. Vou atrás… ver se encontro o táxi que ela saiu.
— Me avisa — Laila disse na mesma hora.
— Pode deixar. Eu vou trazer ela em segurança.
A ligação foi encerrada.
E, dessa vez, não havia mais espaço para calma.
Heitor correu até o quarto, vestindo uma camisa às pressas, os movimentos rápidos, desorganizados, carregados de urgência.
Pegou as chaves.
Saiu.
A paciência tinha acabado ali.
Minutos depois, o carro já avançava pelas ruas da cidade rápido demais, ignorando qualquer tentativa racional de desacelerar. A raiva tinha assumido o volante junto com ele.
Quando estacionou diante do prédio da empresa Fonseca, saiu sem esperar o manobrista sequer terminar de falar.
Entrou na recepção como uma tempestade.
A funcionária atrás do balcão ergueu os olhos assustada ao vê-lo se aproximar daquele jeito.
— Eu quero ver César Fonseca. Agora.
Ela piscou algumas vezes, claramente nervosa.
— O senhor… tem horário marcado?
Heitor apoiou as duas mãos no balcão, inclinando-se levemente.
— Meu nome é Heitor Reis.
O tom saiu frio.
Perigoso.
— Você sabe quem eu sou?
A mulher engoliu seco.
— S-sim, senhor.
— Então acho melhor me deixar entrar agora.
Ela digitou alguma coisa às pressas no computador e pegou um cartão de visitante.
— D-desculpa… aqui está.
Heitor arrancou o cartão da mão dela sem responder e seguiu direto para os elevadores.
A subida pareceu lenta demais.
Cada segundo aumentava ainda mais a irritação queimando dentro dele.
Quando as portas finalmente se abriram no último andar, ele saiu sem hesitar.
Uma assistente se levantou rapidamente ao vê-lo.
— Senhor Reis, o senhor pode aguardar um momento. O senhor César está em reunião agora—
— Onde fica a sala dele?
Ela apontou nervosa para o corredor envidraçado.
— Ali… mas—
Heitor não esperou o resto.
Caminhou direto até a sala de vidro no fim do corredor e viu César sentado à mesa, falando alguma coisa para alguns executivos.
A porta foi aberta com força.
O ambiente inteiro silenciou.
César ergueu os olhos imediatamente, visivelmente surpreso.
— Heitor?
Foi a única coisa que conseguiu dizer.
Porque, no segundo seguinte…
O soco veio antes de qualquer reação.
Direto.
Limpo.
Sem aviso.
E acertou o rosto de César em cheio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...