Lá fora, a chuva começou a cair pesada, constante, como se o céu finalmente desabasse depois de segurar demais. Dentro do apartamento, o silêncio já não era mais vazio. Era carregado. Era inquieto. Era o tipo de silêncio que anunciava que algo estava errado… e ninguém ainda sabia exatamente o quê.
Heitor voltou a pegar o celular, os dedos mais rápidos do que o raciocínio, e enviou outro áudio no grupo.
— Ok, meninas… vocês sabem de algum lugar que a Laís poderia ir pra pensar?
A resposta veio quase imediata.
Mas, dessa vez, não era mais brincadeira.
O grupo explodiu.
Só que agora… com preocupação.
→ “Heitor, o que está acontecendo?”
→ “A Laís sumiu?”
→ “Já procurou no apartamento?”
→ “Você falou com a Laila?”
→ “Tô indo pra casa dela.”
Heitor passou a mão pelo rosto antes de responder, tentando manter o controle que já começava a escapar.
— Meninas, calma… eu tô aqui com a Laila. O que sabemos é que o César deixou ela aqui pela manhã. Eu conheço a Laís… ela deve ter saído pra pensar. A gente só precisa descobrir onde.
A mensagem foi enviada.
O silêncio durou poucos segundos.
Até que—
— Eu sei.
A voz de Laila veio firme, cortando tudo.
Heitor virou na hora.
— Onde?
Ela já pegava a chave.
— Vem comigo.
Os dois desceram rápido demais para qualquer conversa. O elevador parecia lento, o tempo parecia errado, tudo parecia fora do lugar. Quando entraram no carro, a chuva já caía forte, pesada, batendo no vidro com violência.
O trajeto foi feito quase em silêncio.
Só o som da chuva.
E da respiração tensa dos dois.
Quando o carro parou, Heitor franziu o cenho.
Cemitério.
Laila saiu primeiro, olhando ao redor, claramente perdida.
— Eu não lembro exatamente onde… faz muito tempo que eu não venho aqui.
Heitor não respondeu.
Já estava saindo do carro.
— Calma. Vai na secretaria, vê se tem alguém. Eu procuro.
Ela correu na direção de uma pequena casa próxima à entrada.
Heitor entrou no cemitério sem hesitar, a chuva encharcando a camisa, os sapatos afundando levemente no chão molhado.
O peito apertava a cada passo.
— Laís! — chamou, a voz ecoando entre os túmulos. — Laís!
O vento engoliu o som da voz dele.
E o silêncio respondeu no lugar.
Alguns metros da onde ele estava...
Encharcada pela chuva, de joelhos diante do túmulo dos pais, Lais falou, a voz embargada pelas lágrimas:
— Agora ele quer o filho... E talvez… a mim.
Fechou os olhos por um instante.
— Será que consigo perdoar?
E então —
Heitor a viu.
De joelhos.
Sozinha.
Encharcada.
Diante de um túmulo.
O coração dele falhou uma batida.
Ele correu.
Sem pensar.
Sem medir.
Sem nada além dela.
— Laís! — chamou, já chegando perto. — Laís, meu amor… vem, está chovendo muito.
Ele segurou os braços dela, tentando levantá-la com cuidado, o toque urgente, desesperado.
Ela ergueu o rosto devagar.
Os olhos perdidos.
— Heitor…
Foi a única coisa que conseguiu dizer.
E então o corpo cedeu.
Mole.
Pesado.
Ele a segurou antes que caísse no chão.
— Laís!
O nome saiu em desespero.
Sem resposta.
Ele a pegou no colo sem pensar, apertando contra o peito, tentando proteger, tentando aquecer, tentando… manter.
Correu de volta.
A chuva batendo mais forte.
O coração mais rápido.
O medo… finalmente real.
Quando chegou ao carro, Laila já estava lá, assustada.
— Meu Deus!
— Hospital. Agora — Heitor disse, sem espaço para discussão.
Laila abriu a porta, ele deitou Laís com cuidado no banco, ajeitando o corpo dela com pressa, mas tentando não machucar.
Laila entrou atrás, já puxando o cinto sobre o corpo de Laís.
Heitor deu a volta e entrou no carro, ligando o motor com movimentos rápidos demais.
Ligou o ar quente.
— Pega esse paletó… cobre ela — falou, apontando.
Laila fez na mesma hora.
O carro arrancou.
Rápido.
Sem cuidado com a chuva.
— Mandou bem.
Ele baixou o olhar por um instante, absorvendo aquilo.
— Só fiz o meu papel.
Fez uma pausa curta.
— De marido… e de pai do filho dela.
A frase caiu no ar.
Pesada.
Silenciosa.
Porque nenhuma delas ignorou o detalhe.
Aquilo ainda não era uma realidade.
Mas, mesmo assim… ele já agia como se fosse.
E isso atingiu todas.
De formas diferentes.
Nathalia foi a primeira a quebrar o clima, cruzando os braços e soltando um suspiro exagerado.
— Olha só… o cachorro virou homem de família.
Heitor deixou escapar um riso curto, sem humor.
— O que um filho não faz…
Alana balançou a cabeça, com um sorriso leve.
— Quando isso tudo acabar… promete que vai escolher um nome pra esse bebê.
As meninas riram.
A tensão diminuiu.
Só um pouco.
Eloise manteve a mão no ombro dele, firme.
— Ela vai ficar bem.
A confiança na voz dela não era à toa.
Era escolha.
Era apoio.
E, naquele momento, era exatamente o que ele precisava.
Heitor assentiu devagar.
Mas não respondeu.
Porque ainda não conseguia acreditar totalmente nisso.
E foi nesse instante…
Que a porta da emergência se abriu.
O médico surgiu no corredor, tirando as luvas com calma, o olhar percorrendo o grupo até parar em Heitor.
— Quem é o responsável pela paciente Laís Rodrigues?
O silêncio caiu de novo.
Mas, dessa vez…
Mais pesado.
Mais decisivo.
Heitor deu um passo à frente.
Sem hesitar.
— Eu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...