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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 533

Lá fora, a chuva começou a cair pesada, constante, como se o céu finalmente desabasse depois de segurar demais. Dentro do apartamento, o silêncio já não era mais vazio. Era carregado. Era inquieto. Era o tipo de silêncio que anunciava que algo estava errado… e ninguém ainda sabia exatamente o quê.

Heitor voltou a pegar o celular, os dedos mais rápidos do que o raciocínio, e enviou outro áudio no grupo.

— Ok, meninas… vocês sabem de algum lugar que a Laís poderia ir pra pensar?

A resposta veio quase imediata.

Mas, dessa vez, não era mais brincadeira.

O grupo explodiu.

Só que agora… com preocupação.

→ “Heitor, o que está acontecendo?”

→ “A Laís sumiu?”

→ “Já procurou no apartamento?”

→ “Você falou com a Laila?”

→ “Tô indo pra casa dela.”

Heitor passou a mão pelo rosto antes de responder, tentando manter o controle que já começava a escapar.

— Meninas, calma… eu tô aqui com a Laila. O que sabemos é que o César deixou ela aqui pela manhã. Eu conheço a Laís… ela deve ter saído pra pensar. A gente só precisa descobrir onde.

A mensagem foi enviada.

O silêncio durou poucos segundos.

Até que—

— Eu sei.

A voz de Laila veio firme, cortando tudo.

Heitor virou na hora.

— Onde?

Ela já pegava a chave.

— Vem comigo.

Os dois desceram rápido demais para qualquer conversa. O elevador parecia lento, o tempo parecia errado, tudo parecia fora do lugar. Quando entraram no carro, a chuva já caía forte, pesada, batendo no vidro com violência.

O trajeto foi feito quase em silêncio.

Só o som da chuva.

E da respiração tensa dos dois.

Quando o carro parou, Heitor franziu o cenho.

Cemitério.

Laila saiu primeiro, olhando ao redor, claramente perdida.

— Eu não lembro exatamente onde… faz muito tempo que eu não venho aqui.

Heitor não respondeu.

Já estava saindo do carro.

— Calma. Vai na secretaria, vê se tem alguém. Eu procuro.

Ela correu na direção de uma pequena casa próxima à entrada.

Heitor entrou no cemitério sem hesitar, a chuva encharcando a camisa, os sapatos afundando levemente no chão molhado.

O peito apertava a cada passo.

— Laís! — chamou, a voz ecoando entre os túmulos. — Laís!

O vento engoliu o som da voz dele.

E o silêncio respondeu no lugar.

Alguns metros da onde ele estava...

Encharcada pela chuva, de joelhos diante do túmulo dos pais, Lais falou, a voz embargada pelas lágrimas:

— Agora ele quer o filho... E talvez… a mim.

Fechou os olhos por um instante.

— Será que consigo perdoar?

E então —

Heitor a viu.

De joelhos.

Sozinha.

Encharcada.

Diante de um túmulo.

O coração dele falhou uma batida.

Ele correu.

Sem pensar.

Sem medir.

Sem nada além dela.

— Laís! — chamou, já chegando perto. — Laís, meu amor… vem, está chovendo muito.

Ele segurou os braços dela, tentando levantá-la com cuidado, o toque urgente, desesperado.

Ela ergueu o rosto devagar.

Os olhos perdidos.

— Heitor…

Foi a única coisa que conseguiu dizer.

E então o corpo cedeu.

Mole.

Pesado.

Ele a segurou antes que caísse no chão.

— Laís!

O nome saiu em desespero.

Sem resposta.

Ele a pegou no colo sem pensar, apertando contra o peito, tentando proteger, tentando aquecer, tentando… manter.

Correu de volta.

A chuva batendo mais forte.

O coração mais rápido.

O medo… finalmente real.

Quando chegou ao carro, Laila já estava lá, assustada.

— Meu Deus!

— Hospital. Agora — Heitor disse, sem espaço para discussão.

Laila abriu a porta, ele deitou Laís com cuidado no banco, ajeitando o corpo dela com pressa, mas tentando não machucar.

Laila entrou atrás, já puxando o cinto sobre o corpo de Laís.

Heitor deu a volta e entrou no carro, ligando o motor com movimentos rápidos demais.

Ligou o ar quente.

— Pega esse paletó… cobre ela — falou, apontando.

Laila fez na mesma hora.

O carro arrancou.

Rápido.

Sem cuidado com a chuva.

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