O médico analisou o grupo por alguns segundos, claramente percebendo a tensão estampada em cada rosto diante dele. A preocupação ali não era discreta. Era visível, pesada, quase coletiva.
Ele respirou fundo antes de falar, adotando um tom profissional, mas menos rígido.
— Ela teve uma queda de pressão.
O silêncio que vinha sendo sustentado com esforço se quebrou na mesma hora.
— O corpo dela já está mais sensível por causa da gestação… somado ao frio, ao estresse e ao cansaço, acabou desencadeando o desmaio.
Fez uma pausa breve, olhando diretamente para Heitor.
— Mas o bebê está bem.
Foi o suficiente.
O ar voltou.
Os ombros relaxaram.
Eloise fechou os olhos por um segundo, aliviada. Nathalia levou a mão ao peito, Alana soltou um suspiro audível. Sofia e Emma trocaram um olhar rápido, como se confirmassem que o pior não tinha acontecido.
Laila apenas assentiu, ainda séria, mas claramente menos tensa.
O médico continuou:
— Ela pode ter sentido nervosismo excessivo, preocupação acumulada… esse tipo de situação afeta muito mais durante a gravidez do que parece.
Então voltou o olhar para Heitor.
Mais direto agora.
— Você pode me acompanhar? Quero passar algumas recomendações.
Heitor não hesitou.
— Claro.
Seguiu o médico pelo corredor, em silêncio, a cabeça ainda tentando processar tudo que tinha acontecido desde a manhã. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior, não pelo cansaço… mas pelo peso da responsabilidade que começava a se tornar impossível de ignorar.
Quando chegaram ao quarto, o médico abriu a porta.
Laís já estava acordada.
Deitada na maca, o olhar ainda cansado, o corpo visivelmente mais frágil do que ele queria admitir.
E, quando viu Heitor…
Ela travou.
Por um segundo.
Curto.
Mas suficiente.
Ele parou ao lado da cama, sem saber exatamente o que fazer. Não avançou demais. Não recuou. Apenas ficou ali, próximo o bastante para mostrar presença… distante o bastante para respeitar o espaço que ela ainda mantinha entre os dois.
O médico entrou logo atrás, quebrando o silêncio que começava a se formar.
— Então, vamos conversar um pouco?
A voz dele mudou de tom.
Mais firme.
Mais sério.
— O que aconteceu hoje foi um alerta.
Ele olhou diretamente para Laís.
— Seu corpo está pedindo equilíbrio. E você não está respeitando isso.
Laís manteve o olhar nele, quieta.
— Caminhar sob chuva, se expor ao frio, se alimentar de forma irregular, somar isso com estresse emocional… tudo isso aumenta o risco de novos episódios.
Fez uma pausa, deixando a informação assentar.
— A partir de agora, repouso relativo.
Olhou para Heitor.
— Caminhadas leves, em horários adequados. Alimentação equilibrada, com redução de industrializados. E, principalmente… menos carga emocional.
O olhar voltou para os dois.
— Gravidez não combina com desgaste constante.
O silêncio no quarto ficou mais pesado.
Mais consciente.
— Eu não quero ver você aqui de novo por algo que poderia ser evitado — completou, sem suavizar.
Heitor assentiu.
— Vou ficar de olho nela a partir de agora.
Laís o encarou depois virou o rosto para o médico
- Vou me cuida, doutor.
Ele relaxou levemente o tom.
— Fora isso, está tudo bem. O bebê está saudável.
Mais uma pausa.
— E você também… desde que comece a se cuidar de verdade.
Fechou o prontuário.
— Vou deixar vocês um momento.
O médico saiu do quarto sem pressa, fechando a porta atrás de si.
E então…
O silêncio voltou.
Mas não era o mesmo de antes.
Era mais íntimo.
Mais verdadeiro.
Cheio de coisas não ditas… e outras que já não podiam mais ser ignoradas.
Ele permaneceu ao lado da cama, olhando para ela sem esconder nada dessa vez.
Sem máscara.
Sem controle.
Apenas presença.
Laís desviou o olhar primeiro.
Não por fraqueza.
Mas porque olhar para ele… Ainda mexia demais.
Heitor foi o primeiro a quebrar aquilo.
A voz saiu mais baixa do que o normal.
Mais sincera.
— Você me deu um susto.
Laís manteve o olhar nele por um segundo antes de responder.
— Não foi a intenção.
Ele soltou um leve suspiro, passando a mão pelo rosto, ainda assimilando tudo.
— Ir para um cemitério em um dia de chuva não parece uma decisão muito inteligente… você não acha?
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios dela.
— Talvez.
Heitor ergueu uma sobrancelha.
— Talvez, Laís Rodrigues?
Ela riu.
De verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...