Capítulo 56
O silêncio que ficou depois da porta bater parecia pesar mais do que qualquer palavra.
Augusto continuava parado no mesmo lugar, o maxilar contraído, os olhos fixos em um ponto qualquer da mesa.
Eloise cruzou os braços, recostando-se na parede.
— Não vai me dizer que esse foi o café da manhã mais… agradável que você já teve? — tentou provocar, mas o tom soou mais cauteloso do que queria.
Ele desviou o olhar para ela, e por um instante, os olhos verdes pareciam mais frios do que nunca.
— Não brinque com isso, Eloise.
— Com o quê? — ela ergueu uma sobrancelha. — Com a ex-noiva que apareceu aqui sem ser convidada ou com o fato de você ter me chamado de “namorada” na cara dela?
— Com o que ela é capaz de fazer. — A voz saiu baixa, grave, carregada de uma firmeza que fez Eloise engolir em seco.
Por um momento, ela não respondeu. Observava-o como quem tentava decifrar um enigma perigoso.
— Você fala como se…
— Como se conhecesse bem o inimigo? — ele cortou, sem esperar a conclusão. — É exatamente isso.
Eloise se aproximou um passo, mas manteve uma distância segura.
— Então me diz o que aconteceu de verdade.
Augusto soltou um riso breve, sem humor, e passou a mão pelo cabelo.
— Um dia, talvez. Hoje… não.
— E até lá, eu faço o quê? — perguntou, frustrada. — Finjo que nada aconteceu?
Ele a encarou de forma intensa, como se a resposta fosse óbvia.
— Até lá, você fica perto de mim. Sempre.
O tom não deixava espaço para discussão, mas deixava espaço demais para que o coração dela acelerasse — e não apenas de medo.
Eloise respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.
— Ninguém ousa resumir você a nada, Eloise. E quem tentar… vai ter que lidar comigo.
— Augusto… — ela tentou argumentar, mas a voz falhou quando ele segurou seu queixo, obrigando-a a manter os olhos nos dele.
— Eu não misturo negócios com qualquer pessoa. Mas você… — a mão dele deslizou lentamente até a nuca dela, num toque firme. — Você já está misturada demais na minha vida pra eu fingir que é só trabalho.
Por alguns segundos, ficaram em silêncio, apenas respirando o mesmo ar. E, apesar do receio ainda latejando no peito dela, o olhar dele deixava claro que não havia volta.
Augusto manteve o olhar cravado no dela, o polegar roçando suavemente a linha do maxilar.
— Então vamos fazer um trato — disse, com a voz baixa, grave. — Você cuida da sua reputação… e eu cuido de deixar claro pra todo mundo que você está comigo porque quer.
Antes que Eloise pudesse protestar, ele inclinou-se, encurtando a distância até que seus lábios tocassem os dela com lentidão. Não era um beijo voraz como na noite anterior — mas sim um beijo carregado de intenção, como uma assinatura invisível de algo que não poderia mais ser desfeito.
Ela sentiu o calor se espalhar pelo corpo, a respiração acelerar e, mesmo quando ele se afastou alguns centímetros, os olhos verdes continuaram segurando-a no lugar.
— Fim de discussão — murmurou. — Agora… vai tomar seu café antes que eu resolva que a gente não precisa de café da manhã.
O sorriso que surgiu nos lábios dele era quase perigoso. E, naquele instante, Eloise teve a certeza: eles tinham cruzado uma linha da qual não haveria retorno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...