Os dias seguintes passaram de forma estranha.
Não porque algo tivesse acontecido.
Mas justamente porque nada acontecia.
Nenhuma mensagem.
Nenhuma ligação.
Nenhum café entregue de surpresa.
Nenhuma corrida ao final do expediente.
Nenhum Enzo.
E aquilo estava começando a incomodar mais do que Alana gostaria de admitir.
Ela tentava ocupar a mente com trabalho. Tentava focar nos processos, nas reuniões e nos clientes. Mas, vez ou outra, percebia as amigas trocando olhares estranhos.
Pequenos demais para chamar atenção.
Mas frequentes demais para serem ignorados.
Emma parecia nervosa toda vez que o nome do irmão surgia em alguma conversa.
Sofia era a pior de todas.
Porque não sabia mentir.
E claramente estava escondendo alguma coisa.
Na quinta-feira, depois de flagrá-la olhando o celular e sorrindo sozinha pela terceira vez, Alana finalmente perdeu a paciência.
— O que está acontecendo?
Sofia levantou os olhos.
— Nada.
— Mentira.
— Alana...
— Sofia.
A advogada suspirou.
— Eu não estou escondendo nada.
— Você acabou de piscar três vezes seguidas.
— E desde quando isso significa alguma coisa?
— Desde que eu trabalho para você.
Sofia abriu a boca.
Fechou.
E mudou de assunto tão rápido que só deixou Alana mais desconfiada.
O problema era que ninguém falava nada.
Absolutamente nada.
E isso estava começando a deixá-la louca.
Naquela mesma noite, depois de um dia particularmente difícil, Alana entrou no carro sem pensar muito.
Dirigiu.
Sem destino.
Sem plano.
Apenas dirigiu.
Quando percebeu onde estava, já era tarde demais.
O restaurante de Enzo.
As luzes estavam acesas.
O movimento do jantar seguia normalmente.
Clientes entravam e saíam.
Funcionários circulavam pelo salão.
Tudo parecia exatamente igual.
Mas não era.
Porque ela não estava lá.
E ele também não.
Ou pelo menos não ao lado dela.
Alana estacionou do outro lado da rua.
Permaneceu dentro do carro observando a fachada iluminada.
Em silêncio.
Os dedos apertaram o volante.
O coração acelerou.
Porque bastava atravessar a rua.
Era só isso.
Entrar.
Encontrá-lo.
Conversar.
Mas, de repente, aquilo pareceu impossível.
O orgulho ainda doía.
O medo também.
E se ele não quisesse vê-la?
E se tivesse seguido em frente?
E se ela fosse a única sofrendo daquela forma?
Os olhos começaram a arder.
Ela desviou o olhar da fachada.
— Talvez ele nem queira mais me ver...
Sussurrou para si mesma.
A frase ficou suspensa dentro do carro por alguns segundos.
Pesada.
Dolorosa.
Real.
Então ligou o veículo novamente.
Respirou fundo.
E arrancou com o carro antes que encontrasse coragem para atravessar a rua.
Sem saber que, naquele mesmo instante, do outro lado da janela do segundo andar, alguém a observava partir.
E sentia exatamente o mesmo medo.
A sexta-feira chegou mais rápido do que Alana gostaria.
A semana tinha sido estranha. Longa. Silenciosa. E emocionalmente cansativa. Ainda assim, ela seguiu sua rotina normalmente. Tomou café, se arrumou para o trabalho e dirigia em direção ao escritório quando o celular começou a vibrar sem parar no suporte do carro.
O grupo das meninas.
Alana sorriu automaticamente.
Porque, quando aquelas mulheres começavam a conversar logo cedo, normalmente era sinal de problema.
Ou diversão.
Às vezes os dois.
No semáforo, ela olhou rapidamente para a tela.
A primeira mensagem era de Eloise.
-> "Se preparem. Amanhã vamos participar de uma corrida."
A reação foi imediata.
Laís:
-> "O quê?"
Emma:
-> "Correr em um sábado? Tá louca?"
Nathalia:
-> "Eu correr? Nunca."
As meninas escondiam sorrisos enquanto respondiam. Porque aquilo não tinha absolutamente nada a ver com corrida.
Ou pelo menos não apenas com corrida.
Era parte do plano.
Eloise, naquele momento, estava se divertindo muito mais do que deveria.
Alana estacionou no prédio da empresa, pegou a bolsa e respondeu antes mesmo de sair do carro.
-> "Estou com a Nathalia."
A resposta de Eloise veio imediatamente.
-> "Eu escrevi nosso grupo em uma corrida, fiz uma aposta e nós vamos ganhar."
Segundos depois, Sofia entrou na conversa.
-> "Estou dentro."
Laís apareceu logo em seguida.
-> "Peraí. Aposta?"
Agora Nathalia parecia interessada.
-> "Valendo o quê? Porque comecei a me interessar."
Alana revirou os olhos.
-> "Aposta e corrida? Tô fora."
Aquela resposta arrancou várias risadas silenciosas das conspiradoras.
Então Eloise decidiu atacar onde sabia que funcionaria.
-> "Ainda não posso dizer o que está valendo. Mas é algo importante."
Pausa.
-> "Importante para mim."
Outra pausa.
-> "E para todas nós."
Aquilo funcionou exatamente como ela imaginava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...