O jantar terminou num clima tranquilo, quase acolhedor. O pai e Eloise conversaram sobre coisas simples — lembranças da infância, comentários sobre vizinhos antigos, histórias de quando ela ainda vivia sob aquele teto.
Assim que ele pousou os talheres, Eloise se levantou primeiro.
— Pode deixar a cozinha comigo hoje, pai. Vai descansar.
Ele ergueu a sobrancelha, como se fosse protestar, mas logo cedeu com um gesto.
— Só porque você pediu, filha. — Levantou-se e seguiu até a sala, ajeitando-se na poltrona perto da janela, o livro em mãos. A televisão permanecia ligada, exibindo o som baixo de um noticiário que logo se misturaria à novela da noite.
Na cozinha, Eloise encheu a pia de água morna e começou a lavar os pratos. O barulho da torneira corria junto com o tilintar suave da louça, mas, dentro dela, os pensamentos faziam mais barulho que qualquer panela.
Será que devia ligar?
Mandar uma mensagem?
Só para saber se ele estava em casa… ou se também pensava nela?
Mordeu o lábio, distraída, enquanto passava a esponja num prato já limpo. Se deu conta quando quase deixou a água transbordar da pia. Riu sozinha, balançando a cabeça.
— Me controle, Eloise… — murmurou baixinho.
Terminou de arrumar a cozinha e, para espantar a ansiedade, preparou um café fresco. O aroma se espalhou pelo ambiente, aquecendo a casa. Serviu em duas xícaras e levou até a sala.
— Pai… — ela se aproximou, entregando uma delas. — Café pra acompanhar a leitura.
Ele aceitou, sorrindo. — Obrigado, filha. Ainda sabe cuidar do velho aqui.
Ela se acomodou no sofá, apoiando o celular na mesinha lateral, tentando ignorar o impulso de pegá-lo a cada segundo.
— E o livro, é bom?
— É interessante. Mas, confesso, prefiro quando você senta pra comentar junto. — Ele respondeu, tomando o primeiro gole.
Eloise sorriu, mudando o canal da TV para uma novela qualquer. A imagem colorida piscava na tela, mas os olhos dela, vez ou outra, desviavam para o pai. Observava-o em silêncio, como se quisesse guardar aquele instante simples, quase raro, dentro da memória.
O barulho suave da novela mal prendia sua atenção quando o celular vibrou na mesinha. Eloise piscou, saindo dos próprios devaneios.
Por um instante, hesitou.
Não vou correr para olhar… pensou, tentando manter a compostura. Pode nem ser ele… que boba.
Mas o coração acelerou. Fingiu indiferença, tomou mais um gole de café… até que o aparelho vibrou de novo.
O pai, do outro lado da sala, ergueu os olhos por cima do livro, com aquele ar curioso.
— Esse celular vai ficar vibrado na mesa, Eloise.
Ela riu, sem graça. — Só estou dando um tempo…
— Tempo pra quem? — ele perguntou, com a voz carregada de malícia paternal.
— Pra ninguém, pai. — respondeu rápido, levantando a xícara como desculpa. — Pro café.
Ele soltou uma risada curta e voltou para a leitura, mas Eloise sabia que estava sendo observada.
Eloise:
Arrogante.
Augusto Monteiro:
Você adora.
Ela sentiu o rosto esquentar.
Eloise:
Quem disse?
Augusto Monteiro:
Se não gostasse… não estaria sorrindo agora.
Eloise soltou uma gargalhada contida, levando a mão à boca, mas era tarde demais. O pai fechou o livro devagar e a encarou.
— Aposto que não foi a novela. — disse, divertido.
— Nada demais, pai. — respondeu, corando, escondendo o celular no colo.
Mas o sorriso não saía. Um sorriso de quem estava perdida, mas não queria ser encontrada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...