O celular vibrou de novo. Eloise abriu, e a mensagem era curta, mas carregada de algo que ela ainda não sabia nomear.
Augusto Monteiro:
Boa noite. Dorme bem, meu anjo, de preferência pensando em mim.
O coração dela deu um salto. Não havia arrogância ali, só um cuidado inesperado. Anjo. O apelido caiu como um afago silencioso, íntimo demais para não a desarmar.
Mordeu o lábio, lutando contra a vontade de sorrir ainda mais largo. Digitou devagar, sem jeito:
Eloise:
Boa noite, Augusto.
Guardou o celular no colo, mas a sensação ficou. Uma leveza estranha, quente, como se tivesse recebido um abraço à distância.
...
Do outro lado da cidade.
Augusto Monteiro estava sentado na varanda, a camisa branca aberta no peito. Entre os dedos, um copo de whisky. O gelo tilintava contra o vidro, mas o sabor forte parecia fraco comparado ao que queimava por dentro.
O apartamento estava mergulhado em penumbra. A cidade se estendia diante dele, um mar de luzes espalhadas pelo horizonte, mas nada parecia suficiente para preencher o silêncio ao redor.
Passava o polegar pelo copo de vidro, distraído, enquanto os pensamentos iam e vinham.
Podia estar em qualquer lugar do mundo, no comando de qualquer sala de reunião, mas ali, sozinho, se descobria vulnerável de uma forma que não sabia explicar.
Um homem de 1,92, forte, sempre no controle. Mas agora, não.
Agora, ele se sentia refém de algo que não conseguia negociar, nem prever.
Fechou os olhos por um instante, lembrando do sorriso dela, do jeito como ela mordia o lábio quando tentava disfarçar a ironia.
Um sorriso que, de alguma forma, tinha se infiltrado nos lugares mais blindados do coração dele.
Ela é diferente.
Deixou escapar um riso breve, quase cansado, como se estivesse debochando de si mesmo.
— Augusto Monteiro… — murmurou, balançando a cabeça. — Um império inteiro nas mãos, e com medo do que sente por uma mulher.
Ergueu o olhar para o céu nublado, onde quase não se viam estrelas, e percebeu algo estranho:
pela primeira vez em muito tempo, não queria lutar contra esse medo.
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Eloise apagou a luz do quarto e se enfiou sob os lençóis.
Antes de deixar o celular na mesinha de cabeceira, abriu a tela mais uma vez.
Os olhos correram pelas últimas mensagens, mas foi aquela que ficou presa nela:
Assustada, ela deixou o objeto cair no chão, o som seco ecoando como um aviso.
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Eloise abriu os olhos de repente, sentando-se na cama, o coração disparado.
O quarto estava escuro, silencioso, apenas o relógio digital piscando na mesa de cabeceira.
Leveu a mão ao peito, tentando recuperar o fôlego. A respiração saía curta, quase trêmula, como se o corte ainda estivesse lá, ardendo.
— Só foi um sonho… — murmurou, mas a sensação de perda queimava dentro dela como se tivesse sido real.
Encostou a cabeça no travesseiro de novo, tentando fechar os olhos. Virou para um lado, depois para o outro, mas o silêncio só fazia o coração bater mais alto, lembrando a dor, o sangue, a imagem se despedaçando.
Não conseguiu.
Estendeu a mão e pegou o celular.
A tela ainda mostrava a última mensagem dele:
“Dorme bem, meu anjo.”
Por um instante, ficou imóvel, olhando aquelas palavras como se fossem um bálsamo contra o pesadelo.
Fechou os olhos, encostando o aparelho contra o peito, tentando convencer a si mesma de que o coração não estava pregando peças.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...