Além das Máscaras .
Eloise respirou fundo, tentando acalmar o coração que disparava. Se continuasse vermelha daquele jeito, ele iria vencer. E ela não podia permitir.
Soltou o lençol de repente e o encarou, os olhos faiscando de desafio.
— Engraçado… — disse, arqueando uma sobrancelha. — Quem diria que Augusto Monteiro, o temido, sabia rir?
Augusto piscou, surpreso por um instante, antes de soltar outra risada curta.
— Está insinuando que eu não tenho senso de humor, senhorita Nogueira?
— Não estou insinuando — ela retrucou, erguendo o queixo. — Estou afirmando. Essa foi a primeira vez que ouvi você rir de verdade… e, sinceramente, acho que devia agradecer a mim por isso.
Ele inclinou a cabeça, ainda sorrindo, como se avaliasse cada palavra dela.
— Agradecer? — repetiu, com um tom entre ironia e curiosidade. — Então agora você vai me dizer que é responsável pela minha boa disposição?
— Claro — Eloise respondeu, cruzando os braços, cada vez mais ousada. — Ontem à noite eu tirei sua máscara de gelo, e hoje de manhã fiz você rir. Se não fosse eu, você ainda estaria trancado naquele castelo de arrogância.
Augusto arqueou uma sobrancelha, divertido, e riu outra vez. Um riso baixo, sincero, que só reforçava a provocação dela.
— Você é insolente, Eloise — disse, balançando a cabeça. — E tem coragem de usar isso contra mim.
— Não coragem — ela corrigiu, mordendo o lábio com malícia. — Estratégia. Porque agora sei que você não é tão inquebrável quanto parece.
Por um instante, o olhar dele escureceu, o sorriso diminuindo, como se aquelas palavras tocassem fundo demais. Mas logo voltou a rir, como se preferisse manter o jogo.
— Cuidado, Eloise — murmurou, aproximando-se de novo. — Se continuar me desafiando assim, vai descobrir que nem todo riso é sinal de fraqueza.
Ela sustentou o olhar, provocante.
— E talvez descubra que nem toda provocação é sinal de rendição.
O silêncio seguinte foi carregado, mas agora com outra energia: não era apenas desejo, era também o jogo de dois que começavam a se reconhecer além do fogo.
Augusto levantou-se da beira da cama, ainda em cueca, e foi até o closet com a naturalidade de quem não se importava em exibir-se. Pegou uma calça de alfaiataria, vestiu-a sem pressa, e depois olhou para Eloise com um meio sorriso.
Quando o carro estacionou, ela franziu o cenho. Não era um restaurante de luxo nem um hotel cinco estrelas. Era uma cafeteria discreta, de fachada simples, com mesas de madeira rústica na calçada e cheiro de café fresco escapando pela porta entreaberta.
Augusto desligou o carro e desceu, dando a volta para abrir a porta dela.
— Vem.
Eloise o seguiu, intrigada.
— Você… vem aqui? — perguntou, surpresa, olhando para o lugar modesto demais para o homem que ela conhecia.
Augusto não respondeu. Apenas fitou a fachada simples da cafeteria, como se ela carregasse memórias que Eloise não podia alcançar. O olhar distante, quase melancólico, dizia mais do que qualquer explicação.
Eloise percebeu algo raro ali: uma sombra de tristeza, talvez saudade. Foi então que entendeu — Augusto Monteiro não era apenas o CEO frio e controlador. Ele era um homem, com passado, com dores, com lembranças que o moldaram.
Ele abriu a porta da pequena cafeteria para que ela entrasse, e o aroma forte de café fresco os envolveu.
Ela se sentou na mesa ao lado dele, sem dizer nada. Porque, naquele instante, descobriu que o silêncio ao lado dele podia ser mais íntimo do que qualquer confissão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...