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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 73

O Sabor do Silêncio.

A cafeteria era pequena, mas acolhedora. As mesas de madeira já gastas pelo tempo, as paredes de tijolinhos e o aroma forte de café fresco criavam uma atmosfera diferente de qualquer ambiente que Eloise imaginaria para Augusto Monteiro.

Ela caminhou até a mesa que ele havia escolhido e se sentou, ainda surpresa. A garçonete, uma senhora de cabelos grisalhos, trouxe a xícara de café sem que ele precisasse pedir. Um detalhe simples, mas que dizia muito.

Eloise observou curiosa: o jeito como ele segurava a porcelana entre os dedos, como se fosse um ritual, e a forma com que os ombros dele relaxavam um pouco, perdendo a rigidez de sempre.

Era como se, naquele espaço, Augusto respirasse diferente.

— Então é aqui que o poderoso Monteiro se esconde… — ela comentou, arqueando uma sobrancelha, mas com o tom leve, quase brincalhão.

Ele apenas a olhou por cima da xícara e esboçou um sorriso curto, sem dar nenhuma resposta. E, estranhamente, isso foi o bastante para deixá-la mais intrigada.

Eloise apoiou o queixo na mão, observando ao redor.

— Confesso que eu esperava outra coisa… sei lá, um restaurante de luxo, um hotel cinco estrelas. Mas uma cafeteria simples? Não combina com você.

Augusto pousou a xícara de volta no pires com calma. O olhar verde a encontrou, intenso, mas sem agressividade.

— E o que combina comigo, na sua opinião? — perguntou, a voz baixa, rouca, carregada de ironia.

Ela abriu um sorriso atrevido.

— Gravatas caras, reuniões intermináveis e aquela cara fechada de quem nunca se permite rir.

Ele inclinou a cabeça, e por um segundo, algo entre irritação e diversão brilhou em seus olhos.

— Cuidado com a língua, Eloise.

— Só estou dizendo a verdade — ela devolveu, firme, mas com um riso curto.

O silêncio voltou a se instalar, mas não era desconfortável. Havia um peso diferente ali, como se o lugar tivesse o poder de arrancar dele algo que ninguém mais conseguia.

Um som de gargalhada interrompeu o momento. Na mesa ao lado, uma criança derrubara chocolate quente sobre o tampo, e ria alto do desastre, enquanto a mãe tentava limpar com guardanapos.

Eloise olhou a cena com um sorriso espontâneo, mas quando voltou o olhar para Augusto, flagrou-o distraído. O café diante dele permanecia intocado por alguns segundos, enquanto os olhos verdes se perdiam na cena ao lado.

Havia ali uma sombra no olhar dele — algo que Eloise não sabia nomear. Talvez saudade. Talvez dor. Mas era suficiente para fazê-la entender que Augusto Monteiro não era apenas o homem frio e controlador que todos viam.

Ela não perguntou nada. Apenas respirou fundo e tomou um gole de seu próprio café, deixando o silêncio falar por eles.

Eloise, então, pensou consigo mesma:

"Ali, entre o café simples e o silêncio carregado, ela percebeu que conhecer Augusto Monteiro seria muito mais difícil — e perigoso — do que imaginava."

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O carro deslizou pelas ruas tranquilas, e Eloise mantinha os olhos fixos na janela. A cidade parecia mais silenciosa do que o normal, mas o coração dela batia alto demais para que o mundo lá fora tivesse importância.

— Pai, eu… acabei ficando na casa da Nathalia.

O olhar dele se estreitou.

— Dormindo fora? Sem avisar? Você sabe como eu fiquei preocupado?

Ela suspirou, caminhando até ele.

— Eu sei. E me desculpa. Não era minha intenção te preocupar.

Ele deixou o silêncio pesar por alguns segundos antes de balançar a cabeça.

— Eloise, você é minha filha. Não importa a sua idade, eu nunca vou deixar de me preocupar. O mundo lá fora não é simples. — a voz dele baixou, mais suave agora. — Eu só não quero te perder também.

As últimas palavras ficaram suspensas no ar, carregadas de dor e lembranças não ditas. Eloise sentiu um nó na garganta, mas se aproximou e abraçou o pai com força.

— Eu entendo, pai, me desculpe. — murmurou contra o ombro dele. — Obrigada por se preocupar.

Ele afagou os cabelos dela, respirando fundo.

— Não quero briga. Só quero que você se cuide.

Eloise sorriu, com os olhos marejados, e assentiu em silêncio.

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