Entre a Chuva e o Fogo
O salto de Eloise ecoava pelo corredor até o elevador. O vestido em tom neutro, de corte elegante, moldava sua silhueta com sobriedade, sem exageros. O salto médio dava-lhe postura firme, os cabelos soltos em ondas e o batom discreto completavam a imagem da secretária impecável — embora o coração batesse mais rápido do que queria admitir.
Na mesa, como de costume, mergulhou na rotina: abriu a agenda de couro, revisou compromissos, respondeu e-mails e encaminhou relatórios. Cada detalhe cumprido com precisão, como se a disciplina fosse um escudo contra o caos que rondava por dentro.
Às 8h em ponto, o elevador soou. As portas se abriram, e Augusto Monteiro surgiu.
Imponente.
O terno alinhado, a gravata sóbria, cada movimento emanando autoridade. Um homem que carregava poder no andar e fazia qualquer olhar feminino se perder.
Mas, para Eloise, algo estava diferente.
Não havia celular em suas mãos. Apenas um copo de plástico, que tilintava com cubos de gelo.
Ele parou diante da mesa dela. Os olhos verdes encontraram os dela.
— Bom dia, senhorita Nogueira.
O tom grave, direto, fez o estômago dela se contrair. Eloise endireitou a postura.
— Bom dia, senhor Monteiro.
Ele estendeu o copo.
— É pra você.
Ela piscou, confusa, antes de aceitar. O frio do plástico denunciava o conteúdo. Café gelado.
Da lanchonete da Sofia.
Exatamente o que ela tomava todas as manhãs.
Eloise ergueu os olhos, surpresa.
— Como…?
Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios dele.
— Não se acostume.
O coração dela disparou. Apertou o copo como se fosse a âncora que a impedia de perder o chão.
Augusto apenas inclinou a cabeça em direção à porta de vidro de sua sala.
— Estou perguntando se vai almoçar comigo, Eloise.
O nome dito daquela forma a atingiu em cheio. Ela soltou uma risada nervosa, tentando se recompor.
— Eu não sei o que está acontecendo.
Ele recostou-se na cadeira, braços cruzados, olhar intenso.
— Quando se entra na chuva… — murmurou. — não adianta tentar ficar seco.
As palavras a silenciaram. O peso do que ele insinuava era mais forte do que queria admitir.
Eloise soltou o ar devagar, balançando a cabeça.
— Você ainda vai me deixar louca, Monteiro.
O sorriso dele se alargou, satisfeito. Voltou os olhos para o contrato, como se nada tivesse sido dito.
— Essa é a ideia, senhorita Nogueira.
Eloise tentou manter a compostura, mas o coração martelava no peito, denunciando uma verdade impossível de esconder: o controle estava longe de ser dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...