Portas Fechadas
Na hora do almoço, Augusto apareceu em sua mesa com a intenção clara de chamá-la. Mas Eloise se adiantou:
— Vou aproveitar para ver meu pai hoje. Preciso almoçar com ele. — disse em tom firme, antes que ele pudesse falar algo.
Não era mentira. Passou o tempo com o pai, dividindo a refeição simples, rindo das histórias dele. Mas, no fundo, só queria fugir do peso que Augusto carregava em seus olhos.
Quando voltou ao trabalho, jogou-se de cabeça em relatórios e e-mails, evitando cruzar o olhar com ele. Fingiu naturalidade, mas cada vez que sentia a porta da sala dele se abrir, seu coração parecia errar o compasso.
Por volta das cinco da tarde, o telefone da mesa tocou.
— Senhorita Nogueira. — a voz grave soou do outro lado. — Preciso que venha até minha sala. Agora.
Eloise fechou os olhos por um instante, respirando fundo, antes de se levantar. Os saltos ecoaram pelo piso do corredor. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior.
Quando empurrou a porta, encontrou Augusto sentado atrás da mesa, as mangas da camisa arregaçadas, o olhar verde fixo nela com intensidade.
Não parecia apenas trabalho.
Era um chamado.
Augusto fechou o notebook devagar, o olhar preso nela.
— Está fugindo de mim, Eloise? — perguntou, a voz grave, cortando o silêncio da sala.
Ela umedeceu os lábios, tentando manter a calma.
— Fugindo? Não sei do que está falando. Só estive… ocupada.
Ele se levantou, contornando a mesa com passos lentos, mas firmes.
— Ocupada desde o almoço? — ironizou. — Engraçado, pensei que fosse só coincidência me evitar desde a reunião da manhã.
O coração dela acelerou.
— Não é nada disso…
Augusto parou diante dela, próximo o bastante para que o perfume amadeirado o envolvesse. A postura dele era imponente, mas o olhar… o olhar queimava.
— Então o que é? — murmurou, a voz baixa, quase rouca. — Está com medo do que aconteceu antes da reunião?
Eloise abriu a boca para responder, mas nada saiu. Tentou recuar, mas o corpo não obedeceu. Não quando era ele.
A mão dele tocou suavemente o braço dela, impedindo-a de dar o passo atrás.
— Eu senti você tremer. — disse, o tom mais grave agora. — Mas não foi de medo.
O ar entre eles ficou denso, carregado. Cada respiração parecia um convite perigoso.
Eloise fechou os olhos por um instante, tentando recuperar o controle. Mas o corpo traía cada esforço: a pele arrepiada, o coração acelerado, o calor que a tomava inteira só com a proximidade dele.
Quando abriu os olhos, encontrou os dele fixos, verdes, intensos, como se a despisse em silêncio.
O silêncio era ensurdecedor.
O clima, inevitável.
— Então me diga que quer. — pediu, baixo, intenso. — Diga que quer ir embora… e eu deixo você sair.
O silêncio que se seguiu foi insuportável. Eloise tentou formar as palavras, mas a boca não obedeceu. Em vez disso, o olhar dela se ergueu para o dele — e naquele instante, a luta acabou.
As mãos dela se prenderam ao paletó dele, puxando-o para mais perto. Augusto a envolveu de imediato, firme, como se estivesse apenas esperando a rendição.
O beijo veio como um incêndio contido, quente, urgente, roubando o ar de ambos. Não havia mais desculpas, nem barreiras, nem a sombra das palavras do pai dele. Só o fogo deles dois, queimando até apagar qualquer outra verdade.
Ele a conduziu lentamente até o sofá do escritório, sem interromper o beijo. O corpo dela cedeu sob o peso do desejo, as mãos explorando os ombros, os braços, como se quisesse memorizar cada linha dele.
Augusto a deitou com cuidado, o corpo se encaixando ao dela com naturalidade perigosa. O calor aumentava a cada toque, cada carícia profunda, cada gemido abafado contra os lábios do outro.
O mundo lá fora deixou de existir. Só havia a penumbra do escritório, o cheiro de café e perfume amadeirado misturados, o tilintar distante do relógio na parede.
Eloise se agarrou a ele como se fosse sua única âncora, e Augusto correspondeu com a intensidade de um homem que, por um instante, não era CEO, não era frio, não era calculista. Era apenas desejo, puro e arrebatador.
Ali, no sofá do escritório, eles se amaram com urgência e silêncio, como se o tempo fosse inimigo e cúmplice ao mesmo tempo.
Enquanto, atrás das portas fechadas, Eloise e Augusto se perdiam um no outro, em outro ponto da cidade Thamires Santana ajustava o batom vermelho diante do espelho.
O olhar refletido não era apenas belo — era sombrio, frio, calculista.
Com um sorriso que não alcançava os olhos, ela guardou o celular na bolsa.
Ela tinha uma certeza
— O jogo só está começando... e eu voltei para ganhar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...