Entre Sombras e Silêncios
O restaurante era discreto, afastado do centro da cidade. As paredes em meia-luz e o som suave de jazz abafavam qualquer conversa mais atenta. Perfeito para quem queria não ser visto.
Thamires Santana estava sentada em uma mesa já impaciente, o vestido elegante realçando sua postura confiante. Ele entrou e não procurou por ela, caminhou direto à sua mesa.
Um homem com terno escuro, expressão neutra. Nada nele chamava atenção — e talvez fosse exatamente essa a intenção.
— Está atrasado. — disse Thamires sem rodeios.
Ele não respondeu, apenas observou enquanto ela retirava um pequeno pendrive da bolsa e o girava entre os dedos. O objeto parecia brilhar sob a luz fraca, mas ela o segurava com a naturalidade de quem não tinha pressa.
— Tem certeza do que está fazendo? — perguntou ele, a voz baixa, direta.
Os lábios de Thamires se curvaram em um sorriso frio.
— Eu nunca faço nada sem ter certeza.
Ele estendeu a mão. Ela depositou o pendrive com elegância, como se entregasse uma joia rara.
— Isso pode mudar muita coisa. — murmurou o homem, olhando para o objeto antes de escondê-lo no bolso do paletó.
— É exatamente essa a intenção. — respondeu ela, inclinando-se para frente. Os olhos dela brilhavam, mas não de doçura. Eram lâminas afiadas.
Por um instante, o silêncio se instalou entre os dois. Apenas o tilintar de uma colher contra a xícara em uma mesa distante parecia preencher o ar.
Ele a encarou.
— E se alguém descobrir?
Thamires apoiou o queixo na mão, como quem se diverte com uma criança ingênua.
— Descobrir não é o problema. O problema é quem vão culpar quando descobrirem.
O homem arqueou a sobrancelha, mas não insistiu. Sabia que ela não revelaria mais do que queria.
Ela pegou a bolsa, levantando-se com a mesma calma com que havia chegado.
— Agora é com você.
Ele a acompanhou apenas com os olhos, enquanto o som dos saltos dela se afastava.
Na porta, antes de sair, Thamires olhou de relance para o reflexo no vidro. O sorriso dela era impecável, mas vazio.
Uma certeza atravessava seus pensamentos como um veneno doce:
O jogo tinha começado.
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Longe das armadilhas e do perigo, o escritório ainda carregava o cheiro do encontro deles. A respiração de Eloise permanecia acelerada, e os olhos verdes de Augusto estavam fixos nela como se nada além dela importasse.
Ele a segurava contra o peito, os dedos firmes na cintura, o corpo ainda quente do que tinham acabado de compartilhar.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, Augusto hesitou.
— Eloise… — murmurou, a voz mais grave que o normal. — Me fala uma coisa…
Eloise saiu apressada do escritório, o coração em descompasso. Nem se preocupou em disfarçar, agarrou a bolsa, os relatórios empilhados, e atravessou o corredor com passos rápidos, quase tropeçando nos próprios saltos.
Cada fibra do corpo gritava para fugir.
Quando Augusto terminou de vestir a camisa e saiu atrás dela, já era tarde. O elevador estava aberto, pronto para descer.
— Eloise! — a voz dele ecoou pelo hall, grave, mas ela não se virou.
Entrou no elevador, apertou o botão e manteve os olhos fixos na frente, tentando controlar a respiração.
As portas começaram a se fechar.
Foi então que ela ergueu o olhar — e encontrou os olhos verdes dele do outro lado.
Por um instante, o mundo parou.
Ele, de pé no hall, o corpo tenso, as mãos cerradas.
Ela, dentro da caixa metálica, com o peito arfando e os olhos marejados.
Não disseram nada. Não precisaram.
As portas se fecharam devagar, cortando o fio invisível que ainda os prendia.
E quando o elevador começou a descer, Eloise sentiu as pernas fraquejarem.
Lá em cima, sozinho no hall, Augusto manteve-se imóvel, encarando o vazio, como se tivesse acabado de perder algo que não sabia como recuperar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...