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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 80

Entre Sombras e Silêncios

O restaurante era discreto, afastado do centro da cidade. As paredes em meia-luz e o som suave de jazz abafavam qualquer conversa mais atenta. Perfeito para quem queria não ser visto.

Thamires Santana estava sentada em uma mesa já impaciente, o vestido elegante realçando sua postura confiante. Ele entrou e não procurou por ela, caminhou direto à sua mesa.

Um homem com terno escuro, expressão neutra. Nada nele chamava atenção — e talvez fosse exatamente essa a intenção.

— Está atrasado. — disse Thamires sem rodeios.

Ele não respondeu, apenas observou enquanto ela retirava um pequeno pendrive da bolsa e o girava entre os dedos. O objeto parecia brilhar sob a luz fraca, mas ela o segurava com a naturalidade de quem não tinha pressa.

— Tem certeza do que está fazendo? — perguntou ele, a voz baixa, direta.

Os lábios de Thamires se curvaram em um sorriso frio.

— Eu nunca faço nada sem ter certeza.

Ele estendeu a mão. Ela depositou o pendrive com elegância, como se entregasse uma joia rara.

— Isso pode mudar muita coisa. — murmurou o homem, olhando para o objeto antes de escondê-lo no bolso do paletó.

— É exatamente essa a intenção. — respondeu ela, inclinando-se para frente. Os olhos dela brilhavam, mas não de doçura. Eram lâminas afiadas.

Por um instante, o silêncio se instalou entre os dois. Apenas o tilintar de uma colher contra a xícara em uma mesa distante parecia preencher o ar.

Ele a encarou.

— E se alguém descobrir?

Thamires apoiou o queixo na mão, como quem se diverte com uma criança ingênua.

— Descobrir não é o problema. O problema é quem vão culpar quando descobrirem.

O homem arqueou a sobrancelha, mas não insistiu. Sabia que ela não revelaria mais do que queria.

Ela pegou a bolsa, levantando-se com a mesma calma com que havia chegado.

— Agora é com você.

Ele a acompanhou apenas com os olhos, enquanto o som dos saltos dela se afastava.

Na porta, antes de sair, Thamires olhou de relance para o reflexo no vidro. O sorriso dela era impecável, mas vazio.

Uma certeza atravessava seus pensamentos como um veneno doce:

O jogo tinha começado.

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Longe das armadilhas e do perigo, o escritório ainda carregava o cheiro do encontro deles. A respiração de Eloise permanecia acelerada, e os olhos verdes de Augusto estavam fixos nela como se nada além dela importasse.

Ele a segurava contra o peito, os dedos firmes na cintura, o corpo ainda quente do que tinham acabado de compartilhar.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, Augusto hesitou.

— Eloise… — murmurou, a voz mais grave que o normal. — Me fala uma coisa…

Eloise saiu apressada do escritório, o coração em descompasso. Nem se preocupou em disfarçar, agarrou a bolsa, os relatórios empilhados, e atravessou o corredor com passos rápidos, quase tropeçando nos próprios saltos.

Cada fibra do corpo gritava para fugir.

Quando Augusto terminou de vestir a camisa e saiu atrás dela, já era tarde. O elevador estava aberto, pronto para descer.

— Eloise! — a voz dele ecoou pelo hall, grave, mas ela não se virou.

Entrou no elevador, apertou o botão e manteve os olhos fixos na frente, tentando controlar a respiração.

As portas começaram a se fechar.

Foi então que ela ergueu o olhar — e encontrou os olhos verdes dele do outro lado.

Por um instante, o mundo parou.

Ele, de pé no hall, o corpo tenso, as mãos cerradas.

Ela, dentro da caixa metálica, com o peito arfando e os olhos marejados.

Não disseram nada. Não precisaram.

As portas se fecharam devagar, cortando o fio invisível que ainda os prendia.

E quando o elevador começou a descer, Eloise sentiu as pernas fraquejarem.

Lá em cima, sozinho no hall, Augusto manteve-se imóvel, encarando o vazio, como se tivesse acabado de perder algo que não sabia como recuperar.

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