Disputa nas Sombras
Eloise entrou no bar discreto, pedindo um copo só para distrair a mente. O jazz abafado não silenciava a lembrança das palavras de José Monteiro. Bebeu rápido demais, e quando o copo já estava vazio, uma voz atrás dela ecoou.
— Ora, ora… se não é a famosa Eloise Nogueira.
Marcos Almeida puxou a cadeira ao lado sem pedir licença. O sorriso fácil, o olhar predatório. Ele pediu um drink e inclinou-se, a voz carregada de malícia.
— Sempre foi bonita… mas hoje, sozinha, está ainda mais. Sabia que você é bonita demais pra ser só uma secretária, não acha?
Eloise franziu o cenho, mas Marcos não se intimidou.
— O que faz aqui sozinha? — perguntou, inclinando-se demais. — Se fosse minha namorada, com certeza não estaria largada num bar assim.
Eloise girou o copo vazio entre os dedos, a voz seca, cortante:
— Espero continuar sozinha. Sem companhia. E, principalmente, sem ser desejada.
Ele riu baixo, como se achasse graça da resistência dela.
— Bravinha… fica ainda mais linda desse jeito.
O rosto de Eloise se transformou, os olhos faiscando em repulsa. A tensão fez sua postura ficar ainda mais ereta, como se a própria presença dele fosse um incômodo físico.
— Engraçado… — ela disparou, a voz afiada como lâmina. — Você tem fetiche em querer tudo que é do Augusto, Marcos?
O sorriso dele não se desfez. Pelo contrário, ficou mais afiado.
— Talvez. — respondeu sem pudor, os olhos fixos nela. — Tudo que ele toca parece ficar mais interessante… inclusive você.
Eloise sentiu o estômago revirar, o olhar dele a despia de forma incômoda, como se fosse apenas um prêmio em algum jogo sujo.
— E sabe o que é melhor? — Marcos inclinou-se mais perto, o hálito marcado de bebida. — Ele pode até achar que você pertence a ele… mas quem está aqui agora, sozinho com você, sou eu.
As palavras fizeram Eloise prender o ar. A repulsa era nítida em cada linha do rosto dela, mas Marcos apenas se recostou na cadeira com ar de satisfação.
Na mente dele, já não era apenas flerte.
Era disputa.
— Talvez tenha ficado no escritório resolvendo algo. — disse, mentindo para não preocupar o pai dela. — Eu estava vindo de uma reunião e pensei que, pelo horário, já teria saído. Vou ligar para ela, como deveria ter feito antes. Não se preocupe, senhor Carlos.
Carlos apenas assentiu, embora a sombra da preocupação permanecesse em seus olhos. Augusto, ao se despedir, desceu os degraus da entrada já com o celular na mão, os dedos cerrados no aparelho como se dele dependesse encontrar Eloise.
De volta ao carro, Augusto discou o número dela repetidas vezes. Nada. O silêncio do outro lado da linha o corroía. Passou a mão pelos cabelos, nervoso. Então lembrou de Nathalia.
Ligou para Thiago.
— Preciso falar com sua secretária. Agora.
Thiago percebeu o tom.
— O que houve?
— Eloise saiu antes de mim do escritório. Estou em frente à casa dela e o seu pai disse que ela ainda não voltou. Preciso saber se está com a Nathalia.
— Augusto, você está me ligando nervoso assim só porque a Eloise não está em casa?
— Não brinque, Thiago. — Augusto cortou, a voz grave. — Me passa a Nathalia. Agora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...