Verdades à Flor da Pele
O despertador do celular vibrou na bolsa jogada ao canto, e Eloise abriu os olhos de súbito. O coração disparou antes mesmo de registrar onde estava.
O teto desconhecido, o lençol que não era o seu, a camisa larga cobrindo-lhe o corpo. E, à frente, na poltrona, Augusto Monteiro.
Ele estava sentado, as mangas da camisa dobradas até os cotovelos, o rosto fechado, mas os olhos presos apenas nela.
Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada. Apenas o silêncio carregado, cheio de lembranças da noite passada, pesava no ar.
Eloise desviou o olhar, a vergonha queimando-lhe as bochechas.
Foi Augusto quem quebrou o silêncio.
— Não quero que pense… — começou, a voz grave, um pouco hesitante. — …que eu quis insinuar qualquer coisa ontem.
Eloise ergueu o olhar com cautela.
— Não precisava insinuar, Augusto. — disse, firme, embora a voz traísse o incômodo. — Eu ouvi. Uma parte da conversa entre você e seu pai.
O maxilar dele se contraiu.
— Eloise, eu… eu só queria ouvir de você. Queria entender o que realmente aconteceu com o seu ex.
Ela respirou fundo, sustentando o olhar.
— E eu também queria entender o que aconteceu entre você e Thamires. — rebateu. — Mas sempre respeitei o fato de você não querer falar.
Augusto inclinou-se para frente, os olhos verdes faiscando.
— Se você não estiver pronta para conversar, eu vou respeitar. E quando estiver pronta vou ouvir.
Por um instante, Eloise sentiu o peito apertar. Havia sinceridade na voz dele. Mas não deixou transparecer.
— Antes disso… acho que precisamos falar sobre ontem.
Eloise engoliu em seco, as bochechas esquentaram.
Augusto respirou fundo, endireitando-se na poltrona e continuou:
— Você saiu sozinha, bebeu além da conta e acabou nos braços de Marcos Almeida. — disse com a frieza que tentava mascarar a preocupação. — Isso não é apenas irresponsabilidade, Eloise. É perigoso.
— Está preocupado ou só ofendido por ter sido ele? — ela provocou, arqueando a sobrancelha.
O olhar de Augusto escureceu.
— Estou preocupado porque você poderia ter se machucado. — disse entre dentes. — Mas, sim… também estou irritado. Porque a ideia de você perto dele… — a frase morreu na garganta, mas o olhar bastava.
— Eu prometo que, quando estiver pronta, vou te contar tudo. — disse, firme, ainda que a voz fosse um sussurro. — Não porque dói… ou porque ainda sinto algo. Longe disso. Mas porque me envergonha. E eu preciso de coragem para falar.
O rosto de Augusto suavizou. Os olhos verdes, antes em chamas, agora carregavam algo mais profundo.
Ela se inclinou levemente, a voz baixa.
— Eu topo deixar acontecer. — murmurou. — Mas quero que me prometa uma coisa, Augusto… antes de tirar qualquer conclusão sobre mim, ou sobre nós… vai me ouvir. Sem julgamento, sem impor só o seu tempo ou a sua vontade.
Ele se levantou da poltrona e caminhou até a beira da cama. Se inclinou devagar, até que sua testa encostasse na dela. O gesto, simples, foi mais íntimo do que qualquer beijo.
— Então deixa acontecer. — murmurou, a voz grave, quente. — O resto… a gente enfrenta quando chegar a hora.
Eloise fechou os olhos por um instante, como se quisesse gravar o momento. Parte dela queria puxá-lo para mais perto, se perder de novo. Mas outra parte temia não saber lidar com o depois.
Augusto a afastou com delicadeza, os dedos roçando sua bochecha. Endireitou-se e respirou fundo, retomando parte da seriedade habitual.
— Agora levanta. — disse, em tom firme mas não frio. — Tenho uma promessa a cumprir. Vou te levar de volta para casa.
Eloise o encarou, surpresa pelo tom inesperadamente protetor. Mas apenas assentiu, puxando o lençol para se erguer.
Naquele instante, havia mais do que desejo entre eles.
Havia algo que podia mudar tudo — se ambos tivessem coragem de deixar acontecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...