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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 84

Verdades à Flor da Pele

O despertador do celular vibrou na bolsa jogada ao canto, e Eloise abriu os olhos de súbito. O coração disparou antes mesmo de registrar onde estava.

O teto desconhecido, o lençol que não era o seu, a camisa larga cobrindo-lhe o corpo. E, à frente, na poltrona, Augusto Monteiro.

Ele estava sentado, as mangas da camisa dobradas até os cotovelos, o rosto fechado, mas os olhos presos apenas nela.

Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada. Apenas o silêncio carregado, cheio de lembranças da noite passada, pesava no ar.

Eloise desviou o olhar, a vergonha queimando-lhe as bochechas.

Foi Augusto quem quebrou o silêncio.

— Não quero que pense… — começou, a voz grave, um pouco hesitante. — …que eu quis insinuar qualquer coisa ontem.

Eloise ergueu o olhar com cautela.

— Não precisava insinuar, Augusto. — disse, firme, embora a voz traísse o incômodo. — Eu ouvi. Uma parte da conversa entre você e seu pai.

O maxilar dele se contraiu.

— Eloise, eu… eu só queria ouvir de você. Queria entender o que realmente aconteceu com o seu ex.

Ela respirou fundo, sustentando o olhar.

— E eu também queria entender o que aconteceu entre você e Thamires. — rebateu. — Mas sempre respeitei o fato de você não querer falar.

Augusto inclinou-se para frente, os olhos verdes faiscando.

— Se você não estiver pronta para conversar, eu vou respeitar. E quando estiver pronta vou ouvir.

Por um instante, Eloise sentiu o peito apertar. Havia sinceridade na voz dele. Mas não deixou transparecer.

— Antes disso… acho que precisamos falar sobre ontem.

Eloise engoliu em seco, as bochechas esquentaram.

Augusto respirou fundo, endireitando-se na poltrona e continuou:

— Você saiu sozinha, bebeu além da conta e acabou nos braços de Marcos Almeida. — disse com a frieza que tentava mascarar a preocupação. — Isso não é apenas irresponsabilidade, Eloise. É perigoso.

— Está preocupado ou só ofendido por ter sido ele? — ela provocou, arqueando a sobrancelha.

O olhar de Augusto escureceu.

— Estou preocupado porque você poderia ter se machucado. — disse entre dentes. — Mas, sim… também estou irritado. Porque a ideia de você perto dele… — a frase morreu na garganta, mas o olhar bastava.

— Eu prometo que, quando estiver pronta, vou te contar tudo. — disse, firme, ainda que a voz fosse um sussurro. — Não porque dói… ou porque ainda sinto algo. Longe disso. Mas porque me envergonha. E eu preciso de coragem para falar.

O rosto de Augusto suavizou. Os olhos verdes, antes em chamas, agora carregavam algo mais profundo.

Ela se inclinou levemente, a voz baixa.

— Eu topo deixar acontecer. — murmurou. — Mas quero que me prometa uma coisa, Augusto… antes de tirar qualquer conclusão sobre mim, ou sobre nós… vai me ouvir. Sem julgamento, sem impor só o seu tempo ou a sua vontade.

Ele se levantou da poltrona e caminhou até a beira da cama. Se inclinou devagar, até que sua testa encostasse na dela. O gesto, simples, foi mais íntimo do que qualquer beijo.

— Então deixa acontecer. — murmurou, a voz grave, quente. — O resto… a gente enfrenta quando chegar a hora.

Eloise fechou os olhos por um instante, como se quisesse gravar o momento. Parte dela queria puxá-lo para mais perto, se perder de novo. Mas outra parte temia não saber lidar com o depois.

Augusto a afastou com delicadeza, os dedos roçando sua bochecha. Endireitou-se e respirou fundo, retomando parte da seriedade habitual.

— Agora levanta. — disse, em tom firme mas não frio. — Tenho uma promessa a cumprir. Vou te levar de volta para casa.

Eloise o encarou, surpresa pelo tom inesperadamente protetor. Mas apenas assentiu, puxando o lençol para se erguer.

Naquele instante, havia mais do que desejo entre eles.

Havia algo que podia mudar tudo — se ambos tivessem coragem de deixar acontecer.

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