Sob o Mesmo Teto
Já no carro, seguiam em silêncio. Eloise mantinha o olhar perdido na janela, mas não via a rua passando.
A frase dele ainda latejava em sua mente, como se tivesse se entranhado na pele:
“Então deixa acontecer.”
E se acontecesse? E se fosse real?
O coração dela acelerava, ora de medo, ora de desejo.
Quando o veículo diminuiu a marcha e parou diante da casa simples, Eloise sentiu o peso da realidade cair de uma vez.
Como explicaria ao pai? O que diria sobre ter passado a noite fora?
Antes que pudesse pensar em uma desculpa, Augusto já havia descido.
Ele abriu a porta com naturalidade, deu a volta e estendeu a mão para ela sair.
O gesto era tão firme, tão seguro, que a deixou sem reação.
Eloise desceu, o corpo leve pelo sono mal dormido, mas pesado pela apreensão.
Augusto seguiu à frente, atravessando o pequeno portão como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Eloise o acompanhou de perto, mas a dúvida corroía: o que ele estava planejando?
Augusto bateu à porta, e não demorou para que ela se abrisse.
— Bom dia, senhor Carlos. — disse ele com a voz firme, quase profissional. — Como prometido, acharam melhor que ela passasse a noite em observação.
O senhor Carlos piscou, surpreso ao vê-lo ali, mas logo o semblante se suavizou.
— Bom dia, Augusto. — respondeu, sincero, estendendo a mão. — Entre, por favor.
Augusto entrou primeiro, a postura ereta, como se estivesse em uma reunião importante.
Eloise, logo atrás, caminhava insegura, os olhos atentos a cada detalhe, sem saber se queria rir da audácia dele ou se esconder pela mentira tão bem encenada.
— Filha… — a voz de Carlos quebrou o nó no peito dela. Ele a puxou num abraço apertado, o cheiro familiar trazendo o alívio que precisava. — Como você está se sentindo? Está bem? — afastou-se apenas para olhá-la nos olhos, preocupado. — Você me deixou com muita preocupação, minha princesa.
Eloise engoliu em seco, tentando responder, mas ainda sem entender como Augusto transformara sua ausência em uma desculpa tão convincente.
Do outro lado, Augusto permanecia em silêncio, observando — mas os olhos verdes, discretos, acompanhavam cada gesto, cada palavra, como se também quisesse se certificar de que ela estava bem.
Carlos ainda segurava Eloise pelos ombros, preocupado, quando Augusto consultou o relógio de pulso.
Eloise sabia que, se ficasse, teria que se explicar… e definitivamente não queria isso. Ela sabia que não conseguiria sustentar a mentira.
Augusto arqueou a sobrancelha, cruzando os braços.
— Não está aceitando um dia de folga, senhorita Nogueira?
— Não. — respondeu sem hesitar, sustentando o olhar dele. — Eu não preciso de um dia de folga.
O silêncio pesou por alguns segundos, até Carlos suspirar, resignado.
— Teimosa como sua mãe… — murmurou, balançando a cabeça. — Mas se é isso que quer, vá.
Augusto manteve o olhar fixo nela por alguns instantes, os olhos verdes faiscando entre irritação e… admiração.
No fim, apenas respirou fundo, guardando o celular no bolso.
— Então se arrume. — disse, por fim. — Eu espero.
Enquanto Carlos foi até a cozinha buscar café, Eloise subiu apressada para banhar-se e trocar de roupa.
Augusto ficou sozinho na sala. Caminhou até a janela, observou a rua por alguns segundos e, sem perceber, um sorriso breve surgiu em seus lábios.
— Ela é teimosa. — pensou, balançando a cabeça, antes de soltar uma risada curta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...