Olhares e Castigos
A caminho da empresa, Eloise mal conseguia manter o coração no lugar.
Estava nervosa — não só pela proximidade dele, mas porque sabia o que os outros diriam ao vê-la chegar ao lado de Augusto Monteiro.
Especulações surgiriam, como sempre, mas agora a verdade parecia perigosamente próxima.
O carro parou em frente ao prédio.
Augusto desceu primeiro, deu a volta e abriu a porta para ela.
Eloise saiu sob os olhares curiosos da portaria, os saltos ecoando no piso de mármore.
No hall, os olhares vieram como uma onda.
Alguns funcionários cochicharam, outros apenas observaram em silêncio, mas todos viram: Augusto Monteiro não andava com ninguém.
E, naquele instante, caminhava ao lado dela.
Impassível, ele ignorou cada olhar.
Quando Eloise pensou que ele a deixaria para trás, sentiu os dedos firmes dele entrelaçarem-se aos seus.
Augusto segurou sua mão e a conduziu pelo hall até o elevador.
O gesto simples foi como uma explosão silenciosa: cada olhar se fixou neles, cada comentário não dito pairou no ar.
Eloise tentou soltar, mas ele não permitiu. Entraram no elevador sob a tensão de todos os olhares que se fecharam com as portas.
— O que foi isso? — ela sussurrou, virando-se para ele, os olhos arregalados. — Perdeu a cabeça?
Augusto inclinou-se devagar, aproximando o corpo ao dela até que não houvesse mais distância.
Os olhos verdes ardiam em intensidade, a voz rouca e baixa, como um segredo:
— Eu disse que ia deixar acontecer.
A respiração dela acelerou, o coração martelando no peito. Mas antes que pudesse responder, ele se inclinou até o ouvido dela.
— Ontem você passou dos limites, Eloise. E eu vou cobrar por isso. — murmurou, a voz grave, carregada de promessa.
Os lábios dele roçaram o pescoço dela num beijo lento, quente, fazendo Eloise estremecer inteira.
Um arrepio subiu-lhe pela espinha, a respiração falhando sem que conseguisse disfarçar.
Antes que pudesse reagir, Augusto se afastou. Endireitou-se, o semblante sério retomando a frieza de sempre.
Quando as portas do elevador se abriram, ele saiu primeiro, como se nada tivesse acontecido.
Eloise, no entanto, sabia: algo havia mudado.
E o castigo prometido ainda estava por vir.
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Eloise retomou sua rotina como se nada tivesse acontecido.
Sentou-se à mesa, abriu a agenda de couro e checou os compromissos do dia. Em seguida, organizou a caixa de entrada do e-mail, respondendo e filtrando o que era prioridade.
Por alguns minutos, conseguiu se perder no trabalho, como se fosse seu refúgio. Mas, no fundo, cada movimento ainda carregava a lembrança do elevador, das palavras dele em seu ouvido, do beijo em seu pescoço.
Respirou fundo, tentando afastar o calor que ainda lhe percorria a pele.
Quando a hora chegou, levantou-se com a agenda em mãos. Bateu à porta do escritório dele e esperou a resposta curta:
— Entre.
Augusto estava atrás da mesa, a postura ereta, os olhos fixos no notebook. Mas quando Eloise entrou, algo mudou.
Ele ergueu o olhar.
Por um instante, não havia CEO, não havia compromissos. Só havia Eloise, atravessando a sala com a pasta em mãos, a camisa leve moldando-lhe os ombros, o salto batendo firme no piso.
Augusto sentiu o corpo reagir de forma automática.
A lembrança da noite anterior, o calor dela em seus braços, a sensação de acordar ao lado dela… tudo voltou como um golpe certeiro.
Gostara mais do que devia: do silêncio compartilhado, do café com o pai dela, de descer de mãos dadas como se fosse natural.
Era perigoso.
E, ao mesmo tempo, viciante.
— Não precisa se desculpar comigo. Só não faça mais isso com você mesma, Eloise. — disse, sincera. — Você merece coisa melhor do que afogar mágoa em álcool.
O sorriso dela de canto era tímido, mas verdadeiro.
— Obrigada, Nath… eu não sei o que teria feito sem você ontem.
Nathalia apenas assentiu.
Foi então que a porta da sala se abriu. Thiago apareceu, atraído pela voz de Eloise.
— Ora, ora… se não é a nossa fugitiva. — disse, sorrindo largo, as mãos nos bolsos.
Eloise sorriu sem graça, erguendo a mão num cumprimento.
— Bom dia, Thiago. O Augusto pediu para avisar que está esperando você.
— Claro. — respondeu, mas não se moveu. O sorriso travesso cresceu. — Mas antes… preciso dizer que espero detalhes do que aconteceu na noite passada.
O rosto de Eloise pegou fogo.
— Nem sonhe. Essa vergonha vai morrer comigo e com a Nathalia.
— Ah… — Thiago levou a mão ao peito, fingindo decepção. — Então vou contar com o espírito fofoqueiro da sua parceira aqui. — piscou para Nathalia, que riu baixinho, corando.
— Você é impossível. — Eloise rebateu, mas já sorrindo.
— Eu sei. — respondeu ele, antes de ajeitar o paletó e seguir pelo corredor com passos largos. Nathalia o acompanhou com a agenda e o celular em mãos.
Eloise voltou para sua mesa, ajeitando os papéis com cuidado.
— Quer que eu entre junto? — Nathalia perguntou, já abrindo o bloco de notas.
Thiago fez um gesto rápido com a mão.
— Ainda não. Quando eu precisar, eu chamo.
Ele sorriu de canto e seguiu para sala de Augusto, sem esperar Eloise anuncia.
Eloise respirou fundo, observando enquanto Nathalia fechava a porta atrás deles. Voltou sua atenção para a tela do computador, mas no fundo ainda sentia o calor da amizade recém-reforçada com Nathalia — e da provocação brincalhona de Thiago que, de certo modo, aliviava o peso do que ainda latejava em sua memória.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...