~ NICOLÒ ~
Deixei Bella na escola naquela segunda-feira de manhã como sempre fazia. Ela tinha saído do carro praticamente pulando, empolgada para contar para as amigas sobre a tia Bia ser oficialmente namorada do papai agora.
— Lembra — disse antes dela sair correndo — isso é assunto nosso, da família. Não precisa ficar contando para todo mundo, tá bom?
— Tá bom — concordou ela, mas o sorriso enorme no rosto me dizia que provavelmente todas as crianças da turma dela saberiam antes do recreio.
Dirigi de volta para a Tenuta com a janela aberta, aproveitando o ar fresco da manhã. A propriedade estava cada vez mais movimentada. Mais hóspedes. Mais reservas. As coisas estavam finalmente começando a funcionar como eu tinha sonhado há anos.
Bianca tinha feito isso acontecer. Ela e toda sua expertise, suas ideias, sua determinação.
Sorri pensando nela. No fim de semana. Na torre. Em como tudo tinha mudado tão rapidamente entre nós.
Mas o sorriso morreu quando virei na entrada da propriedade e vi Martina parada perto da casa principal, conversando com o carteiro.
Meu estômago se apertou imediatamente.
Estacionei o carro mais rápido do que deveria, praticamente pulando para fora antes mesmo do motor desligar completamente.
Corri até minha mãe. O carteiro já estava se afastando, acenando educadamente enquanto voltava para a moto dele.
Se tinha chegado algo que precisava de assinatura, não podia ser boa notícia.
Meu primeiro pensamento foi Renata. Algum movimento legal novo dela sobre Bella. Mais exigências. Mais ameaças.
— O que foi? — perguntei quando cheguei perto de Martina, minha voz saindo mais urgente do que pretendia.
Ela me olhou com expressão preocupada, segurando um envelope grande nas mãos.
— Chegou isso para você — disse simplesmente, me entregando. — Carta registrada. Precisava de assinatura.
Peguei o envelope com dedos que tremiam levemente. Reconheci o logo do banco imediatamente no canto superior.
Merda.
Abri ali mesmo, rasgando o papel sem cerimônia. Meus olhos percorreram as primeiras linhas rapidamente.
Notificação de cessão de crédito.
A dívida tinha sido vendida.
— O quê? — murmurei baixinho, relendo para ter certeza de que tinha entendido direito.
— O que está acontecendo? — perguntou Martina, tentando olhar por cima do meu ombro.
Antes que pudesse formular alguma desculpa, alguma mentira para não preocupá-la, ela já tinha puxado a carta da minha mão e estava lendo.
— Como assim? — perguntou, sua voz subindo levemente. — Nossa dívida foi vendida? Para quem? O que isso significa?
— É um procedimento do banco — expliquei rapidamente, tentando soar mais calmo do que me sentia. — Às vezes eles fazem isso. Vendem dívidas problemáticas para empresas de recuperação de crédito.
Mas eu próprio não entendia completamente o que estava acontecendo.
Eu não tinha um prazo? Não tinha pelo menos mais algumas semanas como o gerente tinha dito? Para trabalhar em uma proposta melhor? Para tentar um acordo?
O que significava isso agora?
Que alguém poderia chegar aqui a qualquer momento e executar a garantia? Que poderia simplesmente tomar a propriedade?
Passei a mão pelo cabelo, soltando o ar pesadamente.
— Eu... não sei exatamente como funciona — admiti honestamente. — Só sei que quando o banco vende a dívida é porque a coisa já está muito feia. E essas empresas que compram esse tipo de coisa não estão interessadas em dar prazo ou fazer acordos gentis. Elas querem receber. Rápido. E se não receberem, executam a garantia sem pensar duas vezes.
Paola ainda segurava a carta, olhando para o nome da empresa no topo.
Balançou a cabeça positivamente, processando, então disse baixinho:
— E nós não temos como pagar. Não tudo. Não ainda.
Era verdade. Por mais que as coisas estivessem melhorando, por mais que tivéssemos mais hóspedes agora, não tínhamos quarenta e dois mil euros guardados. Nem perto disso.
— Não — concordei miserável.
— E o que vamos fazer? — perguntou Paola, me olhando como se eu tivesse alguma resposta mágica.
Balancei a cabeça negativamente, sentindo o peso de tudo aquilo caindo sobre mim novamente.
— Eu não sei — admiti. — Procurar informações sobre essa tal VBG Holdings? Tentar entrar em contato? Tentar negociar algum tipo de parcelamento?
Paola ficou em silêncio por um momento, claramente pensando.
— Acho que eles vão mandar alguém — disse finalmente. — Acho que é procedimento padrão. Quando compram uma dívida assim, costumam mandar um representante para avaliar a garantia, conversar com o devedor.
Fez uma pausa, me olhando seriamente.
— Mas Nico, a gente está correndo contra o tempo agora. Mais do que nunca. Seja lá o que você planejava fazer para resolver isso, precisa ser rápido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....