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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 616

~ BIANCA ~

— Diamante é algo que se dá de presente só quando se ama muito a pessoa — declarou Bella de repente, sua voz infantil cortando através da tensão sufocante que havia se instalado na mesa.

Ela levou as mãos ao colar, protegendo-o contra o peito com aquela determinação feroz que só crianças conseguem demonstrar quando algo é verdadeiramente precioso para elas.

— E eu te amo muito, meu amor — disse, virando-me para ela automaticamente, tentando manter a voz firme e controlada. — Mas... Mas...

A palavra ficou presa na minha garganta.

Mas o quê?

Abri a boca. Fechei. Nenhuma palavra adequada ou convincente apareceu.

Foi quando ouvi a gargalhada de Mia.

Alta, genuína, absolutamente despreocupada. Como se aquilo fosse a coisa mais engraçada e absurda que tinha ouvido em semanas.

— É perfeito, não é? — disse ela, se virando para Renata com aquele sorriso deslumbrante e desarmante. — Sério, os ourives em Florença são verdadeiros artistas. Fazem réplicas de praticamente tudo com uma perfeição admirável. Colar, brinco, anel, pulseira. Você jura que é autêntico. Posso te levar na loja quando for a Florença, se quiser. Eles têm peças lindíssimas.

Renata a encarou por um longo momento, sua expressão oscilando entre incredulidade e algo perigosamente próximo de raiva contida.

— Réplica? — repetiu devagar, como se testando o peso da palavra na boca.

— Óbvio — disse Mia com naturalidade impressionante, dando de ombros. — A Bianca trabalha com marketing, não é herdeira de petróleo. Além do mais, quem em sã consciência daria diamantes genuínos para uma criança de sete anos? Imagina o risco de perder, ser roubada. Seria completamente irracional e irresponsável.

Renata continuou olhando para Mia. Depois para mim. Depois para o colar no pescoço de Bella.

— Então não deve ser problema nenhum — disse finalmente, sua voz saindo perigosamente calma e controlada — se eu levar esse colar a um joalheiro para avaliar adequadamente. Só para confirmar. Só para ter certeza absoluta. Afinal, como você mesma disse, preciso garantia a segurança da minha filha, não quero ela correndo risco de ser roubada.

Estendeu a mão na direção de Bella.

— Vem, meu amor. Deixa a mamãe ver esse colar lindo de perto.

Bella se encolheu na cadeira, suas mãos apertando o colar com força, os olhos arregalados de puro pânico.

— Não! — gritou, sua voz saindo aguda e desesperada. — É meu! É meu!

— Bella, querida, só quero ver — insistiu Renata, tentando manter aquele tom maternal falso enquanto se inclinava mais perto. — Prometo que vou devolver. Dois dias, no máximo.

— Não! — Bella balançou a cabeça violentamente, lágrimas começando a escorrer pelo rosto. — Não quero! É meu! Tia Bia deu pra mim porque me ama!

Levantei-me automaticamente, contornando a mesa para chegar até ela. Me abaixei, colocando as mãos gentilmente nos ombros dela, sentindo-a tremendo.

— Tudo bem, meu amor — disse suavemente, limpando as lágrimas do rostinho dela com o polegar. — Ninguém vai pegar seu colar. Está tudo bem. Respira fundo pra mim.

Bella me abraçou com força desesperada, o rostinho enterrado no meu pescoço, ainda soluçando.

— Chega, Renata.

A voz de Nico cortou através de tudo como lâmina afiada.

Bella não respondeu. Apenas me apertou mais forte.

Finalmente, Renata se virou para mim.

— Felicidades no relacionamento — disse, sorrindo largamente. — Nico é realmente um homem incrível. Você tem muita sorte.

Chegou mais perto. Tão perto que senti seu perfume enjoativamente doce.

Inclinou-se, fingindo ajustar algo no meu cabelo, sua boca bem ao lado da minha orelha.

— Eu vou descobrir o que você está escondendo — sussurrou, sua voz baixa e carregada de promessa perigosa. — E quando descobrir, vai se arrepender.

Afastou-se, aquele sorriso perfeito ainda fixo no rosto. Acenou para todos na mesa com alegria falsa.

— Foi um prazer conhecer todos vocês! Espero que nos vejamos novamente em breve!

E então, finalmente, saiu.

Ninguém se mexeu. Ninguém falou.

Bella ainda chorava baixinho contra meu pescoço. Nico estava congelado, olhando fixamente para onde Renata tinha desaparecido. Christian tinha uma expressão preocupada e calculista. Zoey segurava a mão dele com força. Mia mordia o lábio inferior, claramente processando tudo. Dante parecia genuinamente chocado. Martina tinha voltado para sua cadeira, parecendo dez anos mais velha.

Foi Paola quem finalmente quebrou o silêncio.

— E a torta de climão foi servida com sucesso — disse com aquele tom seco e irônico característico. — Bem-vindos à família!

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