~ BIANCA ~
O rooftop do café era um dos meus lugares favoritos em Florença.
Dava para ver a cúpula do Duomo de um lado, o rio Arno do outro, e ainda tinha aqueles croissants de amêndoa que eram praticamente uma experiência religiosa.
Era sexta-feira de manhã, antes do trabalho, eu estava sentada em uma mesa com vista panorâmica, tentando não demonstrar o pânico que estava crescendo no meu peito.
Dante estava sentado na minha frente, tomando seu expresso duplo com aquela tranquilidade irritante de quem não tinha nenhuma preocupação no mundo.
— Você está estranha — observou, me estudando por cima da xícara. — Está comendo esse croissant há uns dez minutos e ainda não deu nem três mordidas.
Olhei para o prato. Ele estava certo.
— Estou nervosa — admiti finalmente.
— Nervosa por quê? — perguntou, apoiando o cotovelo na mesa.
— O Nico vem para Florença amanhã — disse, como se aquilo explicasse tudo.
E de certa forma, explicava.
Dante assentiu lentamente, processando.
— Certo — disse. — E como você preparou ele para... tudo isso?
Fiz uma careta.
— Esse é o problema — confessei miseravelmente. — Não preparei.
Dante arregalou os olhos.
— Ótimo — disse com aquele sarcasmo característico. — Então você vai deixar o cara mergulhar de cabeça na sua vida paralela que ele nem imagina que existe e não entregou nem uma boia? Perfeito. Excelente planejamento.
— É mais ou menos por aí — murmurei, pegando um pedaço minúsculo do croissant.
— E você vai ficar só assistindo o cara se afogar? — insistiu Dante, arqueando uma sobrancelha.
— Não, claro que não — defendi, colocando o croissant de volta no prato com mais força do que necessário. — Eu só... não sei como fazer isso, tá, Dante? Não sei como sair da confusão gigantesca que eu mesma criei. Então talvez... talvez seja só melhor... deixar ele ver as coisas com os próprios olhos e entender que talvez... eu não seja exatamente quem ele imaginou.
Dante confirmou com a cabeça, mostrando que entendeu.
— Choque de realidade — resumiu. — Quer saber? Nunca é uma boa ideia. Mas vai em frente, priminha. Pelo menos eu vou ter uma boa história para contar nos jantares de família pelos próximos dez anos.
Revirei os olhos.
— O que você sugere então? — perguntei, genuinamente desesperada por qualquer conselho minimamente útil.
Dante sorriu largamente, aquele sorriso perigoso que significava que ele estava prestes a dizer algo completamente inútil, mas brutalmente honesto.
— De todo mundo para quem você podia pedir conselhos amorosos — disse devagar — tem certeza de que é comigo que você quer fazer isso?
Ri apesar de tudo.
— Verdade — concordei. — Não sei onde estou com a cabeça.
— Mesmo assim — continuou Dante, ficando levemente mais sério agora — eu te digo o que eu não sugiro: não leva ele na Bellucci por enquanto. É grande demais. Corporativo demais. Intimidador demais.
Fez uma pausa, tomando mais um gole de café.
— Começa pelo que é só seu — aconselhou. — Quero dizer, certamente ao entrar no seu apartamento ele vai praticamente enxergar uma faixa gigante no meio da sua sala escrito "Surpresa! Sou rica!" Mas entre você ser rica e você ser uma Bellucci...
— Eu sei — interrompi. — Um abismo de diferença.
— Exatamente — concordou Dante. — Uma coisa é ter dinheiro. Outra completamente diferente é ter poder, influência, um império de gerações nas costas.
Balancei a cabeça, sentindo o peso daquilo.
— Tem certeza de que quer fazer isso sem nenhum aviso prévio? — perguntou Dante, sua voz saindo genuinamente preocupada agora.
Olhei para a vista de Florença se estendendo ao redor.
— Não — admiti honestamente. — Não tenho certeza de nada.
Naquela noite, depois do trabalho, voltei para casa com o estômago embrulhado.
Tomei banho, coloquei uma roupa confortável, me posicionei estrategicamente no quarto.
Parede neutra de fundo. Nada identificável. Nada que gritasse "apartamento de luxo no centro histórico de Florença".
Como sempre fazia quando Nico ligava.
O celular tocou exatamente às nove, como combinado.
Atendi a videochamada e seu rosto apareceu na tela, sorridente, relaxado.
— Oi — disse, aquele sorriso que sempre derretia minhas defesas.
— Oi — respondi, forçando naturalidade.
Peguei o celular de novo.
Talvez... talvez se eu avisasse antes. Se eu desse a ele uma chance de processar antes de ver com os próprios olhos.
Abri as mensagens. Comecei a digitar.
"Antes de você vir, tem uma coisa sobre mim que você precisa saber."
Olhei para as palavras na tela.
Apaguei.
Digitei de novo, tentando uma abordagem diferente.
"Nico, eu não fui completamente honesta sobre alguns aspectos da minha vida."
Apaguei de novo.
Tentei mais uma vez.
"Preciso te contar algo importante antes de amanhã."
Deletei.
Meus dedos pairaram sobre o teclado, paralisados pela indecisão.
No final, mandei só:
"Te espero em Florença."
Joguei o celular na cama, passando as mãos pelo rosto.
Eu podia adiar a verdade mais um pouco.
Só mais um dia.
Só até ele ver com os próprios olhos.
Mas sabia, com a mesma clareza com que conhecia o centro de Florença de olhos fechados, que não dava mais para escondê-la para sempre.
Cedo ou tarde, ele ia descobrir quem eu era de verdade.
A única coisa que eu podia escolher era se ele ouviria isso da minha boca... ou de outra pessoa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....