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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 623

~ NICOLÒ ~

Saí de casa antes do sol nascer completamente.

Bella ainda estava dormindo, então entrei no quarto dela de ponta dos pés, dei um beijo na testa e sussurrei que voltaria domingo à noite.

Na cozinha, Martina já tinha preparado café fresco e estava embalando algo em papel manteiga.

— Lanche para a viagem — anunciou, me entregando um pacotinho cuidadosamente amarrado com barbante.

— Mamma, são só algumas horas de carro — disse, meio rindo.

— E daí? — retrucou com aquela teimosia maternal característica. — Você vai querer comer algo no caminho.

Peguei o pacote, sentindo o peso reconfortante de pão caseiro e provavelmente queijo.

Foi quando vi o bilhete grudado na lateral, claramente escrito pela Bella com aquela caligrafia infantil caprichada:

"Boa viagem, papai! Come tudo! A nonna me ajudou a fazer especialmente pra você. Te amo muito! Volta logo! — Bella."

Senti algo apertar no peito.

Eram só poucas horas de viagem. Nem precisava de lanche. Mas o carinho por trás daquele gesto simples me pegou completamente.

— Obrigado — disse para minha mãe, abraçando-a rapidamente. — Cuida bem dela.

— Sempre cuido — garantiu, me empurrando gentilmente em direção à porta. — Agora vai. E se comporta em Florença.

Entrei no carro, coloquei o pacotinho de lanche no banco do passageiro, liguei o motor.

E parti.

O começo do caminho era tranquilo.

Estradas de montanha que eu conhecia de olhos fechados. Curvas suaves. Paisagem linda. O sol nascendo sobre os vinhedos adormecidos.

Mas quanto mais me afastava das montanhas, quanto mais me aproximava de Florença, mais o cenário mudava.

As estradas ficaram mais largas. O trânsito aumentou consideravelmente. Carros acelerando, buzinando, cortando sem sinalizar.

Quando finalmente entrei nos limites da cidade, o caos era completo.

Turistas parando no meio da rua para tirar fotos. Literalmente no meio da rua. Um grupo de americanos quase causou um acidente ao recuar sem olhar para fotografar uma fachada medieval.

Buzinas soavam por todos os lados. Motos passavam perigosamente perto. Ônibus de turismo bloqueavam ruas inteiras.

Respirei fundo, tentando relevar tudo aquilo.

O caos. Os barulhos. A falta completa de consideração.

Era o mundo de Bianca.

E eu de fato queria fazer parte daquilo, se era o que ela gostava.

Não podia ser egoísta o suficiente para achar que seria ela quem precisaria mudar toda a sua vida e ir morar em Montepulciano comigo só porque... eu preferia assim.

Sabia que precisaríamos dosar. Adaptar. Fazer acontecer.

E estava totalmente aberto para isso neste fim de semana.

Por mais que um idiota em uma Vespa tivesse acabado de me cortar sem nenhum aviso, passando a centímetros do meu retrovisor e fazendo eu frear bruscamente.

— Porca miseria — murmurei, respirando fundo.

Parei em um semáforo vermelho, aproveitando para conferir novamente o endereço que Bianca tinha me mandado.

Via dei Tornabuoni.

Uma das ruas mais chiques de Florença, pelo pouco que sabia. Isso... fazia sentido? Era realmente o endereço dela ou Bianca tinha decido marcar em outro lugar e esqueço de me avisar a mudança de planos?

Foi quando percebi a notificação no celular.

Mensagem.

Renata.

Meu estômago se apertou automaticamente.

Ainda não tínhamos nos falado desde aquela cena horrível no jantar. E honestamente, eu não tinha nenhuma vontade de falar com ela tão cedo.

Mas a mensagem dizia: "Precisamos conversar, urgente."

E no meio daquilo tudo, um palazzo antigo, fachada impecável.

Parei o carro, ainda no meio da rua, olhando.

Era um Palazzo histórico. Fachada renascentista impecavelmente preservada. Portão de ferro trabalhado artisticamente. Detalhes em pedra que gritavam séculos de história e dinheiro.

Padrão... altíssimo.

Meu carro — velho, sujo de terra das estradas de montanha, com aquele barulho estranho no motor que eu nunca tinha consertado — parecia absolutamente deslocado ali.

Verifiquei o endereço novamente no celular, certo de que tinha errado algum número.

Mas não.

Era ali mesmo.

Via dei Tornabuoni. O número estava certo.

Dirigi lentamente até a portaria, descendo a janela quando o porteiro, uniformizado impecavelmente, se aproximou.

— Boa tarde — disse, tentando soar confiante. — Não sei se estou no lugar certo, mas meu nome é Nicolò. Vim ver a Bianca. Apartamento... — conferi o celular de novo — cobertura.

O porteiro consultou algo em um tablet moderno e caro.

— Ah, sim — confirmou com eficiência profissional. — A senhorita Bianca está esperando pelo senhor. Pode entrar. A garagem é à esquerda. Há uma vaga reservada para visitantes no segundo subsolo.

Fez uma pausa, apertando algo que abriu o portão automaticamente.

— Os elevadores estão ao fundo. A cobertura é acessada com esse código. A senhorita Bianca já autorizou sua entrada.

Murmurei um agradecimento quase inaudível e entrei.

O portão se fechou atrás de mim com um som pesado e definitivo.

Fiquei ali parado no carro por um longo momento, motor ainda ligado, olhando ao redor.

Então era realmente aqui?

Bianca morava... aqui?

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