~ BIANCA ~
Estava me sentindo tão desconfortável quanto o Nico.
Talvez até mais.
Mas tentava fingir que estava tudo normal, porque sabia que ele também estava tentando fingir que estava tudo normal.
Não estava.
A conversa durante o lanche improvisado foi forçada. Eu perguntava coisas genéricas sobre a viagem. Ele respondia de forma educada mas distante. Nós dois evitávamos cuidadosamente o elefante gigantesco na sala — ou melhor, a cobertura gigantesca ao nosso redor.
Depois de comermos em silêncio constrangedor, limpei rapidamente a cozinha e me virei para ele com um sorriso que esperava parecer natural.
— Vem — disse. — Quero te mostrar alguns lugares que eu gosto em Florença. Não só os pontos turísticos que todo mundo vê. Minha Florença de verdade.
Nico assentiu, parecendo aliviado por ter algo para fazer além de ficar parado no meu apartamento tentando não olhar para tudo que gritava dinheiro.
Descemos para a garagem em silêncio pesado.
Quando as portas do elevador se abriram, hesitei apenas por um segundo antes de perguntar:
— Tudo bem se formos no meu carro? — olhei para ele. — Eu dirijo, já que conheço melhor a cidade. Quero te levar em alguns lugares específicos.
— Claro — concordou Nico rapidamente. — Faz todo sentido.
Caminhei em direção às vagas reservadas para o apartamento.
Tinha três carros ali.
O Fiat 500 branco que sempre levava para a Tenuta, pequeno, discreto, perfeito para não chamar atenção.
O Audi A3 Sportback cinza que usava no dia a dia em Florença, elegante o suficiente para a cidade, mas nada exagerado.
E o Mercedes conversível prata que ficava praticamente abandonado na garagem, coberto por uma fina camada de poeira de tanto tempo parado.
Segui meu plano de choque de realidade — que já estava parecendo um péssimo plano, possivelmente o pior que já tinha tido na vida — e passei direto pelos dois primeiros, indo para o Mercedes.
Destravei as portas. O som característico ecoou na garagem silenciosa.
Nico não disse nada.
Absolutamente nada.
Apenas se acomodou no banco do passageiro, ajeitando o cinto de segurança com movimentos mecânicos, olhando fixamente para frente.
Liguei o motor. O ronco suave preencheu o silêncio.
Saí da garagem, acenando para o porteiro que abriu o portão automaticamente.
— Primeiro — disse, forçando entusiasmo na voz — vou te levar em um lugar que eu adoro. Não é turístico. É onde eu realmente gosto de ir quando preciso desacelerar.
Nico assentiu, ainda olhando pela janela.
Dirigi pelas ruas estreitas de Florença, desviando de turistas distraídos com a prática de quem fazia aquilo diariamente.
Era uma livraria pequena, escondida em uma viela que a maioria das pessoas passava sem notar. Especializada em primeiras edições e livros raros. A dona, Signora Cattaneo, me cumprimentou calorosamente quando entramos.
— Bianca! Que surpresa maravilhosa! — exclamou, vindo me abraçar como se fôssemos família.
Apresentei Nico. Cattaneo mostrou alguns livros que tinha acabado de receber, edições antigas sobre agricultura toscana, receitas tradicionais. Nico folheou alguns com interesse genuíno, relaxando levemente.
Comprei dois livros que ela recomendou. Nico ficou em silêncio quando viu o preço discretamente marcado a lápis na primeira página.
Em seguida, levei ele ao parque onde eu costumava correr de manhã. Depois, à pequena galeria de arte onde tinha comprado o quadro abstrato da sala. Ao café escondido onde tomava cappuccino quando precisava pensar.
Tivemos alguns momentos bons. Românticos, até.
Nico segurou minha mão enquanto caminhávamos. Me puxou para um beijo rápido em uma ponte sobre o Arno. Sorriu genuinamente quando mostrei a ele a vista do Duomo do ângulo que eu mais gostava.
Mas a tensão continuava ali. Palpável. Sufocante.
Quando a noite começou a cair, decidi dar mais um choque de realidade.
— Conheço um restaurante incrível — disse. — Um dos meus favoritos em Florença. Vamos jantar lá?
Tentei puxar assunto. Comentei sobre a livraria que tínhamos visitado mais cedo. Perguntei se ele tinha gostado da vista da ponte. Mencionei que poderíamos ir ao mercado de San Lorenzo amanhã se ele quisesse.
Ele respondia com monossílabos.
Cada resposta curta como uma porta se fechando.
— Vamos pedir? — sugeri finalmente, incapaz de suportar o silêncio desconfortável por mais tempo.
Peguei o tablet embutido na mesa. O cardápio digital apareceu, elegante e moderno.
Nico me imitou, pegando o próprio tablet com movimentos rígidos, como se não esperasse o cardápio ali.
Vi seus olhos percorrendo as opções.
E então ele murmurou, tão baixo que quase não ouvi:
— Nada tem preço.
Só então percebi o óbvio: não havia um único número naquelas telas. Eu estava tão acostumada que nem reparava nisso. Mas esse era claramente aquele tipo de restaurante em que, se você precisava perguntar o preço, provavelmente não deveria estar ali.
— Ah — disse rapidamente, talvez animada demais — não se preocupa com isso. Eu convidei.
Nico não demorou mais do que dez segundos.
Colocou o tablet de volta na mesa. Levantou-se. Murmurou algo que soou como "não posso fazer isso" enquanto já estava virando e seguindo em direção à saída.
— Nico! — chamei, me levantando também.
Mas ele já estava atravessando o restaurante com passos rápidos e determinados.
Ignorando os olhares curiosos dos outros clientes.
Ignorando o maître confuso tentando perguntar se estava tudo bem.
Ignorando a mim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....