~ BIANCA ~
Respirei fundo, limpando as lágrimas do rosto com as costas da mão.
— Eu sou a mesma pessoa que você conheceu na Tenuta — disse, minha voz saindo mais firme agora. — O fato de eu ter dinheiro ou não ter dinheiro não muda a essência de quem eu sou. E isso... isso você conhece muito bem.
Nico ficou em silêncio por um momento, me olhando com aquela expressão dilacerada.
Então deu alguns passos na minha direção.
E me puxou para um abraço.
— Desculpa — murmurou contra meu cabelo. — É só que... foi um choque muito grande.
Balancei a cabeça contra o peito dele, sentindo o coração batendo forte.
Mas ainda havia algo no tom de voz dele. Algo que soava como despedida. Como se ele realmente tivesse determinado a acreditar que aquilo não ia dar certo.
E talvez não desse.
Talvez ele estivesse certo. Talvez fôssemos muito diferentes e por mais que fosse fácil para mim dizer que isso não importava... para ele importava.
Mas eu precisava pelo menos fazê-lo entender.
— Podemos voltar pro meu apartamento? — perguntei baixinho. — Podemos conversar com calma? Eu preciso... eu preciso te explicar algumas coisas.
Ele hesitou apenas por um segundo antes de concordar.
— Tudo bem.
Dirigi de volta para o apartamento praticamente em silêncio.
Nico olhava pela janela, perdido em pensamentos que eu não conseguia adivinhar. Eu mantinha os olhos na estrada, as mãos apertando o volante com força desnecessária.
Quando chegamos, subimos no elevador sem trocar uma palavra. O silêncio era pesado, sufocante.
Entramos no apartamento. Tranquei a porta atrás de nós.
Fui direto até o bar, peguei uma garrafa de vinho tinto e duas taças.
Coloquei tudo sobre a mesa de centro, servindo generosamente.
Ofereci uma taça para Nico.
— Acho que a gente pode precisar — disse, forçando uma piada fraca.
Nico não riu. Não estava no clima.
Apenas pegou a taça, tomou um gole longo.
Sentei ao lado dele no sofá, pegando minha própria taça com mãos que tremiam levemente.
— Acho que eu preciso começar... do começo — disse finalmente.
Nico bebeu mais um pouco do vinho.
— Acho que seria bom — concordou, sua voz neutra.
Respirei fundo.
— Quando fui à Tenuta pela primeira vez — comecei devagar, escolhendo cada palavra com cuidado — eu tinha o objetivo de conhecer o lugar. Analisar. Então eu... eu incorporei a persona de Bianca Ricci. Consultora de marketing digital especializada em turismo rural em busca de novos clientes.
Vi Nico processar aquilo, sua expressão ficando ainda mais confusa.
— E quando eu bati a cabeça — continuei — eu simplesmente... assumi aquilo. Realmente acreditei que era aquela pessoa. Era uma das poucas coisas que fazia sentido na minha mente confusa. E o que não fazia sentido... era como se meu cérebro fosse construindo pontes de ilusões, mas com base em coisas que eu realmente acreditava serem sólidas.
Fiz uma pausa, lembrando daqueles dias nebulosos.
— Eu acreditava ser aquela Bianca — disse honestamente. — De verdade. E quando a memória voltou, eu já estava envolvida... já estava apaixonada por você. Por tudo o que você fez por mim. Pelo jeito que cuidou de mim. Pela sua família. Pela vida simples e autêntica que vocês tinham.
Olhei diretamente para ele agora.
— E você tinha me dito... tinha me dito que odiava pessoas como eu. "Engravatados de Milão", acho que foi o termo que você usou. Então eu só... continuei sendo a Bianca que você conheceu. Porque ela é real. Quero dizer... talvez não a parte de ser consultora de marketing digital especializada em turismo rural... mas quem eu sou de verdade. Não limitada a emprego ou coisas materiais assim.
Nico ficou em silêncio por um longo momento.
— Então você não é consultora? — perguntou finalmente. — E o trabalho que você vem fazendo na Tenuta...?
— Eu tenho um pouco de experiência em marketing — admiti. — Mas em outro contexto profissional. E a Zoey trabalha com relações públicas, então ela me ajudou muito com ideias e execuções. Eu queria ajudar de verdade... e sim, eu sabia que podia pagar sua dívida com facilidade, mas quando tentei oferecer algum tipo de ajuda nesse sentido...
Quando finalmente nos afastamos, Nico segurou meu rosto entre as mãos.
— Eu também preciso pedir desculpas — disse. — Pela forma como agi. Eu fui pego completamente de surpresa e...
— Eu sei — interrompi. — Meu tratamento de choque de realidade não foi a melhor escolha.
— Definitivamente não foi — concordou com um meio sorriso triste. — Talvez eu precise de um tempo para pensar. Para processar tudo isso. Para me adaptar. Mas... vou tentar. Vou tentar por você. Por nós.
Nos beijamos novamente.
Estava começando a acreditar que talvez conseguíssemos fazer funcionar.
Quando nos afastamos, Nico franziu a testa levemente.
— Mas você não me disse — observou — por que exatamente você queria analisar a Tenuta quando foi lá disfarçada pela primeira vez.
Senti meu estômago apertar.
— Pro meu irmão — respondi honestamente. — Ele tinha... interesses comerciais na propriedade.
Nico ficou visivelmente confuso.
— O Christian? — repetiu. — Interesses comerciais? Que tipo de interesse ele teria na Tenuta Montesi?
Suspirei lentamente.
Peguei a garrafa de vinho que estava sobre a mesa.
— Tem mais uma coisa que você precisa saber sobre mim — disse, minha voz saindo firme agora. — Meu nome... meu nome é Bianca Ricci...
Fiz uma pausa.
Virei o rótulo da garrafa de frente para ele.
Bellucci. Em letras douradas elegantes.
— Meu nome é Bianca Ricci Bellucci.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....