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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 628

~ BIANCA ~

Nico ficou olhando fixamente para o rótulo da garrafa.

Bellucci, em letras douradas elegantes sobre fundo escuro.

Meu coração batia tão forte que tinha certeza de que ele conseguia ouvir.

O silêncio se estendeu. Pesado. Sufocante.

Até que finalmente ele ergueu os olhos, me encarando com aquela expressão que não consegui decifrar completamente.

— Bellucci... — disse devagar. — Dos vinhos Bellucci?

Era como se ele visse, mas não conseguisse acreditar. Como se precisasse ouvir em voz alta para processar. Para tornar real.

— Exatamente — confirmei, minha voz saindo mais fraca do que pretendia.

Ele colocou a garrafa de volta na mesa com cuidado exagerado, como se fosse quebrar.

— Você é a dona dos vinhos Bellucci? — perguntou com todas as letras.

— Tecnicamente, Christian é — corrigi rapidamente. — Ele é o CEO da Bellucci. Eu sou só a COO da Itália.

Nico franziu a testa, claramente confuso.

— COO? — repetiu. — O que significa isso?

Achei fofo o jeito que ele não entendia sobre mim, sobre o mundo corporativo, sobre toda essa grandiosidade que eu vivia. Tive que me controlar para não sorrir, porque poderia parecer ofensivo, condescendente.

— Chief Operating Officer — expliquei pacientemente. — Diretora de Operações. Basicamente, eu cuido de toda a parte operacional da empresa na Itália. Produção, logística, distribuição, relacionamento com fornecedores e parceiros. Christian foca mais na estratégia global, expansão, investimentos.

Nico processou aquilo em silêncio.

— E você diz que é "só" a COO da Itália? — perguntou, arqueando uma sobrancelha.

Dei de ombros, tentando minimizar.

— Parece mais importante falando assim do que realmente é no dia a dia — disse, embora soubesse que era mentira. — É muito trabalho burocrático, reuniões intermináveis, decisões técnicas chatas.

Nico me olhou como se soubesse exatamente que eu estava subestimando propositalmente.

— Então quando você foi na Tenuta — disse devagar — você queria comprar. A propriedade. Era isso?

Respirei fundo.

— Sim — admiti honestamente. — Inicialmente, sim. Christian tinha interesse comercial na propriedade. Me pediu para ir avaliar pessoalmente, disfarçada, para ver se valia a pena fazer uma oferta.

Vi algo se fechando no rosto dele.

— Mas eu expliquei pro Christian que isso não ia acontecer assim que recuperei a memória — acrescentei rapidamente. — Entendi o quanto você amava aquele lugar. Que para você não era sobre dinheiro. Que a Tenuta era... família. História. Identidade. E que eu jamais participaria de algo que tirasse isso de você.

Nico ficou em silêncio por um longo momento.

— Eu nem entendo exatamente onde eu estou me metendo — murmurou finalmente, mais para si mesmo do que para mim.

— Não muda muito — tentei argumentar. — É só um sobrenome.

— Um sobrenome que é dono de um império — retrucou ele, me olhando diretamente agora.

Fez uma pausa, como se algo tivesse clicado na cabeça dele.

— O colar... — disse lentamente. — O colar da Bella?

Balancei a cabeça confirmando, sabendo exatamente onde ele estava indo.

— Diamantes — disse simplesmente. — Sua ex estava certa.

Nico passou a mão pelo rosto, soltando o ar pesadamente.

— Mas... — continuei — eu nem pensei nisso quando dei para ela. Não pensei no valor monetário, no que significava. Eu só queria dar algo especial para uma criança especial. Nosso colar da amizade, como ela disse.

Nico se afastou, mas antes de ir em direção as escadas que levavam ao andar de cima, parou.

Virou-se para mim, aquela expressão séria no rosto novamente.

— Mas antes que eu tenha qualquer outra surpresa — disse — tem algo a mais que você queira me contar sobre você? Mais algum segredo guardado? Mais alguma bomba para jogar?

Senti meu estômago apertar dolorosamente.

Tinha.

Tinha a dívida dele que eu tinha comprado por um preço completamente absurdo através da VBG Holdings. Tinha o fato de que tecnicamente, legalmente, eu era credora dele agora.

Informação que o faria surtar completamente.

Não só pela traição, pela mentira, mas porque ele sentiria que me devia algo. E não no sentido figurado de "te devo uma". No sentido literal. Financeiro. Legal. Como se eu tivesse poder sobre ele. Sobre tudo que ele amava.

E conhecendo Nico, conhecendo seu orgulho, sua necessidade de independência, isso seria insuportável.

Mas ele tinha concordado em tentar. Tinha me dito que me amava. Tinha prometido dar passos de bebê em direção a fazer nossos mundos se encaixarem.

E eu não queria dar motivos para ele voltar atrás.

Podíamos falar disso em outro momento. Quando tudo tivesse mais estabilizado. Quando ele já tivesse processado a revelação Bellucci completamente. Quando estivesse mais preparado para ouvir.

Não era mentir, era apenas... adiar.

Escolher o momento certo.

Proteger o que tínhamos construído hoje.

Então olhei diretamente nos olhos dele e respondi:

— Não. Mais nada.

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