~ NICOLÒ ~
O silêncio que veio depois do que eu disse pesou mais do que qualquer uma das contas que ele tinha jogado na minha cara até ali. Eu ainda ouvia, na cabeça, cada “escala”, “volume”, “estrutura” que ele tinha enumerado como quem disseca um problema simples. Pra mim, não era simples. Era a minha vida inteira em fileiras de videiras.
Ele franziu levemente a testa.
— Não foi isso que eu disse.
— É o que parece.
Ele respirou fundo, apoiando os cotovelos na mesa.
— Nico, você não é um fracasso — afirmou, com firmeza. — Você só não é um homem de negócios. Você é um homem de coração.
Ri, sem humor.
— E não tem como ser as duas coisas?
— Tem — ele admitiu. — Mas só se você souber separar. E você não sabe.
Fez um gesto com a mão, como se desenhasse uma linha no ar.
— Você decide com o coração e espera que o negócio se adapte. A Bianca também faz isso, mais do que eu gostaria, inclusive — um canto da boca dele subiu. — A diferença é que ela tem anos de treino pra lidar com o estrago depois.
Olhei para as minhas mãos, abertas sobre o joelho.
— Então é isso? — perguntei, baixo. — No máximo eu salvo a Tenuta, saio da dívida, melhoro um pouco os números… e passo a vida me arrastando de crise em crise?
Engoli seco.
— Você pode conseguir ter uma vida estável. O que é bom…
— Mas não é padrão Bianca Bellucci.
Um canto da boca dele se ergueu.
— Não, não é — concordou, sem crueldade. — E isso não é um problema em si. A questão é: você quer uma vida estável ou quer construir algo que aguente o tipo de tempestade que ela tá acostumada a encarar?
Levantei o olhar.
— E o que eu faço, então?
Ele não respondeu de imediato. Girou a caneta entre os dedos, pensativo.
— Aceita que você não vai conseguir evoluir sozinho sem transformar a Montesi em um negócio de verdade — disse, enfim. — Com governança, com planejamento, com gente de fora dando palpite. Investidores. Sócios.
A palavra me fez enrijecer na hora.
— Eu não vou vender a Tenuta — reagi, automático. — Nem uma parte.
— Não é sobre vender — ele retrucou, calmo. — É sobre aceitar influência. Nico, você quer continuar sendo dono de tudo… de cada parreira, cada parafuso. Mas isso tem um preço. E o preço é ficar pequeno.
Fiquei quieto.
Ele continuou:
— O que eu tô propondo não é transformar a Montesi em Bellucci. Seria um desastre. São coisas diferentes — Inclinou-se um pouco mais pra frente. — O que eu vejo é outra coisa: uma linha associada. Não “vinho de luxo intocável”, mas um vinho com a mesma obsessão por qualidade, posicionado pra um público um pouco diferente. Preço mais acessível, sem carregar nosso nome principal, mas com a nossa estrutura por trás.
Fiquei tentando acompanhar.
— Você quer… comprar a marca? — perguntei.
Lá fora, pela parede de vidro, Florença seguia. Carros, pessoas, telhados. De onde eu estava, tudo parecia organizado, limpo, previsível. Diferente de uma parreira em ano de chuva demais.
— E se eu disser não? — perguntei.
— A gente continua sendo família — respondeu, sem hesitar. — Você continua sendo o homem que ela escolheu. Eu continuo indo à Tenuta beber o seu vinho e dar opiniões irritantes sem ninguém ter pedido — ele deu um meio sorriso. — Só que, muito provavelmente, você vai continuar vivendo na corda bamba entre uma crise e outra. Não porque você é ruim. Porque o mundo é assim.
Olhei para as mãos, depois para ele.
— E se eu disser… talvez?
Ele riu de leve.
— Aí é a resposta mais honesta que eu ouvi hoje.
Eu também ri, mas o som saiu meio trêmulo.
Ele largou a caneta na mesa.
— Não decide agora — disse. — Volta pra casa. Olha pra sua terra, pensa no que você quer para a Bella, para a sua mãe. Depois você me liga. E eu vou querer ver seus números, de qualquer jeito. Até pra te dizer, com certeza, se você precisa mesmo de mim.
Assenti.
Mas, por dentro, eu não tinha certeza de nada.
Eu não sabia se estava pronto pra deixar outro sobrenome entrar na minha vida daquele jeito. Nem se a Tenuta sobreviveria muito tempo se eu não deixasse.
Só sabia que, pela primeira vez, o futuro não parecia só uma ameaça distante.
Parecia uma decisão. E que, gostando ou não, ia ter que ser minha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....