Entrar Via

Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 645

~ NICOLÒ ~

— O processo de despertar é gradual — o médico explicava, gesticulando com as mãos de forma didática. — Vamos reduzir a medicação sedativa progressivamente ao longo das próximas doze a vinte e quatro horas. Não é como acordar de um sono normal. É mais como... emergir lentamente.

Ele olhou para cada um de nós, garantindo que todos estavam acompanhando.

— Ela pode começar a apresentar pequenos sinais primeiro. Movimento involuntário dos dedos. Reflexos retornando. Respiração ficando mais irregular, menos dependente do ventilador. Eventualmente, tentativas de abrir os olhos.

— Quanto tempo até ela estar completamente acordada? — Zoey perguntou, segurando firme a mão de Christian.

— Impossível precisar exatamente — o médico admitiu honestamente. — Pode ser questão de horas. Pode levar dias. Cada paciente responde de forma única. Mas o importante é que todos os sinais vitais dela estão estáveis e fortes. O cérebro está respondendo bem. Não há indicação de dano neurológico permanente nos exames mais recentes.

Christian soltou um suspiro pesado que parecia carregar dias de tensão acumulada.

— Então ela vai ficar bem — não foi pergunta. Foi confirmação que ele precisava ouvir.

— As chances são muito favoráveis — o médico concordou cautelosamente. — Mas vamos monitorar constantemente. Qualquer mudança significativa, vocês serão informados imediatamente.

Mia abraçou Matheus, escondendo o rosto no ombro dele. Vi lágrimas escorrendo silenciosamente.

Marco puxou Maitê para mais perto, beijando o topo da cabeça dela.

Annelise e Nathaniel trocaram olhares de alívio palpável.

Dante simplesmente sorriu abertamente, o tipo de sorriso que vem quando peso impossível finalmente sai dos ombros.

A sala inteira pareceu respirar coletivamente pela primeira vez em dias.

— Ela vai voltar — Zoey disse para ninguém específico, voz embargada. — Bianca vai voltar para a gente.

Senti meu próprio peito apertando com emoção crua. Depois de setenta e duas horas de "estável" sem significado real, finalmente tínhamos esperança concreta.

Ela ia acordar.

Ia abrir os olhos.

Ia me olhar novamente.

O médico continuou explicando protocolos, mas eu mal ouvi. Estava perdido em pensamentos sobre o momento em que ela finalmente acordasse. O que eu diria? Como seria vê-la consciente depois de...

Meu celular vibrou no bolso, interrompendo o devaneio.

Peguei distraído, olhei a tela.

Paola.

Franzi a testa. Ela nunca ligava a menos que fosse urgente. Especialmente agora, sabendo da situação.

— Com licença — murmurei, saindo discretamente da sala enquanto os outros continuavam conversando animados com o médico.

Atendi no corredor silencioso.

— Paola?

— Nico — a voz dela saiu tensa, controlada demais. — Escuta, não se assusta com o que vou dizer. Está todo mundo bem, mas... temos um problema sério na Tenuta.

Meu estômago despencou instantaneamente.

— Que tipo de problema?

— Teve um incêndio — ela disse diretamente. — Na casa principal. Parte considerável pegou fogo durante a madrugada.

O mundo parou.

— FOGO? — praticamente gritei, sem conseguir controlar o volume. — E a Bella? E minha mãe? E os hóspedes que estavam lá?

— Como eu disse — Paola repetiu firmemente, tentando me acalmar — todos estão bem fisicamente. Bella e Martina vieram para a minha casa enquanto os bombeiros controlavam tudo. Os hóspedes foram realocados temporariamente. Ninguém se machucou. Mas...

— Mas? — pressionei, sentindo pânico crescendo.

Não era resposta. Era empurrar decisão impossível para frente.

— Tudo bem — Paola concordou, mas ouvi a frustração e preocupação que ela estava tentando esconder. — Me liga quando puder.

— Obrigado, Paola. Por tudo.

— Sempre — ela disse simplesmente, e desligou.

Fiquei ali parado, celular ainda na mão, olhando para tela preta sem realmente ver.

Incêndio criminoso.

Bella assustada.

Casa destruída.

Polícia investigando.

E Bianca acordando sem mim ao lado depois de eu ter prometido ficar.

— E aí? — uma voz disse atrás de mim.

Virei bruscamente.

Christian estava ali parado a poucos metros, segurando uma lata de água que aparentemente tinha ido buscar na máquina. Tinha expressão neutra, mas olhos atentos.

Não sabia quanto exatamente ele tinha ouvido da conversa telefônica. Mas que tinha ouvido algo era inquestionável pelo jeito que me observava.

— Problemas na Tenuta — admiti, não vendo sentido em esconder.

Christian tomou um gole longo da água, ainda me estudando.

— Então — disse eventualmente, a voz calma mas carregada de significado — você ainda vai insistir em tentar controlar cada aspecto do seu negócio com as próprias mãos, mesmo quando suas mãos não podem literalmente fazer nada útil lá? Ou você vai aprender a delegar controle para pessoas competentes e ficar aqui pela Bianca?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )