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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 657

~ BIANCA ~

Olhei para ele. Para o homem que eu amava, parado no topo daquela torre, segurando a caixinha aberta com a aliança brilhando sob o sol toscano implacável.

Vulnerável. Exposto. Com aquele medo ainda preso nos olhos — e, por baixo dele, uma esperança frágil tentando não morrer.

Meu coração apertou.

Por dias, eu tinha assistido Nico se afastar. Construir muros. Criar uma distância artificial entre nós por causa de Renata — por causa do veneno que ela plantava com precisão cirúrgica.

Não mais.

Respirei fundo, enchendo os pulmões com o ar perfumado de terra e uva madura.

— Você me pede — falei. A voz saiu firme, limpa, como uma decisão. — Colocando esse anel no meu dedo.

Nico piscou, como se eu tivesse puxado o chão debaixo das desculpas dele.

— Mas… Renata...

— Foda-se a Renata — cortei, com uma raiva que me surpreendeu. — Foda-se o plano dela. Foda-se o que ela quer, o que ela espera, o que ela contou que você faria.

Dei um passo na direção dele.

— Se você me ama — continuei, mais baixo agora, mas não menos intensa — se quer me fazer sua esposa, se quer construir uma vida comigo… então você me pede. Aqui. Agora. Do jeito que sempre quis.

Ele engoliu em seco. O vento puxou uma mecha do cabelo dele e bagunçou ainda mais o que já estava bagunçado pela obra.

— Mesmo sabendo que é exatamente o que ela quer?

Eu sustentei o olhar dele.

— Especialmente sabendo disso — respondi. — Porque eu não vou deixar essa mulher controlar nossas decisões. Não vou deixar ela roubar nossos momentos. Não vou viver uma vida inteira reagindo ao que Renata faz, como se ela fosse a dona do roteiro.

Parei a um palmo dele.

— A gente vive a nossa vida. A gente toma as nossas decisões. E a gente lida com as consequências juntos.

Algo cedeu no rosto dele — como uma corda que estava tensa há tempo demais.

A rigidez nos ombros diminuiu. A mandíbula relaxou. E, pela primeira vez em dias, ele sorriu de verdade. Não um sorriso educado. Um sorriso que tinha calor.

— Você nunca se deixa abalar, não é? — ele disse, e havia carinho ali. Havia admiração. — Sempre tão forte. Sempre tão determinada.

Eu ri baixinho, com a emoção apertando a garganta.

— Eu me abalo, sim — admiti. — O tempo todo.

Dei de ombros, tentando fingir leveza.

— Só aprendi a não deixar isso decidir por mim.

Vi algo nos olhos dele. Reconhecimento. Como se ele estivesse finalmente enxergando que a minha coragem não era ausência de medo. Era movimento apesar dele.

Então, devagar, deliberadamente, Nico começou a se ajoelhar.

Ele abriu a caixinha completamente, revelando a aliança delicada que ele vinha carregando — como um segredo e uma promessa.

— Bianca… — começou, e a voz dele tremeu nas bordas, mas tinha firmeza no centro. — Quando eu vi você deitada naquela cama de hospital, perdida em algum lugar entre a vida e a morte… eu fiquei apavorado.

Ele segurou meu olhar como se precisasse ter certeza de que eu estava ali. Presente. Inteira.

— Apavorado de verdade — repetiu, engolindo o resto. — De ter te perdido para sempre. De a mulher que você era ter ficado presa num lugar onde eu não podia alcançar. De nunca mais ouvir você rir das minhas piadas horríveis… ou discutir comigo sobre vinhos como se o mundo dependesse disso.

Um sorriso pequeno apareceu, rápido, involuntário, e sumiu.

— Mas você começou a voltar — ele continuou, e eu ouvi orgulho na voz. — Pedaço por pedaço. Fragmento por fragmento. Mesmo quando doía. E eu percebi uma coisa no meio do caos.

Ele respirou fundo, como quem escolhe um salto.

— Eu te amava em qualquer versão possível de você. Com memória completa ou sem. Sabendo do seu passado ou não. Sendo Bianca Ricci ou Bianca Bellucci. Rica, pobre, poderosa, vulnerável… nada disso mudava o essencial.

A emoção escapou por uma fresta. Os olhos dele brilharam.

— Porque a essência… — a voz dele falhou, e ele se obrigou a continuar — a essência de quem você é nunca mudou. Nem quando todo o resto estava perdido.

O vento passou mais forte, e eu senti arrepio nos braços.

— Você é corajosa — ele disse, como se estivesse listando fatos incontestáveis. — Teimosa. Brilhante. Gentil até quando o mundo não merece. Forte mesmo quando está quebrando por dentro. Você é… tudo o que eu sempre quis e tudo o que eu nem sabia que precisava.

Ele fechou os dedos com mais força ao redor da caixinha, como se aquilo fosse a única coisa que mantinha o coração dele no lugar.

O beijo aprofundou — menos desespero, mais promessa.

Promessa de futuro. De manhãs compartilhadas. De noites sem fuga. De vida construída lado a lado, mesmo quando fosse difícil.

— Eu estou todo sujo — Nico murmurou contra meus lábios quando conseguiu respirar. — Poeira da obra, suor, eu devo estar com um cheiro horrível...

— Eu não me importo — interrompi, sem hesitar.

E, num impulso que nasceu de algum lugar entre raiva e alívio, eu já estava prendendo minhas pernas ao redor da cintura dele.

O sorriso dele foi rápido — surpreso e feliz ao mesmo tempo — e ele me ergueu sem esforço, as mãos firmes nas minhas coxas, me apoiando contra a parede fria de pedra medieval.

A aspereza da pedra através da blusa fina. O contraste com o calor do corpo dele. O vento frio batendo no nosso rosto enquanto o sol aquecia o restante.

Eu mal registrei qualquer detalhe.

Eu estava ocupada demais beijando meu noivo.

Meu noivo.

A palavra ricocheteou na minha mente com uma alegria quase infantil, absurda, linda.

Nos beijamos até faltar ar. Até o corpo reclamar. Até sermos obrigados a parar por necessidade biológica, não por vontade.

Encostei minha testa na dele. Nós dois respirando pesado. Corações acelerados como se estivessem tentando alcançar um ao outro.

Eu mantive minhas pernas firmes ao redor da cintura dele. As mãos entrelaçadas atrás do pescoço dele, possessivas, como se o mundo tivesse tentado tirar e eu finalmente pudesse dizer “não”.

Olhei para os olhos dele. Vi amor ali — óbvio demais, desprotegido demais.

E eu não entendi como tinha sobrevivido a um único dia sem aquilo.

— A gente vai se casar — eu disse, testando as palavras como quem prova um vinho raro. Saboreando.

Nico sorriu. Aquele sorriso que tinha me feito perder a linha desde o começo.

— A gente vai se casar — confirmou.

E me beijou de novo.

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