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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 659

~ BIANCA ~

— Mas... eu? Não... como?

As palavras não faziam sentido juntas dessa forma. Não faziam conexão lógica no meu cérebro.

Christian riu baixinho apesar da tensão óbvia no ar.

— Aposto que não preciso te explicar os detalhes biológicos — brincou com leveza claramente forçada.

Dei um tapinha no ombro dele, mais reflexo que raiva real.

— Não seja idiota — murmurei automaticamente.

Então reformulei, porque a pergunta verdadeira era outra completamente diferente.

— Como você pode saber disso e eu não? — demandei, olhando diretamente para ele. — Como é possível que você saiba que estou grávida antes de mim?

Christian ficou sério novamente instantaneamente.

— Descobriram nos exames pré-operatórios — ele explicou, com uma calma que parecia treinada. — Antes da cirurgia de emergência. É protocolo: teste de gravidez antes de anestesia geral.

Ele pausou. Eu vi algo pesado atravessar o rosto dele, como se a palavra seguinte tivesse gosto de metal.

— E como eu era o parente mais próximo disponível naquele momento, fui eu quem recebeu a informação dos médicos. Fui eu quem teve que… tomar decisões.

— Que decisões?

Christian passou a mão pelo rosto, como se quisesse arrancar de si mesmo a obrigação de ser forte.

— Você estava morrendo, Bia — disse baixo. — Hemorragia interna. Traumatismo. Fraturas. Você precisava de cirurgia imediata ou você não sobreviveria.

Ele engoliu em seco.

— E aí os médicos me disseram que você estava grávida. Poucas semanas. E que anestesia geral no primeiro trimestre… os riscos para o feto são altos. Aborto espontâneo. Complicações.

Meu coração parecia ter esquecido como bater.

— Mas você estava morrendo — ele repetiu, e a voz dele falhou por um segundo. — Então eu assinei. Eu autorizei. Eu assinei papéis sabendo que a chance de perder o bebê era grande… porque a alternativa era te perder.

Os olhos dele brilharam, e ele piscou rápido, como se isso fosse inadmissível.

— Foi a decisão mais difícil que eu já tomei.

— Christian… — eu sussurrei, e a palavra saiu como um pedido de desculpa que eu não sabia por quê.

— Nico não sabe — ele acrescentou rápido, como se precisasse colocar mais uma camada de proteção entre a notícia e o mundo. — Ninguém além de mim e da equipe médica. Eu não contei… porque, por um tempo, eu achei que…

Ele não terminou a frase. Não precisou.

Fiquei olhando para ele, tentando construir lógica com pedaços de choque.

— Mas… você disse que eu estou grávida. Presente. Não… passado.

Christian assentiu uma vez, firme.

— O bebê sobreviveu — disse, e a descrença na voz dele soava quase como reverência. — Contra todas as probabilidades. Sobreviveu à cirurgia, aos medicamentos, ao trauma.

A sala pareceu estreitar.

O vidro com vista para Florença virou um quadro distante. A mesa de mogno virou um objeto irrelevante. Os livros na estante viraram um cenário.

Tudo que existia era aquela frase.

O bebê sobreviveu.

E, com ela, veio a segunda pancada.

— Por que você não me contou depois? — perguntei, ainda tentando me localizar dentro do próprio corpo.

— Protocolo médico — ele respondeu. — Mesmo depois de confirmarem que o bebê tinha sobrevivido, a gravidez estava instável. Risco alto nas primeiras semanas. Você estava tomando medicação forte, o seu corpo tentando se recuperar… e a parte emocional, Bia. A parte emocional era um risco também.

A voz dele baixou.

— Eles me pediram pra esperar. Disseram que te contar cedo demais… te dar esperança cedo demais… podia virar mais um trauma. Que precisavam ter certeza antes.

A palavra “trauma” abriu uma porta que eu não queria abrir.

E, num piscar de olhos, eu estava de volta a outro hospital.

Aquele cheiro.

Aquele silêncio estranho entre perguntas.

Aquela frase que vinha antes do mundo acabar.

“Sinto muito. Não conseguimos detectar batimentos.”

Minha primeira filha. Meu primeiro bebê. Um luto que eu carreguei escondido — porque o mundo aceita melhor o luto que não dá para ver.

E agora…

Agora eu estava grávida de novo.

E tinha quase perdido esse bebê sem nem saber que ele existia.

— Christian… — minha voz saiu quebrada, tremendo nas bordas. — Não. Não outra vez. Por favor, não outra vez.

O pânico nos olhos dele não era pelo bebê. Era por mim. Pelo lugar onde eu tinha ido.

Ele segurou minha mão imediatamente, firme, quente.

— Está tudo bem agora — disse, com uma convicção que parecia uma ordem para o universo. — Está tudo bem, Bia. Você ia ser informada no seu retorno médico.

Ele apertou mais, como se eu pudesse escapar.

— O bebê está bem. Você está bem. Nada vai acontecer.

— Tem certeza? — sussurrei, e as lágrimas já estavam descendo sem eu perceber. — Tem certeza mesmo?

— Absoluta — ele garantiu, puxando minha cadeira mais perto e me envolvendo num abraço protetor, daqueles que ele só dava quando eu estava realmente quebrando. — Você está grávida. E está tudo bem. Eu prometo.

Giulia continuou, com a clareza de quem já precisou explicar isso a muita gente rica e desesperada.

— O bebê, por lei, tem direito a um padrão de vida compatível com os recursos dos pais. Ambos. Não é um direito do cônjuge — é um direito da criança.

Leonardo amarrava as peças devagar, garantindo que eu acompanhasse.

— Então, se vocês se casarem e o bebê nascer durante o casamento, fica muito claro, juridicamente e socialmente, qual é o núcleo familiar. E fica muito claro que esse bebê tem acesso ao padrão de vida Bellucci através de você.

Eu senti o sentido surgindo. O problema se desenhando.

Marco seguiu, implacável:

— E é aí que entra a Renata. Ela pode argumentar que a Bella, como filha do senhor Montesi e meia-irmã do seu bebê, deve ter padrão equivalente. Mesma escola, mesmas oportunidades, mesmo “nível” de vida.

Giulia completou:

— O juiz pode olhar não só para o que o pai ganha hoje, mas para o padrão efetivo do lar que ele compõe. E, junto ao casamento e ao bebê, pode virar munição narrativa.

A frase final encaixou como um estalo dentro de mim.

— Acesso indireto ao patrimônio Bellucci — eu concluí, finalmente.

— Exatamente — Leonardo confirmou.

Fiquei em silêncio por um instante, sentindo o peso das implicações.

Então eu perguntei a única coisa que importava de verdade.

— Mas nada disso é problema real se a gente ficar com a guarda da Bella, certo? — olhei de um para o outro. — Se ela estiver morando conosco, sendo criada por nós, vivendo o mesmo padrão… certo?

Leonardo assentiu.

— Correto. Se a guarda permanecer com vocês, a ex-esposa não tem direito a nada.

— E a gente tem caso sólido? — pressionei, sem paciência para eufemismo. — Chances reais?

Os três trocaram olhares.

Giulia respondeu com cautela responsável — mas não pessimista.

— Se tudo o que nos foi apresentado se sustenta, se a documentação é consistente e as testemunhas são confiáveis… vocês têm chances muito boas.

Eu assenti uma vez.

Decisão tomada.

Me levantei, e a energia da determinação atravessou meu corpo.

— Então foda-se Renata e todos os planos dela — declarei, a voz firme. — Eu vou me casar com o Nico. Eu estou grávida do filho dele. E a gente vai ganhar a guarda da Bella.

Olhei para Christian, que ainda parecia carregar um mundo nas costas.

— Eu preciso contar pro Nico — disse, já pegando a bolsa. — Preciso contar agora.

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